Elon Musk revela visão da SpaceX para o futuro

Na terça-feira (9), a SpaceX publicou no X uma entrevista com o CEO da empresa, Elon Musk, e o diretor de engenharia de satélites Ian Dahl. A conversa, mediada pelo gerente de comunicações Dan Huot, abordou a estratégia da companhia para expandir suas operações no espaço, integrando foguetes reutilizáveis, inteligência artificial (IA) e uma nova infraestrutura industrial em larga escala.

O debate começou tratando de um conceito central: a escala de Kardashev, usada para medir o nível de desenvolvimento de uma civilização com base na energia que ela consegue utilizar. Musk explicou que essa métrica vai do Tipo 1, que aproveita a energia de um planeta, ao Tipo 2, que explora a energia de uma estrela, e ao Tipo 3, que alcança escalas galácticas.

Entrevista conduzida pelo gerente de comunicações da SpaceX, Dan Huot, com o CEO da empresa, Elon Musk, e o diretor de engenharia de satélites Ian Dahl, publicada no X. – Crédito: SpaceX

Segundo o empresário, a humanidade ainda está longe desses patamares. “Atualmente, estamos muito baixos na escala Kardashev Tipo 1”, afirmou Musk. Ele destacou que o uso de energia solar pela Terra é extremamente limitado em relação ao potencial do Sol, uma fonte quase inesgotável de energia.

Musk também reforçou a diferença entre o que a humanidade consome e o que está disponível no Sistema Solar. “O Sol representa cerca de 99,86% de toda a massa do Sistema Solar”, disse ele, ao ilustrar a desproporção entre o potencial energético estelar e a capacidade atual da civilização humana.

Outro ponto central foi a limitação da Terra como plataforma energética. Musk afirmou que a maior parte da superfície do planeta é coberta por água ou regiões pouco habitáveis. “Tecnicamente, nosso planeta deveria ser chamado de ‘Água’”, comentou, ao argumentar que a expansão para o espaço seria inevitável para aumentar o uso de energia solar em larga escala.

Para alcançar esse objetivo, Dahl destacou a necessidade de uma infraestrutura espacial robusta. Ele afirmou que será preciso lançar grandes volumes de massa em órbita, além de construir sistemas de geração de energia e processamento computacional no espaço. “Você precisa de órbita de massa, muito poder solar e muitos chips”.

Na entrevista publicada pela SpaceX, Elon Musk traça um cenário em que IA e foguetes reutilizáveis sustentam uma indústria espacial em larga escala. – Crédito: SpaceX

“A Starship vai revolucionar o espaço”

Nesse contexto, a Starship aparece como peça central da estratégia da empresa. Musk explicou que o veículo será o primeiro foguete totalmente reutilizável e capaz de reduzir drasticamente o custo de acesso ao espaço. “A Starship vai revolucionar o espaço”, afirmou. Segundo ele, sem reusabilidade, não seria possível expandir a presença humana para a Lua, Marte e além.

O empresário também projetou um aumento exponencial na capacidade de lançamento da SpaceX. Hoje responsável por cerca de 90% da massa enviada à órbita pela Terra, a empresa pretende elevar esse número de milhares para milhões de toneladas por ano. Musk afirmou que a meta é chegar a “1 milhão de toneladas por ano em aproximadamente 3 anos”.

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— Elon Musk (@elonmusk) June 9, 2026

A entrevista também detalhou o desenvolvimento de satélites de IA. Dahl explicou que esses sistemas serão mais simples que os atuais satélites de comunicação, como os da Starlink, e funcionarão como centros de dados orbitais. Eles combinarão painéis solares, radiadores e chips de processamento, operando diretamente no espaço.

Musk complementou informando que o primeiro modelo de referência, chamado AI-1, terá cerca de 150 kW de potência. “É aproximadamente o que um rack NVIDIA GB300 faz”, disse, ao comparar a capacidade de computação do sistema espacial com a de equipamentos terrestres avançados.

Instalação da SpaceX pode produzir um bilhão de chips por ano

Outro ponto destacado foi a baixa latência da operação orbital. Segundo Musk, satélites em órbita baixa, a cerca de 600 a 800 km da Terra, permitiriam atrasos de apenas três milissegundos na transmissão de dados. Isso tornaria viável uma rede global de computação distribuída no espaço.

A infraestrutura necessária para sustentar esse sistema também foi tema da conversa. Dahl afirmou que a empresa está construindo novas fábricas para produção de satélites e painéis solares. Segundo ele, a unidade em Bastrop, no Texas, será um dos principais polos dessa operação industrial.

Musk complementou dizendo que o local deverá se tornar um hub estratégico. Ele também destacou a criação da chamada “TeraFab”, uma instalação de cerca de 100 milhões de pés quadrados (cerca de 9,29 km quadrados) destinada à produção em massa de chips. “Estamos falando de um bilhão de chips por ano”.

Em entrevista, Elon Musk destacou a criação da “TeraFab”, instalação de quase 10 km quadrados, para produção de cerca de um bilhão de chips anuais. – Crédito: SpaceX

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O plano de expansão segue metas agressivas. Musk descreveu uma escalada de capacidade que começa em 1 gigawatt anual e pode chegar a 1.000 gigawatts no futuro. Esse volume, segundo ele, equivaleria ao dobro do consumo atual de eletricidade dos Estados Unidos.

Por fim, o CEO da SpaceX afirmou que o próximo passo após a Terra seria a exploração industrial da Lua. A ideia seria utilizar recursos lunares para fabricar painéis solares e radiadores, reduzindo a dependência da Terra. “A única maneira que vemos é na Lua”, disse Musk, ao projetar o uso de sistemas eletromagnéticos para lançar estruturas ao espaço profundo.

A entrevista reforça a visão da SpaceX de transformar o acesso ao espaço em algo rotineiro e em escala industrial. Para Musk e sua equipe, o futuro da civilização depende diretamente da capacidade de expandir a produção de energia e computação para além da Terra.

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