Muito antes dos foguetes e da corrida espacial, o escritor francês Júlio Verne já imaginava uma viagem tripulada à Lua. Publicado em 1865, o romance “Da Terra à Lua” e sua continuação, “Ao Redor da Lua“, apresentam elementos que lembram muito a missão Artemis 2, realizada pela NASA em 2026. As semelhanças vão desde o local de lançamento até a trajetória ao redor da Lua e o retorno ao oceano Pacífico.
Para quem tem pressa:
Mais de 150 anos antes da Artemis 2, Júlio Verne já imaginava uma missão tripulada à Lua com lançamento a partir da Flórida, viagem ao redor do satélite e retorno à Terra;
Os romances “Da Terra à Lua” e “Ao Redor da Lua” apresentam semelhanças com a missão da NASA, incluindo a observação da Lua durante o trajeto e a realização de correções de trajetória;
Embora algumas previsões não tenham se concretizado, como o lançamento por um gigantesco canhão, as obras demonstram um amplo conhecimento científico.
As “coincidências” são fundamentadas
Considerado um dos pais da ficção científica, Júlio Verne construiu sua obra a partir da combinação entre imaginação e conhecimento científico. Conhecido por realizar grandes pesquisas antes de escrever seus romances, o escritor buscava compreender a ciência de sua época e adicioná-la em suas narrativas. Por isso, muitas das escolhas presentes em “Da Terra à Lua” e “Ao Redor da Lua” não foram feitas de forma aleatória.
O primeiro exemplo é o local de lançamento da missão. Verne escolheu a Flórida como ponto de lançamento para a viagem à Lua de seus personagens; essa escolha se deu pelo reconhecimento das vantagens que regiões próximas à linha do Equador oferecem para esse tipo de lançamento. Atualmente, o estado norte-americano abriga o Centro Espacial Kennedy da NASA e é a principal base de lançamento das missões espaciais dos Estados Unidos, incluindo o programa Artemis.
As semelhanças também aparecem na missão imaginada pelo autor. Em vez de pousar na Lua, a nave que carrega os personagens Barbicane, Nicholl e Ardan realiza uma viagem ao redor do satélite natural antes de retornar à Terra. A Artemis 2 seguiu uma proposta semelhante, levando astronautas em uma missão de sobrevoo e observação lunar.
Leia mais:
NASA continua pesquisa científica da missão Artemis 2 na Terra
Como cientistas japoneses enviaram um “transformer” da vida real para a Lua?
NASA revela os quatro astronautas da missão Artemis 3
Observações lunares semelhantes
Os romances de Verne também descrevem os tripulantes observando a Lua durante a viagem e anotando suas observações. Mesmo sem poder capturar imagens do satélite natural, como feito pela Artemis 2, a ideia de estudar e documentar o ambiente lunar mostrava um caminho a ser seguido mais de 100 anos depois.
Ao longo da narrativa, os viajantes ainda precisam realizar ajustes para manter o caminho planejado. Atualmente, essas correções de trajetória são parte fundamental de qualquer missão espacial.
O local de pouso também aparece como uma semelhança à missão Artemis 2. Júlio Verne descreve a cápsula de seu romance pousando no Oceano Pacífico, assim como também aconteceu com a espaçonave da mais recente viagem à Lua.
Nem todas as previsões, porém, se mostraram corretas. Verne imaginou que a nave seria lançada por um gigantesco canhão chamado “Columbiad“, solução que seria inviável para transportar seres humanos. Ainda assim, o nível de conhecimento científico presente nas obras impressiona por ter sido desenvolvido décadas antes do surgimento de quaisquer foguetes e da própria corrida espacial.
Esses paralelos ajudam a explicar por que as obras de Verne continuam sendo frequentemente citadas quando se discute a história da exploração espacial. Mais do que “prever” tecnologias, o autor demonstrou uma capacidade de aplicar princípios científicos para imaginar cenários que, em muitos aspectos, se aproximariam das futuras missões à Lua.
O post Júlio Verne e a Artemis 2: mais de 160 anos antes da missão, o escritor “previa” viagem à Lua apareceu primeiro em Olhar Digital.






