O YouTube lançou uma ferramenta baseada em inteligência artificial (IA) que permite aos usuários criar um feed de vídeos personalizado por meio de comandos de texto. A novidade permite que o público descreva o tipo de conteúdo que deseja assistir, gerando uma página exclusiva que pode ser fixada no topo da tela inicial da plataforma.
Inicialmente restrita a usuários nos Estados Unidos, a função exige que o histórico de buscas e de exibição do perfil esteja ativado para funcionar. Paralelamente a essa atualização, o serviço anunciou a implementação de um sistema automatizado para rotular conteúdos gerados por IA fotorrealista.
YouTube vai ter feeds gerados por IA (se você pedir)
O novo recurso funciona assim: o usuário clica na aba “Seu feed personalizado”, localizada no topo da página inicial, e digita o que quer ver numa caixa de texto. É possível solicitar, por exemplo, “treinos de HIIT de 15 minutos que não precisam de equipamentos” ou “podcasts técnicos aprofundados sobre o uso de IA no trabalho” para receber uma lista de reprodução com curadoria da plataforma.
A ferramenta, que funciona tanto no aplicativo para celular quanto na versão para navegadores em computadores, está sendo distribuída em inglês para usuários nos Estados Unidos.
Caso a IA cometa erros na seleção dos vídeos, a plataforma permite editar a descrição para reformular o espaço. Também dá para enviar um relatório de feedback clicando na opção “Algo errado?”, disponível no menu de três pontos.
Segundo o YouTube, os feeds customizados podem ser moldados com base em interesses específicos, estados de espírito ou tópicos preferidos de cada pessoa. Para que a funcionalidade apareça como opção na interface, o usuário deve manter ativada a autorização de histórico de navegação e exibição nas configurações da conta.
Essa movimentação do YouTube assemelha-se a recursos de customização algorítmica adotados por concorrentes, como as listas de reprodução geradas por comandos de texto no Spotify. O Instagram também expandiu o controle dos usuários sobre o algoritmo do Reels, embora a rede da Meta utilize listas de tópicos predefinidos em vez de descrições textuais livres.
Plataforma passa a identificar e rotular automaticamente vídeos gerados por IA
O YouTube também anunciou uma atualização em suas regras de transparência para sinalizar conteúdos gerados por IA – seja em vídeos longos, seja em Shorts.
Agora, sistemas internos de detecção vão identificar de forma automatizada produções que apresentem uso significativo de IA com aparência fotorrealista. O mecanismo não vai depender de declaração voluntária dos criadores de conteúdo para funcionar.
Os novos rótulos de aviso passarão a ocupar posições de destaque na interface. Nos casos de vídeos gerados por ferramentas do ecossistema Google, como o gerador de vídeos Veo e o recurso Dream Screen, a remoção da etiqueta de identificação não será permitida. Além disso, o conteúdo terá suporte de metadados C2PA para blindar o rastreamento do arquivo sintético.
Essa ofensiva de rotulagem coincide com o avanço de novos modelos multimodais da própria empresa, como o Gemini Omni, que ampliam a capacidade de criar cenas altamente fiéis a contextos físicos, históricos e culturais.
Apesar do rigor maior na identificação e da expansão de ferramentas de detecção de deepfakes faciais para os usuários adultos, o YouTube garantiu publicamente que a presença das etiquetas de IA não afetará a recomendação nem a monetização dos vídeos publicados.
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