Chega o mês de junho e as fogueiras tomam conta de diferentes estados brasileiros. São as festas juninas, extremamente populares no Nordeste, onde costumam acontecer as maiores celebrações do país – mas em todos os cantos do mapa há alguma versão local da noite de São João.
Celebradas em torno da data que a Igreja Católica consagrou como o dia de nascimento de São João Batista, o 24 de junho, as festas se expandiram tanto por aqui que, dependendo do local, acontecem ao longo do mês inteiro – e também antes e depois. Até a expressão “festa julina”, para aquelas que acontecem em julho, já entrou no léxico do brasileiro.
Mas você sabe de onde surgiu essa tradição? E como ela chegou até nós? Conheça um pouco mais da história da festa de São João.
Origens pagãs
Como costuma acontecer com muitas celebrações incorporadas ao calendário cristão, em algum momento dos últimos dois milênios a Igreja Católica acabou se apropriando de tradições que já existiam na Europa muito antes da religião monoteísta se consolidar por lá. Se você prestar atenção no calendário, já dá para imaginar: a data de São João coincide quase exatamente com o solstício de verão no hemisfério norte.
De fato, no antigo calendário romano, 24 de junho era o próprio dia do evento astronômico que marca o início da estação mais quente. A escolha para ser o dia de nascimento de São João, porém, não é totalmente arbitrária: ela se baseia no Evangelho de Lucas, que indica que Jesus só nasceria seis meses depois de João. Como o 25 de dezembro se convencionou como o dia de Natal (também uma data que assumia outras festividades pagãs já existentes), o recuo de seis meses no calendário consolidou a data festa junina.
Pela Europa, diferentes tradições herdadas de períodos anteriores ao cristianismo já tinham celebrações nessa parte do ano. As mais notórias eram aquelas associadas ao que nos países nórdicos é conhecido como Midsommar – uma festa que, entre outras coisas, é caracterizada justamente pelo acendimento de grandes fogueiras, como nas nossas noites de São João.
Desembarque no Brasil
Quando a celebração foi trazida para o Brasil, porém, as tradições pré-cristãs já eram um passado remoto. Por aqui, a festa sempre foi profundamente marcada pelas tradições católicas, passando por transformações regionais através de interações com culturas indígenas ou dos africanos escravizados. A associação com a cultura caipira e comidas típicas do interior do Brasil também são traços desses intercâmbios.
A celebração de São João desembarcou por aqui já no começo da colonização, no século 16, trazida por jesuítas. Pouco a pouco, ganhou o coração dos brasileiros como uma oportunidade não só de celebrar os santos de junho (além de João Batista, não tardou para a festa passar a incorporar também Santo Antônio, comemorado no dia 13, e São Pedro, no dia 29), mas também outras alegrias do período – como a colheita ou as chuvas recentes, como acontecia no Nordeste, onde a festa se tornou um fenômeno popular.






