‘A Odisseia’: as locações do filme de Christopher Nolan na Europa e na África

Poucas histórias viajaram tanto quanto A Odisseia. Muito antes de virar filme, minissérie, livro escolar ou referência para qualquer jornada cheia de percalços, a narrativa, que estima-se ter sido escrita no final do século VIII a.C.,  foi um poema transmitido oralmente por gerações.

Atribuída a Homero e escrita na Grécia Antiga, a obra acompanha a saga de Odisseu, rei de Ítaca, que passa uma década tentando voltar para casa após a Guerra de Troia. No caminho, cruza mares desconhecidos, enfrenta gigantes, feiticeiras, ninfas e divindades que interferem constantemente em seu destino.

Para transformar essa jornada em cinema, Christopher Nolan embarcou em sua própria odisseia. Em vez de recriar a Grécia mítica inteiramente dentro de estúdios, a produção percorreu desertos marroquinos, a ilha siciliana de Favignana, costas escocesas e cenários vulcânicos da Islândia.

Aït Benhaddou, no Marrocos, foi cenário da queda de TroiaUniversal Pictures/Divulgação

Na adaptação, Matt Damon interpreta Odisseu. Ao seu lado estão Tom Holland como Telêmaco, seu filho; Anne Hathaway como Penélope, sua esposa; e Zendaya como a deusa Atena, que protege o herói ao longo de sua jornada.

Gravado inteiramente com câmeras IMAX, o longa estreia em 16 de julho e está entre os projetos mais ambiciosos da carreira de Nolan. Conforme o navio de Odisseu avança por mares desconhecidos, o público também desembarca em novas paisagens, num mundo que oscila entre a realidade e o mito. A seguir, veja as principais locações usadas no filme:

Marrocos

Foi em Aït Benhaddou, uma antiga cidade fortificada reconhecida como Patrimônio Mundial da Unesco, que a produção recriou Troia. Localizado próximo a Ouarzazate, o conjunto de construções de terra batida já apareceu em produções como Gladiador e Game of Thrones, mas ganhou uma escala inédita para o filme de Nolan.

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Ali foi construído um gigantesco cenário que representava a cidade pouco antes de sua queda. Segundo a produção, mais de 60 estruturas cenográficas foram erguidas no local. O Templo de Atena era a maior construção do conjunto, com cerca de 15 metros de largura, 26 metros de profundidade e 11 metros de altura. A equipe também ergueu uma versão dos Portões de Troia e um extenso muro perimetral.

Na tela, Aït Benhaddou surge envolta pelo céu nublado. É possível identificar com clareza o templo dedicado a Atena, para onde os troianos levam o Cavalo de Troia acreditando tratar-se de uma oferenda. 

Vista de longe, Aït Benhaddou parece brotar da paisagem, com construções moldadas na mesma cor do cenário onde está inseridaHolger Uwe Schmitt/Wikimedia Commons

O Cavalo de Troia aparece pela primeira vez nas praias de Essaouira, em meio ao vento constante e às ondas. A versão da emboscada criada por Nolan tinha cerca de dez metros de altura e foi projetada para reforçar o caráter de armadilha idealizado por Odisseu.

Na adaptação de Nolan, a armadilha de Odisseu ganha forma nas praias marroquinas de EssaouiraUniversal Pictures/Divulgação

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Grécia

Parte das filmagens aconteceu na região do Peloponeso, território que concentra alguns dos cenários mais associados aos poemas homéricos. Um dos destaques é a Praia de Voidokilia, em formato de ômega (Ω) e com águas azul-turquesa localizada na costa sudoeste.

Voidokilia é uma das praias mais emblemáticas do Peloponeso, na GréciaΠελασγος61/Wikimedia Commons

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Logo acima dela fica a Caverna de Nestor, escolhida para representar o esconderijo do Ciclope Polifemo. O local já estava associado à mitologia muito antes da chegada das câmeras – segundo o mito, Hermes teria usado a caverna para esconder o gado roubado de seu meio-irmão, Apolo.

No filme, antes de alcançar a gruta, os homens de Odisseu atravessam uma paisagem surpreendentemente verde. A sequência explora a entrada escura da caverna e a relação entre luz e sombra. Em alguns momentos, a única iluminação vem de um feixe de luz que atravessa a abertura da rocha e de uma pequena fogueira, enquanto o eco toma a sala de cinema.

A Caverna de Nestor foi esculpida pela ação do mar e do ventoHelmut Schütz/Wikimedia Commons

Outras locações incluem o Castelo de Methoni, fortaleza cercada pelo mar no sudoeste grego, e Acrocorinto, uma fortaleza construída sobre um rochedo que domina a paisagem da antiga Corinto

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Itália

O destino que move toda a narrativa de A Odisseia é Ítaca. É para lá que Odisseu tenta retornar ao longo de toda a história. É lá que Penélope espera pelo marido enquanto adia seus pretendentes. Também é ali que Telêmaco cresce sem saber se o pai ainda está vivo e parte em busca de notícias sobre seu paradeiro.

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Para representar o lar do herói, Nolan escolheu Favignana, uma pequena ilha da Sicília, cercada por águas cristalinas e falésias calcárias. Ao contrário da imagem ensolarada normalmente associada ao Mediterrâneo, muitas das cenas na ilhota são marcadas por nuvens densas e uma luz difusa. O reino parece sempre distante.

