Juliette, Larissa Manoela e Anitta: por que tantas famosas foram diagnosticadas com endometriose?

O relato de famosas nas redes sociais reacendeu um alerta fundamental sobre a saúde feminina. Recentemente, nomes como Juliette e Larissa Manoela revelaram diagnósticos de endometriose de maneiras totalmente distintas, escancarando como essa condição médica pode se manifestar de formas silenciosas ou complexas.

Juliette descobriu a doença por acaso em um check-up de rotina para investigar o fígado, mantendo o quadro em estágio inicial com bloqueio hormonal. Já Larissa Manoela, que convive com o problema desde 2020, passou por uma cirurgia programada para retirar focos de lesão. Elas se somam a artistas como Anitta, Giovanna Ewbank e Patrícia Poeta, que também enfrentaram diagnósticos e cirurgias.

“Algumas pacientes apresentam predominantemente cólicas; outras, sintomas intestinais, urinários, infertilidade, dor na relação sexual ou fadiga. Essa heterogeneidade faz com que muitas passem por vários profissionais antes que os pontos sejam conectados”, explica Thiers Soares, ginecologista especialista em endometriose, adenomiose e referência em cirurgia robótica.

“Costumo dizer que a mulher tem dois corações, um no peito e outro na pelve. A saúde desse segundo coração repercute em todo o organismo, influenciando dor, sexualidade, função intestinal e urinária, fertilidade, saúde emocional e qualidade de vida”, completa o médico.

O que é endometriose e por que o diagnóstico demora tanto?

A endometriose é uma doença inflamatória crônica em que um tecido semelhante ao endométrio (camada que reveste o útero) cresce fora da cavidade uterina, atingindo ovários, intestino e bexiga. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a condição afeta cerca de 7 milhões de brasileiras.

O maior obstáculo enfrenta-se na demora para a confirmação do quadro, que pode levar de sete a dez anos:

Normalização da dor: A ideia equivocada de que sentir dores incapacitantes na menstruação é algo natural.

Sintomas difusos: Manifestações no intestino ou na bexiga que mascaram a origem ginecológica.

Minimização das queixas: Falta de investigação profunda na primeira busca por auxílio médico.

“A normalização da dor menstrual é o principal motivo. Muitas mulheres crescem ouvindo que cólica intensa é assim mesmo. Com isso, demoram a procurar ajuda e, quando procuram, frequentemente têm seus sintomas minimizados”, afirma Thiers.

Endometriose x Adenomiose: entenda as diferenças

Apesar de frequentemente confundidas e podendo ocorrer ao mesmo tempo, a diferença central entre as duas condições está na localização da inflamação.

Endometriose: O tecido cresce fora do útero, espalhando-se por outros órgãos da pelve.

Adenomiose: O tecido se infiltra dentro da própria parede muscular do útero (miométrio).

A adenomiose atinge uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva. Seus principais sintomas incluem sangramentos vaginais extremamente intensos — que podem levar à anemia — e dores pélvicas contínuas.

“Muitas mulheres acreditam que sentir cólicas incapacitantes faz parte da routine, mas a dor é um sinal de que algo precisa de investigação”, resume o especialista.

Sinais de alerta que exigem consulta ao ginecologista

O corpo dá sinais claros de que algo não vai bem na região pélvica. Fique atenta caso apresente:

Cólicas menstruais intensas que impedem de trabalhar, estudar ou dormir.

Dor durante ou após as relações sexuais.

Desconforto para urinar ou evacuar, principalmente durante o período menstrual.

Sangramento menstrual volumoso e desproporcional.

Fadiga constante e dificuldade para engravidar.

“A relação cíclica com a menstruação aumenta a suspeita, mas sua ausência não exclui a doença. Nas formas mais avançadas, a dor pode se tornar contínua”, alerta o médico.

Formas de tratamento e avanços medicinais

O diagnóstico é feito por meio de escuta clínica detalhada combinada a exames de imagem específicos, como o ultrassom transvaginal com preparo intestinal ou a ressonância magnética.

Nem todo caso exige cirurgia imediatamente. O tratamento pode ser feito com medicamentos para bloquear a menstruação. Quando o procedimento cirúrgico é necessário para extrair as lesões, a preferência é por técnicas minimamente invasivas.

“A cirurgia pode remover lesões, liberar aderências e aliviar sintomas. Mas não representa uma cura garantida. A endometriose é uma doença crônica e pode haver recorrência”, conclui Thiers Soares, ressaltando o uso da cirurgia robótica para preservar a fertilidade e a saúde dos órgãos pélvicos.