CNJ endurece regras para influenciadores mirins nas redes sociais

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) anunciou novas medidas para reforçar a proteção de crianças e adolescentes que atuam como influenciadores digitais. As plataformas serão notificadas sobre a exigência de autorização específica para conteúdos monetizados.

Segundo o G1, as notificações começam na próxima terça-feira (16) e fazem parte de uma proposta que busca evitar a exploração comercial de menores nas redes sociais. Na prática, a ideia é reforçar o controle sobre atividades que envolvem lucro e grande exposição de crianças e adolescentes na internet.

Proposta busca evitar exploração comercial de crianças e adolescentes em atividades de alta exposição online. Imagem: Chay_Tee / Shutterstock

O que muda na prática

A proposta apresentada pelo conselheiro Fábio Esteves prevê que conteúdos com participação de menores, quando houver monetização ou impulsionamento, passem a depender de um aval judicial específico.

Segundo o Conselho Nacional de Justiça, o objetivo é simples: evitar que interesses comerciais se sobreponham aos direitos de crianças e adolescentes, especialmente em atividades com alta exposição pública.

Entre as principais diretrizes discutidas estão:

Autorização judicial para atividades remuneradas nas redes

Avaliação do nível de exposição da criança ou adolescente

Proteção da renda obtida com conteúdo digital

Definição de limites de horário e frequência das atividades

Garantia de continuidade escolar e bem-estar

Conteúdos com monetização ou impulsionamento por menores poderão exigir aval judicial específico. Imagem: Xavier Lorenzo/Shutterstock – Imagem: Xavier Lorenzo/Shutterstock

Proteção financeira e regras mais rígidas

Um dos pontos mais sensíveis da proposta é a proteção dos ganhos obtidos por influenciadores mirins. O texto prevê que juízes possam criar mecanismos para evitar o uso inadequado desses recursos.

Isso pode incluir contas ou aplicações em nome do menor e regras específicas para o uso do dinheiro. A intenção é garantir que os valores sejam preservados até a maioridade ou utilizados apenas em condições seguras e supervisionadas.

Outro ponto importante é o fortalecimento do controle judicial. Os alvarás poderão ser adaptados caso a caso, levando em conta idade, nível de exposição e tipo de atividade exercida.

Entre as possíveis salvaguardas estão:

Limitação de horários, frequência e duração das gravações

Proteção da saúde física e emocional

Garantia de frequência escolar

Restrições sobre conteúdos publicados

Proteção da privacidade, imagem, voz e dados pessoais

Regras para uso e proteção dos rendimentos

ECA Digital e novas regras para a internet

As mudanças estão alinhadas ao ECA Digital, que entrou em vigor em março e trouxe novas exigências para a atuação de menores na internet.

A legislação também aumenta a responsabilidade das plataformas digitais na proteção de crianças e adolescentes, especialmente na prevenção de conteúdos abusivos e situações de risco.

Juízes poderão definir limites de horários, frequência e até regras para uso da imagem de influenciadores mirins. Imagem: undefined undefined/iStock – Imagem: undefined undefined/iStock

Fiscalização e controle dos alvarás

Os alvarás terão validade de até 12 meses para crianças e 18 meses para adolescentes, podendo ser revistos a qualquer momento pela Justiça.

A proposta também cria um banco nacional de autorizações, permitindo que órgãos como o Ministério Público acompanhem a atuação de menores nas redes sociais com mais facilidade.

A medida tem o objetivo de resguardar a dignidade de crianças e adolescentes, protegendo-as de serem vítimas de trabalho infantil digital exploratório.

Conselheiro Fábio Esteves, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ao G1.

Com as novas diretrizes, o CNJ tenta equilibrar a liberdade de atuação digital de jovens criadores com a necessidade de proteção jurídica e financeira. A proposta ainda será analisada e pode passar por ajustes antes de entrar em vigor.

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