Para demonstrar as novas capacidades da Alexa – agora batizada de Alexa+ – os executivos da Amazon escolheram um protótipo de casa no bairro do Morumbi, em São Paulo. A ideia foi mostrar como a assistente digital vai ser capaz de se integrar ainda mais ao dia-a-dia das famílias – uma experiência que os consumidores norte-americanos começaram a experimentar desde fevereiro deste ano. Considerando que o intervalo entre a criação da Alexa em 2014 (nos EUA) e sua chegada ao Brasil foi de 5 anos (ela só chegou por aqui em 2019), a diferença de apenas 4 meses talvez seja o que primeiro chama a atenção. E essa diminuição de prazo – como tudo que tem a ver com a Alexa+ – tem a ver com inteligência artificial.
A nova versão da assistente é, na verdade, uma interface que se apoia em diferentes modelos de IA. Dentro do ecossistema da Amazon, as inteligências artificiais também podem ser tratadas dentro de um conceito de marketplace. Esse marketplace de IAs se chama Bedrock. Isso quer dizer que a Alexa, agora, pode usar diferentes inteligências artificiais que estejam disponíveis no Bedrock. E elas são muitas. Vão desde LLM própria da Amazon, chamada de Nova, a modelos mais conhecidos do público, como o Claude, da Anthropic. Ou seja, a Alexa quer ser agnóstica e usar a IA que mais convier à tarefa que ela precisar resolver.
Quando chega? Quanto custa?
A Amazon optou por fazer um “soft launch” da Alexa+. A partir de hoje, quinta-feira, 18, alguns milhares de clientes Prime começam a receber convites para experimentar a nova versão da assistente. Esse número será aumentado progressivamente, provavelmente até outubro deste ano, quando a Alexa+ deve ser disponibilizada para todos. Mas, não há uma data cravada para isso acontecer. Quem comprar um aparelho compatível com Alexa a partir de hoje, também terá a possibilidade de experimentar. Ou você pode solicitar o upgrade em www.amazon.com.br.
A boa notícia para quem já é assinante Amazon Prime é que a Alexa+ não vai custar nada a mais: o upgrade será incorporado à mensalidade já paga. Claramente, a Amazon quer usar esse upgrade para atrair ainda mais assinantes Prime. Tanto é que, se alguém quiser usar a Alexa+ e não for assinante Prime, vai ter que desembolsar R$ 99,90 por mês…
As novas funções
Indo ao que interessa: afinal o que a Alexa+ faz de diferente?
Conversação mais natural
Memória de suas preferências
Capacidade de visão inteligente
Capacidade de articular diferentes tarefas com comandos simples, em linguagem comum
Integração com diferentes serviços online – alguns fora do universo da Amazon, como a Uber
Executivo da Amazon, demostra integração entre Alexa+ e Fire TV, durante apresentação do upgrade da assistente digital
Conversação mais natural
De acordo com os executivos da Amazon, este é um dos pontos em que houve grande esforço do time de desenvolvimento: fazer a Alexa conversar mais naturalmente no nosso português, tornando-a capaz de reconhecer diferentes sotaques, diferentes gírias, diferentes maneirismos brasileiros. Durante a apresentação, chamou a atenção quando a Alexa conseguiu entender quando foi dito – por um mineiro, claro – “um trem“, que ele estava se referindo a um filme e não a um trem de fato. Ou seja, a capacidade de compreensão da Alexa+ realmente deu um salto, quando comparamos com as limitações da Alexa mais anêmica atual – que muitas vezes só entende frases padronizadas.
A pronúncia também evoluiu – ainda que haja trabalho a ser feito. Nota-se que houve uma grande preocupação em introduzir “cacos” na fala da Alexa, para tornar o discurso mais natural. Assim, ficaram comuns as frases em que a assistente começa respondendo com um “olha”e outros vocativos e interjeições tipicamente brasileiras. Porém, ela ainda tropeça em algumas armadilhas conhecidas da nossa fonética, com o nosso “lh”. Ao pronunciar a palavra “colher”, por exemplo, o som ficou mais próximo de “colér”.
