Nova era? Nvidia anuncia primeiros notebooks criados para rodar agentes de IA

A Nvidia anunciou, durante a feira Computex, em Taipei, os primeiros notebooks do mundo projetados para rodar agentes de inteligência artificial (IA). Os laptops serão equipados com o RTX Spark, versão dos chips de IA da empresa voltada para a execução local de bots autônomos.

Para viabilizar os computadores, a companhia firmou parcerias com seis grandes fabricantes do mercado: Dell, Lenovo, Microsoft, HP, Asus e MSI. O projeto inicial foca na portabilidade extrema, prometendo notebooks premium com 14 milímetros de espessura e, no caso dos modelos mais leves, pouco mais de um quilo de peso.

Nova arquitetura de chips da Nvidia marca o fim da era dos chatbots tradicionais

De acordo com Mark Aevermann, diretor sênior de desenvolvimento de produtos da Nvidia, os novos PCs equipados com o RTX Spark serão direcionados para “criadores de conteúdo, desenvolvedores de IA e gamers”, com preços situados na faixa premium do mercado (leia-se: serão modelos caros). 

A expectativa é que o componente, descrito pela empresa como o chip de PC mais eficiente já feito, passe a integrar futuramente 30 modelos de notebooks e cerca de dez modelos de desktops baseados em suas unidades de processamento gráfico (GPUs).

A mudança no design de silício acompanha uma transformação na indústria de tecnologia. Nos últimos anos, o foco esteve em treinar grandes modelos de linguagem (LLMs, na sigla em inglês) e rodar inferências para responder a comandos humanos. Agora, o mercado direciona seus esforços para proliferar agentes de IA (bots autônomos capazes de executar tarefas complexas sem a necessidade de intervenção humana constante).

Nvidia aposta que a era de conversar com chatbots como o ChatGPT, da OpenAI, está no fim – Imagem: Yarrrrrbright/Shutterstock

“Essa era [de conversas diretas com chatbots como ChatGPT, Gemini e Claude] está chegando ao fim”, disse Kari Briski, vice-presidente de software de IA generativa da Nvidia, segundo o Wall Street Journal. “Os agentes são a nova carga de trabalho. Eles serão executados em todos os lugares, do data center à borda da rede.”

Ian Buck, vice-presidente de computação hiperescalável e de alto desempenho da Nvidia, afirmou que a ascensão da IA ​​ativa tornou impossível atender às necessidades dos clientes usando apenas chips poderosos ou mesmo servidores personalizados. 

Segundo o executivo, essa nova era exige hardware de rede avançado, bibliotecas de software que os desenvolvedores possam usar para programar chips e projetar modelos, além de clusters de data centers capazes de interligar dezenas de milhares de processadores e processar dados de forma rápida e econômica.

“A IA está deixando de responder perguntas para se tornar uma ferramenta de trabalho real”, disse Buck.

IA está deixando de responder perguntas para se tornar “ferramenta de trabalho real”, disse vice-presidente de computação da Nvidia – Imagem: Summit Art Creations/Shutterstock

O vice-presidente detalhou que o ecossistema inclui a GPU Rubin, servidores compostos exclusivamente por CPUs Vera e um sistema integrado com chips customizados da Groq, empresa cuja tecnologia foi licenciada pela Nvidia por US$ 20 bilhões (aproximadamente R$ 100 bilhões) em 2025.

Complementando a estratégia de expansão, a Nvidia anunciou a ampliação de sua parceria com a empresa de robótica chinesa Unitree para criar um modelo de design robótico que possa ser replicado por outras companhias. 

A fabricante informou que o cérebro e o software dos produtos serão fornecidos por firmas norte-americanas, enquanto as partes físicas virão da parceira chinesa. Segundo a Nvidia, isso vai garantir que os dados fiquem protegidos com o usuário, o que deve mitigar preocupações geopolíticas em Washington.

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