Comunicação começa antes da abertura
Um evento pode levar meses para ser planejado e durar apenas alguns dias. Para quem trabalha com comunicação, porém, essa conta é diferente. A divulgação começa antes da abertura dos portões e pode continuar mesmo depois do encerramento da programação.
Para Roberta Nuñez, CEO da RN Assessoria de Imprensa, Agência Puro Glamour e SSS Assessoria, o trabalho de comunicação precisa considerar as características de cada projeto, seus públicos e as histórias que podem despertar interesse editorial.
A jornalista acumula experiência em eventos de diferentes perfis, como a São Paulo Oktoberfest, a Villa de Natal São Paulo, o Brinca Luminous e o Influent Summit. Também participou de ações relacionadas ao Salão do Automóvel, levando influenciadores para acompanhar o evento.
Essa diversidade de experiências mostrou, na prática, que não existe uma fórmula única para trabalhar a imprensa.
“Não existe uma estratégia que você simplesmente replica de um evento para outro. O público muda, a imprensa que queremos atingir muda e até o momento de começar a comunicação pode ser diferente. A primeira coisa é entender onde aquele evento pode virar notícia”, explica Roberta.
Encontrar a notícia dentro do evento
A definição das pautas é uma das etapas mais importantes. Um evento pode gerar conteúdos relacionados a entretenimento, gastronomia, turismo, comportamento, negócios, economia e bem-estar.
Também podem surgir personagens, atrações, novidades da programação ou situações inesperadas com potencial para despertar o interesse dos veículos de comunicação.
Para Roberta, identificar esses diferentes recortes evita transformar a assessoria de imprensa em uma simples sequência de disparos de releases.
“Se eu tenho várias histórias acontecendo dentro de um mesmo evento, não faz sentido colocar tudo em um único texto e esperar que aquilo interesse a todo mundo. Às vezes, uma informação que parece pequena para a organização é justamente a pauta que interessa a determinado jornalista”, afirma.
Essa visão também ajuda a construir uma comunicação mais direcionada, considerando o perfil de cada veículo e de seu público.
Estratégias diferentes para públicos diferentes
Na São Paulo Oktoberfest, por exemplo, cultura, música, gastronomia, turismo e entretenimento podem ser trabalhados como diferentes possibilidades de pauta.
Já a Villa de Natal São Paulo permite explorar conteúdos relacionados ao período natalino, às atrações, à convivência familiar e às experiências oferecidas ao público.
No Brinca Luminous, experiência imersiva realizada em Campos do Jordão, a proposta visual e sensorial abre possibilidades de abordagem relacionadas ao turismo, entretenimento e experiências de lazer.
O Influent Summit, por sua vez, está inserido em um ambiente ligado à influência digital, criação de conteúdo, comunicação e mercado de negócios.
Segundo Roberta Nuñez, compreender essas diferenças é fundamental para definir desde os veículos prioritários até o tipo de informação que deve ser trabalhada em cada etapa da divulgação.
Imprensa e influência digital
A estratégia também pode aproximar imprensa e influenciadores. Foi o que ocorreu em uma ação relacionada ao Salão do Automóvel, da qual Roberta participou levando criadores de conteúdo para acompanhar o evento.
Nesse cenário, a escolha dos influenciadores precisa considerar mais do que o tamanho da audiência.
“Não adianta escolher um influenciador apenas pelo número de seguidores. É preciso entender quem acompanha aquela pessoa, que tipo de conteúdo ela produz e se existe alguma relação verdadeira com o evento. Caso contrário, você pode ter alcance e não ter resultado”, destaca.
Para Roberta Nuñez, a afinidade entre criador, público e experiência é um dos fatores que pode determinar a qualidade do resultado.
O planejamento precisa acompanhar o que acontece
Mesmo com planejamento, eventos são ambientes dinâmicos. Uma presença inesperada, uma declaração, uma atração que repercute ou uma reação do público pode criar uma nova oportunidade de pauta.
“Você chega com um planejamento, claro, mas precisa estar olhando o que está acontecendo. Às vezes a melhor pauta do evento não estava no release e aparece ali, na sua frente. Se a equipe não estiver atenta, a oportunidade passa”, conta Roberta.
Essa capacidade de observar e adaptar a estratégia também está relacionada à experiência jornalística. Conhecer a rotina das redações ajuda a compreender que jornalistas recebem diariamente inúmeras sugestões e precisam identificar rapidamente quais informações têm relevância para seus públicos.
Comunicação como parte da experiência
Na avaliação de Roberta Nuñez, a estratégia de imprensa deve começar antes da produção do primeiro release. É necessário compreender o evento, identificar os assuntos com potencial jornalístico, definir os públicos prioritários, selecionar os veículos adequados e estabelecer o momento certo para apresentar cada história.
Em eventos de entretenimento, negócios, turismo ou experiências, a comunicação pode contribuir não apenas para ampliar a visibilidade, mas também para construir narrativas capazes de mostrar ao público o que torna aquela iniciativa relevante.
No fim, a disputa pela atenção começa muito antes de as portas se abrirem. E, para a imprensa, o desafio permanece o mesmo: encontrar, entre tudo o que acontece em um evento, aquilo que realmente merece ser contado.