Memórias de suas preferências
Boa parte da evolução da Alexa+ está na capacidade da assistente de entender com quem está falando e em que contexto. Para isso, ela cria um verdadeiro banco de dados pessoal em que vão sendo depositadas informações sobre o usuário. Esse banco de dados é acessível e pode ser, inclusive, editado manualmente. Rodando na nuvem, ele é compartilhado por qualquer aparelho compatível com Alexa em que você esteja logado. Ou seja, você pode ter sua Alexa ainda mais pessoal em qualquer lugar, a partir do seu login. O que é muito bacana, mas também reforça a importância de manter sua conta segura.
Cada conta Amazon pode conter até 10 perfis diferentes. Assim, cada membro da família passa a poder interagir com a assistente de uma maneira particular. Por exemplo: se você pedir para a Alexa registrar um compromisso na sua agenda, ela vai entender que se trata da sua agenda e não da sua esposa ou do seu filho; esse reconhecimento é feito por voz.
Visão inteligente
Uma novidade bastante interessante é a capacidade de reconhecimento de objetos e de pessoas. Evidentemente, estamos falando, nesse caso, de aparelhos da Amazon equipados com câmeras. Nesses aparelhos, a Alexa+ é capaz de reconhecer, por exemplo, um pote de óleo de coco – esse foi o objeto demonstrado. Bastou que o pote fosse colocado em frente à câmera para que a assistente reconhecesse do que se tratava – e inclusive fosse capaz de identificar a marca. A partir daí, fica fácil fazer uma compra de um igual (na Amazon, obviamente). As pessoas também são reconhecidas rapidamente – o que torna possível, por exemplo, deixar recados para membros da família. Coisa do tipo: “Alexa, quando você vir Fulano, avise que saí”. Indo além, você pode mostrar, por exemplo, uma receita culinária anotada num papel a mão, e a assistente é capaz de entender a escrita e guardar a receita junto ao seu perfil. Não testei com meus garranchos quase de médico, para ver se ela realmente é capaz de decifrar algo que às vezes nem eu entendo, mas, na teoria e com letras razoáveis, deve funcionar.
Tudo é memória
Como estamos falando de uma assistente digital que, na verdade, é uma interface de inteligência artificial generativa, a maior parte do trabalho está mesmo em recolher dados e relacioná-los. Assim, quanto mais a Alexa+ souber de você, teoricamente mais eficiente ela se tornará porque será capaz de conectar seu mundo particular com o universo da internet. Isso fica claro na demonstração em que um dos gerentes da Amazon (que é do Paraná) pediu à assistente para organizar um roteiro de 3 dias em Curitiba, numa hipotética viagem com amigos e com suas filhas. Como a Alexa já tinha as informações de que ele tinha família por lá, bastou ele mencionar que as meninas estavam com saudades dos avós para a assistente sugerir que ele talvez estivesse pensando em dar um pulo à capital paranaense. Quando ele mencionou que queria levar alguns amigos para conhecer a cidade e pediu pelo roteiro, ficou “fácil” para a IA montar uma sugestão.
Integração com outros serviços
Outro ponto interessante que chega com a Alexa+ é a integração com outros serviços. Já foram anunciadas parcerias com alguns provedores, mas a que mais chamou a atenção foi com a Uber. A partir dela, os usuários vão poder pedir para Alexa solicitar corridas no aplicativo. Na demonstração, foi suficiente dizer à assistente quais eram os pontos de partida e de chegada e dizer que precisava de um Uber, para que ela oferecesse as diferentes opções de carro e efetivamente chamasse o veículo.
Não precisa mais repetir Alexa!
Uma das melhores novidades é que, com a capacidade conversacional expandida, agora você não vai mais precisar ficar repetindo Alexa a cada nova interação com a assistente: a experiência é mais fluida, e a assistente não mais precisa que você fique repetindo o nome dela o tempo todo – ainda que ele seja uma boa homenagem à magnífica biblioteca de Alexandria.
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