A União Europeia (UE) quer transformar o Brasil em parceiro estratégico na disputa global por terras-raras, afirma a Reuters. A proposta envolve cooperação econômica, tecnológica e industrial entre as regiões, com foco em abastecimento e desenvolvimento.
Por trás desse movimento está uma combinação de interesses: garantir acesso a matérias-primas essenciais e, ao mesmo tempo, fortalecer a cadeia produtiva brasileira em um nível mais avançado.
Brasil entra no centro da disputa global
A movimentação entre União Europeia e o Brasil ocorre em meio à disputa global por minerais críticos, usados em setores estratégicos como energia, tecnologia e defesa.
E esse interesse não surgiu agora, mas ganhou força recente. Durante visita a Minas Gerais, o comissário europeu para Parcerias Internacionais, Jozef Sikela, afirmou que o Brasil é visto como um dos principais parceiros estratégicos da UE na América Latina — uma avaliação que ajuda a explicar o avanço das negociações.
O país também se destaca por concentrar grandes reservas de terras raras, essenciais para cadeias industriais de alto valor.
Minas Gerais assume papel central nas negociações
Um dos pontos mais sensíveis dessa aproximação envolve o projeto da Viridis Mining & Minerals, em Poços de Caldas (MG), incluído entre as iniciativas prioritárias da parceria.
Na prática, a proposta europeia vai além da compra de minerais. Ela também prevê processamento local e transferência de tecnologia, o que eleva o nível da cooperação e muda o modelo tradicional de exportação.
Isso reduz a dependência de exportação de matéria-prima bruta e aumenta o valor agregado dentro do Brasil — um ponto que, na visão europeia, também fortalece o desenvolvimento local.
Entre os principais objetivos da parceria estão:
ampliar o refino de terras raras no Brasil
gerar empregos mais qualificados na cadeia mineral
transferir tecnologia industrial para o país
fortalecer uma cadeia de suprimentos mais sustentável
Europa tenta reduzir dependências estratégicas
Do lado europeu, essa movimentação faz parte de uma estratégia mais ampla para reduzir dependências em cadeias críticas. O plano envolve diversificar fornecedores e evitar concentração da produção em poucos países — um ponto que ganhou urgência após recentes choques globais.
Segundo Sikela, a proposta da UE não se limita à segurança de abastecimento. Ela também incorpora sustentabilidade e desenvolvimento econômico nos países parceiros.
Nesse cenário, o Brasil ganha relevância por já possuir reservas importantes de minerais como terras raras, níquel e lítio.
Negociações avançam e ampliam expectativas
A Viridis já assinou uma carta de intenções com a empresa química belga Solvay, o que pode abrir caminho para uma parceria mais ampla no processamento de materiais estratégicos.
Segundo o CEO Rafael Moreno, as negociações com compradores europeus e americanos estão em estágio avançado e podem evoluir para acordos mais amplos nos próximos meses.
Com a disputa global por minerais críticos em expansão, o Brasil passa a ocupar um papel cada vez mais estratégico nas negociações internacionais. A parceria com a União Europeia pode influenciar diretamente o posicionamento do país na cadeia global de tecnologia e energia nos próximos anos.
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