A inteligência artificial (IA) deixou de ser apenas uma promessa cercada de expectativa e já começou a gerar impactos concretos nos negócios, segundo Kevin Brunner, presidente global de banco de investimento e fusões e aquisições do JPMorgan Chase & Co.. Em entrevista à Bloomberg TV durante a conferência de tecnologia, mídia e telecomunicações do banco em Boston, o executivo afirmou que o mercado entrou em uma nova etapa da corrida da IA.
“Passamos do hype para a execução e escalabilidade reais”, disse Brunner. Segundo ele, praticamente todas as empresas atendidas pelo JPMorgan discutem atualmente como adaptar seus modelos de negócio às mudanças trazidas pela IA e qual será sua estratégia de longo prazo nesse cenário.
IA impulsiona aquisições e reorganização do setor de tecnologia
Na entrevista, Brunner afirmou que a inteligência artificial tem influenciado diretamente o mercado de fusões e aquisições no setor de tecnologia. Segundo ele, empresas consideradas vencedoras na corrida da IA estão usando aquisições para adicionar capacidades, ferramentas e ampliar sua posição no mercado.
Ao mesmo tempo, outras companhias ainda avaliam como seus modelos de negócio serão afetados pela transformação tecnológica. Para o executivo, isso deve aumentar a diferenciação entre empresas ao longo dos próximos meses e acelerar uma nova onda de consolidação no setor. “A IA é tanto um catalisador quanto uma força de disrupção dentro da tecnologia”, afirmou.
Brunner disse ainda que empresas com maior escala têm levado vantagem porque conseguem gerar caixa suficiente para reinvestir em infraestrutura, desenvolvimento e transformação interna. Segundo ele, o mercado financeiro também tem favorecido companhias maiores nesse momento.
JPMorgan vê “seleção” e criatividade em fusões e aquisições
De acordo com o executivo, o atual momento do mercado de M&A é marcado por três fatores principais: seletividade, escala e criatividade. Ele afirmou que compradores estratégicos estão mais cuidadosos na alocação de capital e realizando negócios com “alto grau de convicção”.
Brunner também destacou o aumento de modelos alternativos de negociação, incluindo investimentos minoritários, parcerias, consórcios e colaborações entre empresas. “Estamos vendo acordos de todos os tipos”, disse.
Segundo ele, apesar das preocupações do mercado com juros elevados e questões geopolíticas, o acesso a capital ainda não representa uma barreira significativa para fusões e aquisições. O executivo afirmou que muitas empresas consideram urgente reposicionar seus negócios diante das mudanças provocadas pela IA.
Mercado deve separar vencedores e perdedores da IA
Na avaliação de Brunner, o setor de tecnologia ainda está nos estágios iniciais da transformação causada pela inteligência artificial, mas os próximos meses devem começar a mostrar quais empresas conseguirão converter o entusiasmo em resultados concretos.
O executivo afirmou que investidores continuam concentrando recursos nas companhias mais fortes do mercado, especialmente grandes provedores de infraestrutura e hyperscalers. Já outras empresas podem enfrentar consolidações ou precisar rever seus modelos de negócio. “Acho que vamos começar a ver os vencedores”, afirmou.
Brunner também comentou que fundos de private equity têm acompanhado de perto a transição provocada pela IA e devem aumentar sua participação em operações de consolidação e fechamento de capital na segunda metade do ano.
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