James Webb detecta buraco negro adormecido mais distante, invisível e com massa de 6 bilhões de sóis

O telescópio espacial James Webb detectou o buraco negro adormecido mais distante já registrado no Universo. O objeto está localizado na galáxia MRG-M0138, situada a mais de 10 bilhões de anos-luz da Terra.

A descoberta supera o recorde de distância anterior para esse tipo de estrutura em 15 vezes. Os detalhes do estudo foram publicados na revista Science por uma equipe internacional de astrônomos nesta quinta-feira (04).

O corpo celeste se formou no início da história do Universo, que tem 13,8 bilhões de anos. Investigar estruturas antigas ajuda os pesquisadores a entender como esses sistemas evoluíram quando o cosmos era jovem, conforme explica o Live Science.

Fim da formação estelar

Cientistas suspeitam que a galáxia MRG-M0138 abrigou um quasar no passado. Esse buraco negro supermassivo extremamente brilhante cresceu de forma acelerada e expeliu uma quantidade significativa de gás.

O processo esvaziou a matéria necessária para gerar novas estrelas e interrompeu a atividade na região. A falta de combustível silenciou o sistema, explicando por que a área parece tão calma hoje.

O mapeamento faz parte de um conjunto de dados maior obtido pelo telescópio James Webb. O grupo também analisou outras quatro galáxias distantes que passaram pelo efeito de lente gravitacional.

Técnica de medição

Além de mapear o ciclo estelar, a equipe calculou a massa do buraco negro. O monstro cósmico possui um peso estimado em cerca de 6 bilhões de vezes a massa do Sol.

A medição foi complexa porque o objeto está inativo e não interage com os gases ao redor. Por causa dessa calmaria, a estrutura permanece invisível em todos os comprimentos de onda de luz.

Os astrônomos precisaram adaptar uma técnica baseada no movimento das estrelas para estimar o peso. Esse método é comumente aplicado apenas em galáxias localizadas muito mais perto da Terra.

Lente gravitacional

A equipe utilizou uma lente gravitacional natural para rastrear a órbita das estrelas. Uma galáxia posicionada entre a Terra e a MRG-M0138 funcionou como uma lente de aumento espacial.

A gravidade desse corpo intermediário distorceu e ampliou a imagem de fundo em 30 vezes. O efeito permitiu rastrear a velocidade e a trajetória das estrelas ao redor do buraco negro.

Em entrevista à Live Science, o cientista Andrew Newman, da Carnegie Science, comparou as galáxias a brasas. Segundo o pesquisador, o estudo desses resquícios ajuda a descobrir o que apagou o fogo estelar.

Censo do universo antigo

Segundo declaração de Richard Ellis, astrofísico da University College London, a técnica viabiliza um censo inédito. O método ajuda a inferir o papel dos buracos negros na evolução das galáxias.

O James Webb é projetado para observar detalhadamente pequenas frações do céu. Para ampliar o censo, os cientistas dependem de dados do telescópio espacial de ângulo amplo Euclid.

O grupo também aguarda o lançamento do telescópio Nancy Grace Roman para mapear grandes áreas espaciais. Imagens infravermelhas sensíveis são fundamentais para localizar novos objetos raros e adormecidos.

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