Um estudo conduzido pelo pesquisador Markus Drexl e sua equipe do Centro Alemão de Tontura e Distúrbios do Equilíbrio analisou relatos do chamado “Hum” global e propôs que parte desses casos pode estar relacionada a uma forma de zumbido de baixa frequência (nesse caso, um tinnitus).
A investigação foi publicada recentemente na revista PLOS One e buscou compreender por que algumas pessoas percebem um som persistente sem fonte externa identificável.
O fenômeno, conhecido há décadas, ganhou destaque na década de 1970 após relatos na cidade de Bristol, no Reino Unido, onde moradores descreviam um ruído contínuo de baixa frequência.
Desde então, descrições semelhantes surgiram em diferentes regiões do mundo, incluindo países como Austrália, Nova Zelândia e áreas da América do Norte, sempre com a característica de não ser ouvido por todas as pessoas no mesmo ambiente.
Para investigar a origem dessas percepções, cientistas recrutaram 28 voluntários que afirmavam ouvir o som. A análise incluiu testes auditivos em baixas frequências e medições de emissões naturais do ouvido interno.
Os resultados não apontaram sensibilidade auditiva acima da média nem sinais anormais nas emissões, reforçando a hipótese de que parte dos casos pode estar ligada a processos internos do sistema auditivo.
Investigação científica e hipóteses sobre o fenômeno
A pesquisa avaliou duas explicações principais frequentemente associadas ao zumbido “Hum”: a possibilidade de uma audição excepcionalmente sensível a sons graves e a hipótese de que o próprio ouvido produza sinais internos percebidos como som. Ambas as linhas de investigação foram testadas nos voluntários.
Nos exames de audição, apenas dois participantes apresentaram variações fora do padrão esperado, enquanto a maioria manteve desempenho considerado comum para a percepção de baixas frequências.
Já as medições de emissões otoacústicas, sons naturais gerados pelo funcionamento do ouvido interno, não indicaram diferenças relevantes entre os participantes e o esperado para pessoas sem queixas auditivas.
Com base nesses resultados, os pesquisadores sugerem que parte dos relatos pode ser explicada por um tinnitus de baixa frequência (a percepção de um som sem que haja uma fonte sonora externa por trás de sua emissão), condição já conhecida na medicina auditiva, embora mais associada a sons agudos.
Ainda assim, o estudo não descarta completamente a existência de fontes externas em todos os casos relatados.
Especialistas também destacam que o tinnitus não possui cura estabelecida, mas existem estratégias de manejo que ajudam na adaptação dos pacientes. A reinterpretação do “Hum” como fenômeno interno pode abrir espaço para novas abordagens de cuidado.
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