A companhia americana Motorola Solutions anunciou a compra da empresa israelense D-Fend Solutions por US$ 1,5 bilhão (aproximadamente R$ 8 bilhões). O negócio, divulgado nesta semana, garante à compradora o controle do EnforceAir, sistema projetado para rastrear, interceptar e assumir o comando de drones em pleno voo.
A expectativa da Motorola Solutions é concluir os trâmites da aquisição no último trimestre de 2026. Impulsionada pelo aumento global no uso dessas aeronaves, a D-Fend Solutions registrou um crescimento superior a 50% em sua receita anual nos últimos três anos. E projeta um faturamento de US$ 185 milhões (R$ 943 milhões) para o ano corrente.
Sistema EnforceAir assume o controle de drones sem derrubá-los
O principal produto da companhia adquirida baseia-se no uso de ondas de rádio para detectar, isolar e remover modelos não autorizados do espaço aéreo. De acordo com as especificações da desenvolvedora, a solução consegue localizar os dispositivos a longas distâncias e diferenciá-los de outros objetos voadores, o que elimina a ocorrência de alertas falsos. O monitoramento também faz a leitura imediata do prefixo, da marca e do modelo da aeronave para checar se ela possui autorização de voo.
Ao constatar que o equipamento representa uma ameaça real, o sistema desconecta o controle remoto do piloto original. A partir desse momento, a tecnologia assume o comando da inteligência do drone e o guia de volta ao ponto de decolagem ou a outro local considerado seguro para o pouso.
“As ameaças representadas por drones não são apenas identificadas, suas comunicações são neutralizadas e redirecionadas, trazendo-os ao solo com segurança e mantendo pessoas e comunidades protegidas”, disse o CEO da Motorola Solutions, Greg Brown, em comunicado.
(Vale explicar: apesar do nome, a Motorola Solutions não tem relação com a Motorola Mobility, que fabrica celulares.)
A urgência por esse tipo de contraofensiva cresceu no cenário internacional após incidentes. Entre eles, estão fechamentos de aeroportos na Europa e ataques direcionados a infraestruturas como data centers durante os conflitos armados dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Além disso, a aprovação do Safer Skies Act nos Estados Unidos em 2025 (lei que concede a policiais estaduais e locais credenciados o direito de interceptar e pousar drones ilegais) criou uma oportunidade comercial para ferramentas de captura no setor.
Atualmente, o mecanismo tecnológico já é utilizado por mais de 30 países, incluindo nações que integram a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), com foco em proteger aeroportos, estádios, presídios, zonas militares e prédios governamentais.
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