O ritmo tranquilo e as paisagens mediterrâneas ajudam a dar a Favignana uma atmosfera distante do tempo modernoTommie Hansen/Flickr

O Castello di Santa Caterina, no alto de uma montanha, aparece repetidamente. Representando o palácio de Odisseu, a fortaleza surge ao fundo em momentos como o treinamento de Telêmaco, o retorno do rei e até em flashbacks antes da Guerra de Troia.

O Castello di Santa Caterina domina a paisagem de Favignana e ajudou a dar forma ao reino de Ítaca na adaptação de NolanFavignana Luxury Villa/Divulgação

A viagem com sotaque italiano não terminou ali. As filmagens também passaram pelas Ilhas Eólias, arquipélago associado, na mitologia, ao reino de Éolo, senhor dos ventos. 

Islândia

Entre todas as aventuras de Odisseu, poucas são tão sombrias quanto sua descida ao submundo. Em busca de respostas sobre o caminho de volta para casa, o herói atravessa os limites do mundo conhecido para consultar Tirésias, profeta morto e cego.

Para Nolan, a Islândia foi o destino ideal para dar vida ao reino de Hades. As filmagens aconteceram em junho, quando o fenômeno do sol da meia-noite mantém a claridade por quase 24 horas. Ainda assim, ventos intensos e chuvas frequentes ajudaram a criar a atmosfera austera que a equipe procurava.

Os cenários escolhidos incluíram as praias de Hjörleifshöfði, a península de Snæfellsnes, a região de Landeyjahöfn e as praias de areia negra próximas ao rio Markarfljót. A paisagem é dominada por névoa, mar agitado e enormes formações rochosas que emergem da água como sombras. Conheça as praias de areia preta da Islândia.

A Praia de Reynisfjara, na Islândia, transmite um clima sombrio e de mistérioAlex Berger/Flickr

Escócia

Ao longo de sua jornada, Odisseu encontra lugares tomados por magia. Entre eles está a ilha de Circe (Samantha Morton), feiticeira capaz de transformar homens em animais e alterar o rumo dos marinheiros que cruzam seu caminho.

Para recriar essa atmosfera, Christopher Nolan filmou em Moray Firth, no nordeste da Escócia. Na região, as falésias e as ruínas do Castelo de Findlater ajudaram a construir a paisagem mística desejada.

Escócia: as ruínas do Castelo de Findlater ajudaram a compor a atmosfera fantástica de A OdisseiaBob Marshall/Wikimedia Commons

A locação ocupa um dos momentos em que a fotografia se torna mais luminosa. Em meio ao verde intenso da costa escocesa, os homens de Odisseu chegam ao domínio de Circe sem saber o que os espera. É nesse cenário que a feiticeira os transforma em porcos.

Ainda na Escócia, a Floresta de Culbin acrescenta outra camada à narrativa. Antes de encontrarem Circe, os guerreiros enfrentam cavaleiros de armaduras prateadas em meio às árvores altas do local.

A Floresta de Culbin, no norte da Escócia, é marcada pela vegetação fechadaForestry and Land Scotland/Reprodução

Estúdios

Embora a produção tenha cruzado os países citados em busca de paisagens reais, nem tudo podia ser encontrado na natureza. Parte das cenas foi filmada em estúdios nas cercanias de Los Angeles, na Califórnia, entre eles os Universal Studios e os Sony Pictures Studios.

Nos Universal Studios, a área conhecida como Falls Lake foi utilizada para algumas sequências ambientadas no mar, enquanto os interiores, como os aposentos de Penélope, também ganharam forma em sets construídos para o filme.

Na epopeia, palácios, jardins, fontes e objetos do cotidiano são descritos com riqueza de detalhes, ajudando a construir um retrato da vida na Grécia Antiga. No filme, porém, os interiores costumam surgir envoltos em sombras. Iluminados principalmente por tochas e fogueiras, os aposentos aparecem muitas vezes desfocados e menos ornamentados do que se poderia imaginar. O que mais chama a atenção são as armas penduradas nas paredes.

Anne Hathaway no papel de PenélopeUniversal Pictures/Divulgação

Uma odisseia dentro da outra

Ao longo da produção, Matt Damon brincou que parecia ter filmado seis ou sete filmes diferentes pela variedade de locações. De certa forma, essa sensação também chega à tela, com cada etapa da jornada associada a paisagens distintas.

Matt Damon no papel Odisseu: sensação de ter rodado uns 7 filmes, disse o atorUniversal Pictures/Divulgação

Algumas das imagens mais marcantes do longa surgem durante as travessias marítimas, quando a embarcação de Odisseu cruza águas de um azul intenso, quase royal. Em contraste, há cenários desérticos, como as White Dunes, próximas a Dakhla, no Saara Ocidental, onde foram filmadas cenas entre Odisseu e Atena.

A bordo de sua embarcação, Odisseu encara perigos de uma jornada difícilUniversal Pictures/Divulgação

Embora os cenários mudem constantemente, todos são atravessados pelo desejo de voltar para casa. Seguindo o caminho dos personagens, elenco e equipe cruzaram diferentes países, muitas vezes caminhando longas distâncias em figurino completo para chegar aos sets.

Entre paisagens reais e mitológicas, Matt Damon e Zendaya dão vida “A Odisseia”, filmada em cinco paísesUniversal Pictures/Divulgação

Confira o vídeo da Universal Pictures Brasil sobre as locações:

As locações da saga Harry Potter no Reino Unido

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