Sarampo segue em alta nos Estados Unidos; e por aqui, o que devemos fazer?

Nova York, nos Estados Unidos, declarou situação de emergência por sarampo em 5 de outubro, após registrar 108 casos da doença em 2026. Desse total, 92 foram identificados entre 15 de julho e 3 de outubro. O avanço ocorreu principalmente em comunidades rurais com baixa cobertura vacinal.

O cenário chama atenção também no Brasil, já que viagens internacionais podem favorecer a entrada do vírus no país. Isso, porém, não significa que um novo surto seja inevitável. A possibilidade de transmissão depende, entre outros fatores, da cobertura vacinal e da rapidez com que casos suspeitos são identificados e controlados.

Dados do CDC, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, apontavam 3.471 casos no país até 1º de outubro de 2026. O número já superava os 2.289 registros contabilizados durante todo o ano de 2025.

“O sarampo continua circulando em diferentes partes do mundo. Quando encontra uma população com baixa cobertura vacinal, um vírus extremamente contagioso pode voltar a provocar surtos onde a doença já estava controlada”, explica Elisabeth Fernandes, pediatra da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e doutora pela FMUSP.

Brasil já teve casos importados em 2026

A possibilidade de o vírus chegar ao Brasil por meio de viajantes não é apenas teórica. Em comunicado divulgado em 11 de setembro, o Ministério da Saúde informou a confirmação de três casos importados em Tabatinga, no Amazonas. Os pacientes eram procedentes do Peru e não tinham histórico de vacinação.

Na mesma atualização, o Ministério informou 32 casos registrados em São Paulo naquele ano. Segundo a pasta, o país permanecia sem transmissão sustentada do sarampo naquele momento.

Sarampo está de volta. Foto: Magnific

O Brasil recuperou, em 2024, a certificação de eliminação da doença. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de casos importados. Pessoas infectadas podem trazer o vírus de outras regiões e, quando encontram indivíduos sem proteção adequada, existe a possibilidade de formação de cadeias de transmissão.

Os casos brasileiros mencionados no comunicado do Ministério da Saúde não foram relacionados ao surto registrado em Nova York.

Por que o sarampo é tão contagioso?

O sarampo é transmitido pelo ar, principalmente por meio das partículas liberadas quando uma pessoa infectada respira, tosse ou espirra. O vírus pode permanecer infectante no ambiente por até duas horas depois que o paciente deixa o local.

Outro fator que favorece a disseminação é que a transmissão pode ocorrer antes do surgimento das manchas características na pele. Assim, uma pessoa pode infectar outras antes mesmo de saber que está com sarampo.

Os primeiros sintomas costumam incluir febre alta, tosse, coriza e conjuntivite. Depois, aparecem as manchas avermelhadas, que geralmente começam no rosto e se espalham pelo corpo.

““O sarampo não é só uma doença que provoca manchas na pele. Ele pode causar pneumonia, encefalite e até levar à morte. Crianças pequenas, especialmente os bebês, gestantes e pessoas imunossuprimidas têm maior risco de complicações”, afirma Elisabeth.

Vacinação é a principal forma de prevenção

Para quem pretende viajar para fora do país, a recomendação é conferir a carteira de vacinação com antecedência e procurar uma unidade de saúde para verificar se há necessidade de atualizar o esquema.

A atenção não deve ficar restrita às crianças. Adultos que não tenham comprovação de vacinação também podem precisar avaliar sua situação vacinal, especialmente antes de viagens internacionais.

No calendário infantil brasileiro, a primeira dose da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, é aplicada aos 12 meses. A segunda dose contra o sarampo está prevista aos 15 meses.

Em situações específicas, como períodos de circulação do vírus ou viagens internacionais, bebês de 6 a 11 meses podem receber uma chamada dose zero, conforme avaliação e orientação do serviço de saúde.

Essa dose antecipada não substitui as duas doses previstas no calendário após o primeiro ano de vida.

“A dose zero antecipa a proteção do bebê em situações de maior risco, mas não encerra o esquema vacinal. A criança precisa receber as doses previstas depois de completar um ano”, explica a pediatra.

Febre e manchas depois de uma viagem exigem atenção

Febre acompanhada de manchas na pele merece avaliação médica, principalmente quando há histórico recente de viagem internacional ou contato com alguém que possa estar infectado.

Nessas situações, é importante informar ao profissional de saúde sobre a viagem e, quando possível, entrar em contato com o serviço antes de comparecer presencialmente. A medida ajuda a equipe a organizar o atendimento e diminuir a exposição de outras pessoas.

Não há um medicamento específico capaz de eliminar o vírus do sarampo. Por isso, manter a vacinação em dia continua sendo a principal estratégia para impedir a disseminação da doença.

“Não existe medicamento específico capaz de eliminar o vírus do sarampo. Por isso, a prevenção é fundamental. Conferir a carteira de vacinação e completar as doses recomendadas são cuidados que não devem ficar para depois”, orienta Elisabeth Fernandes.

Resumo: O aumento de casos de sarampo nos Estados Unidos, incluindo a situação de emergência declarada em Nova York, chama atenção para o risco de importação do vírus por viajantes. O Brasil já registrou casos importados em 2026, mas permanecia sem transmissão sustentada no balanço citado. A vacinação e a identificação rápida de casos suspeitos são fundamentais para evitar a formação de novas cadeias de transmissão.

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