Europa mira autonomia digital com novo pacote de tecnologia e IA

A Comissão Europeia apresentou nesta quarta-feira (3) um conjunto de novas regras voltadas ao fortalecimento de chips, IA e serviços de computação em nuvem desenvolvidos dentro do bloco. A iniciativa ocorre em meio à crescente dependência da Europa em relação a produtos e serviços dos Estados Unidos e da China.

As propostas precisam ser aprovadas pelos 27 estados-membros para entrar em vigor. Entre as medidas anunciadas estão ações para impulsionar a fabricação avançada de semicondutores e a computação em nuvem de origem europeia, explica a CNBC.

Europa quer reforçar infraestrutura digital própria e diminuir dependência de fornecedores estrangeiros. Imagem: RaffMaster/Shutterstock

Dependência tecnológica e o alerta europeu

O debate ganhou força com a percepção de que Europa depende fortemente de tecnologias dos EUA e da China, especialmente em áreas críticas como nuvem e semicondutores. Para autoridades do bloco, essa dependência pode representar riscos em cenários de crise.

Não podemos nos dar ao luxo de depender de outros para as tecnologias que mantêm nossos hospitais funcionando, nossas redes de energia estáveis e nossos serviços seguros.

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, em nota.

Pacote europeu busca fortalecer chips, computação em nuvem e proteção de dados sensíveis no continente. Imagem: VGV MEDIA/Shutterstock

Nuvem, IA e novas regras de soberania digital

Um dos pilares do pacote é o Cloud and AI Development Act (CADA), criado com o objetivo de “mitigar os riscos decorrentes da dependência da UE de países terceiros para serviços de computação em nuvem”. O instrumento prevê um marco europeu que estabelece diferentes níveis de soberania exigidos para a computação em nuvem aplicada a cargas de trabalho sensíveis em organizações públicas, conforme comunicado da Comissão.

A vice-presidente executiva da Comissão, Henna Virkkunen, afirmou a jornalistas que o objetivo é garantir que provedores de nuvem responsáveis por cargas de trabalho críticas não tenham um “interruptor de desligamento” — mecanismo que permitiria cortar o acesso aos serviços.

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Virkkunen acrescentou que seria difícil para empresas americanas atingir os níveis mais altos de soberania previstos no marco por causa do Cloud Act dos EUA, legislação que autoriza autoridades policiais americanas a solicitar dados de usuários a empresas norte-americanas independentemente de onde esses dados estejam armazenados.

“Queremos garantir que nossos dados sensíveis mais críticos sejam armazenados na Europa”, disse Virkkunen.

Regras visam proteger dados críticos e fortalecer serviços de nuvem europeus. Imagem: Apichatn/Shutterstock – Imagem: Apichatn/Shutterstock

Pressão geopolítica como pano de fundo

Em meio ao avanço da inteligência artificial e ao aumento da demanda por poder computacional, energia e talentos, autoridades europeias afirmam que o objetivo é garantir maior autonomia tecnológica.

Ao mesmo tempo, especialistas alertam que um movimento excessivamente fechado pode limitar a competitividade global da região, já que as grandes potências também precisam exportar e desenvolver tecnologias em escala mundial.

Com isso, a Comissão Europeia quer garantir diferentes níveis de soberania para cargas de trabalho críticas e reforçar a infraestrutura digital do continente, garantindo:

Fortalecimento da produção de semicondutores na Europa

Criação de regras para serviços de nuvem e IA

Redução da dependência tecnológica dos EUA e da China

Proteção de dados sensíveis em território europeu

O anúncio ocorre em um contexto de crescentes apelos para que a Europa reduza sua dependência de provedores não europeus de tecnologias críticas, incluindo empresas americanas que atualmente dominam o mercado europeu.

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