Encontrar vários fios no travesseiro, na escova ou no ralo do banheiro pode assustar, principalmente quando isso acontece poucos meses após o nascimento do bebê. Embora seja uma situação comum, a queda de cabelo no pós-parto ainda gera dúvidas entre as mães, especialmente quando os fios começam a cair em grandes quantidades.
O que muita gente não sabe é que essa mudança faz parte das transformações do organismo depois da gravidez. Na maioria dos casos, o cabelo recupera seu volume naturalmente. Ainda assim, vale prestar atenção à duração da queda e aos outros sinais que o corpo apresenta.
Por que a queda de cabelo aumenta depois do parto?
Durante a gestação, os níveis elevados de estrogênio prolongam a fase de crescimento dos fios. Isso explica por que muitas mulheres percebem o cabelo mais cheio e volumoso nesse período. Depois do nascimento do bebê, porém, os hormônios diminuem e os fios entram na fase de queda.
O tricologista João Gabriel Fernandes, fundador da Anagrow, explica que esse processo recebe o nome de eflúvio telógeno pós-parto. “Não é que a mulher esteja perdendo cabelo a mais. Ela está devolvendo, de uma vez só, os fios que a gestação segurou por meses. Por isso o volume de queda impressiona tanto”, esclarece.
Segundo a Academia Americana de Dermatologia (AAD), a perda costuma atingir seu pico aproximadamente quatro meses após o parto. A maioria das mulheres recupera o volume habitual dos cabelos até o primeiro aniversário do bebê.
Queda de cabelo feminina: quando o problema sinaliza um alerta de saúde – Crédito: pexels/Towfiqu barbhuiya
Quando a perda de fios merece investigação?
Apesar de esperada, nem toda queda de cabelo após a gravidez tem origem exclusivamente hormonal. Quando o problema persiste, piora ou aparece acompanhado de outros sintomas, uma avaliação médica pode ajudar a identificar possíveis causas.
“O pós-parto combina três fatores que detonam a reserva nutricional da mulher: a demanda da gestação, a perda de sangue do parto e a amamentação”, explica o especialista.
Entre os sinais que merecem atenção estão cansaço intenso, unhas frágeis, dificuldade de concentração e enfraquecimento persistente dos fios. A deficiência de ferro, por exemplo, pode provocar fadiga e contribuir para a perda capilar.
Outro ponto importante envolve a tireoide. Conforme a Cleveland Clinic, algumas mulheres desenvolvem tireoidite pós-parto, condição que altera a produção hormonal e pode provocar queda dos fios, mudanças de peso e cansaço.
Por isso, o médico pode solicitar exames para avaliar anemia, reservas de ferro, função tireoidiana e possíveis deficiências nutricionais, conforme os sintomas e o histórico da paciente.
Cuidados simples ajudam na recuperação dos fios
Enquanto o organismo recupera seu equilíbrio, alguns hábitos podem preservar a saúde capilar. Evitar penteados muito apertados, reduzir o uso excessivo de calor e manter uma alimentação variada são medidas úteis.
A privação de sono e o estresse também podem contribuir para prolongar a queda. No entanto, suplementos e tratamentos específicos exigem orientação profissional, principalmente durante a amamentação.
Para Fernandes, investigar o problema faz parte do cuidado integral com a mulher. “O cabelo da mãe conta a história do que o corpo dela acabou de realizar. O cuidado capilar nesse momento não é vaidade: é parte da recuperação da saúde da mulher”, conclui.
Assim, mais importante do que contar os fios que caem diariamente é observar a evolução do quadro. Se a queda continuar intensa, surgirem falhas localizadas ou o cabelo não recuperar seu volume, vale procurar um dermatologista.
Resumo:
O nascimento de um bebê transforma a rotina, o corpo e até os cabelos da mãe. Mas, entre tantas mudanças, algumas podem levantar dúvidas sobre a recuperação da saúde. Entender os sinais do organismo ajuda a atravessar essa fase com mais tranquilidade.
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