Há cerca de 540 milhões de anos, um dos principais capítulos da história da vida na Terra teve seu clímax: a Explosão Cambriana. Esse fenômeno ocorreu como uma rápida diversificação dos animais e com o surgimento de muitos dos principais grupos que existem até hoje, segundo informações do portal ScienceAlert.
No entanto, uma linhagem específica permanecia fora dessa história: os briozoários, pequenos invertebrados coloniais conhecidos como “animais-musgo”. Agora, pesquisadores liderados pela Universidade do Noroeste, na China, encontraram fósseis extraordinariamente preservados que indicam que esses organismos também faziam parte da explosão cambriana.
A descoberta ajuda a resolver uma lacuna de aproximadamente 500 milhões de anos no registro fóssil e pode alterar o entendimento sobre a origem evolutiva desse grupo.
Para quem tem pressa:
Fósseis encontrados na China mostram que os briozoários já existiam há mais de 500 milhões de anos;
Os exemplares preservaram tecidos moles raros, permitindo identificar com precisão esses organismos;
A descoberta inclui uma nova espécie e confirma que o grupo participou da explosão cambriana;
As características observadas sugerem que a linhagem dos briozoários surgiu antes desse grande evento evolutivo;
O achado preenche uma lacuna de cerca de 500 milhões de anos no registro fóssil dos animais.
Fósseis preservaram até tecidos moles
Os cientistas analisaram 38 fósseis encontrados na Formação Xiannüdong, na província chinesa de Shaanxi. O que torna o material tão importante não é apenas a idade superior a 500 milhões de anos, mas também o estado de conservação. Além das estruturas esqueléticas em forma de colmeia, os fósseis preservaram tecidos moles internos, algo extremamente raro em organismos tão antigos.
Graças a técnicas de imagem microscópica, os pesquisadores identificaram duas espécies. Uma delas já era conhecida, chamada Protomelission gatehousei. A outra foi descrita pela primeira vez e recebeu o nome de Dayingomelission hexaclitia.
A preservação permitiu observar fibras musculares, bolsas membranosas e indivíduos que compunham as colônias. Essas características confirmaram definitivamente que os organismos pertenciam ao grupo dos briozoários. Até então, alguns especialistas discutiam se P. gatehousei poderia ser uma espécie de alga.
Grupo pode ter surgido antes da explosão cambriana
A análise revelou outro detalhe importante. As duas espécies parecem pertencer aos estenolaemados, uma das três principais classes de briozoários existentes atualmente. Segundo os autores, isso sugere que esses organismos já apresentavam características relativamente avançadas para a época.
Esse resultado indica que a linhagem dos briozoários provavelmente surgiu antes mesmo da explosão cambriana. Em vez de representar formas primitivas do grupo, os fósseis mostram colônias complexas e organizadas, sinal de que um longo processo evolutivo já havia ocorrido anteriormente.
Os pesquisadores destacam que a combinação entre arquitetura esquelética e anatomia interna fornece uma evidência robusta de que os briozoários já estavam diversificando durante a grande radiação evolutiva cambriana.
Descoberta fecha uma lacuna histórica
Os briozoários vivem em colônias compostas por indivíduos microscópicos e geralmente habitam águas quentes e tropicais. Atualmente, são conhecidas cerca de 6 mil espécies vivas. Apesar dessa diversidade moderna, a ausência de representantes cambrianos sempre foi considerada uma anomalia na paleontologia.
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Com a nova descoberta, esse vazio no registro fóssil finalmente começa a ser preenchido. Os cientistas agora pretendem procurar fósseis semelhantes em outras regiões do mundo para compreender melhor como esses organismos surgiram e se espalharam durante os primeiros capítulos da evolução animal na Terra.
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