As mudanças implementadas pelo Ministério dos Transportes para a emissão da primeira CNH provocaram um aumento expressivo na quantidade de exames de direção realizados no país nos primeiros meses de 2026. Dados divulgados pela pasta nesta quarta-feira (24) apontam crescimento tanto na procura pelas avaliações quanto na emissão de novos documentos.
Entre janeiro e maio deste ano, mais de 2,2 milhões de testes práticos foram aplicados em todo o território nacional. Paralelamente, o número de CNHs expedidas alcançou o maior patamar já registrado para o período, refletindo os efeitos das novas diretrizes adotadas para o processo de habilitação.
As alterações também impactaram o custo enfrentado pelos candidatos e redefiniram a estrutura da prova prática, que passou a operar sob regras unificadas em todo o país.
Novas regras ampliam procura pela habilitação
Informações do Ministério dos Transportes mostram que 2.280.021 exames de direção foram realizados nos cinco primeiros meses de 2026. O volume representa avanço de 23,5% em comparação ao mesmo intervalo do ano anterior, quando foram contabilizadas 1.845.694 avaliações.
Conforme os dados oficiais, o aumento na demanda não resultou em crescimento das filas na etapa final do processo de habilitação. O levantamento também registra 2.343.393 cursos práticos realizados no período, número cerca de 20% superior ao observado nos primeiros cinco meses de 2025.
Ainda segundo a pasta, 1.138.190 motoristas receberam a primeira habilitação sob as regras atuais. O resultado representa o maior quantitativo já alcançado para esse intervalo de tempo desde o início da série acompanhada pelo ministério.
Redução de custos está entre os principais efeitos
Uma das principais alterações promovidas no processo foi a retirada da obrigatoriedade do curso teórico em autoescolas. A medida, de acordo com o Ministério dos Transportes, gerou uma economia superior a R$ 1,84 bilhão aos candidatos em todo o país.
Em estados como Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o gasto com essa etapa podia alcançar aproximadamente R$ 1 mil por pessoa. Os dados divulgados pelo governo federal indicam ainda que os custos totais das aulas teóricas e práticas variavam entre R$ 3 mil e R$ 5 mil.
Consoante o levantamento oficial, mais da metade da economia registrada nacionalmente está concentrada em seis unidades da federação, considerando os 26 estados brasileiros e o Distrito Federal.
Exame prático passa a seguir critérios padronizados
As mudanças também alcançaram a avaliação de direção. A publicação do Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular estabeleceu parâmetros únicos para aplicação das provas em todo o país.
Entre as alterações está a retirada da baliza da condição de etapa obrigatória do exame. Além disso, os critérios de aprovação e reprovação foram reformulados por meio da adoção de um sistema de pontuação.
Pelas novas regras, as infrações cometidas durante a prova recebem pesos distintos. As faltas leves correspondem a um ponto, as médias a dois, as graves a quatro e as gravíssimas a seis pontos.
O candidato permanece apto à aprovação desde que a soma das penalizações não ultrapasse 10 pontos. Ao atingir esse limite, a reprovação ocorre automaticamente.
Outra mudança foi o fim da infração única que determinava a eliminação imediata. Com o novo modelo, o participante pode concluir a avaliação mesmo após cometer uma falta que anteriormente encerraria o exame de forma instantânea.
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