O Marché des Enfants-Rouges, um dos mercados mais tradicionais de Paris, foi devastado por um incêndio na madrugada desta segunda-feira (12). Localizado na Rue de Bretagne, no bairro do Marais, no 3º arrondissement, o mercado funcionava desde 1615 e era conhecido tanto pela importância histórica quanto pelas barracas de comida que atraíam moradores e turistas.
O fogo começou por volta das 4h da manhã e tomou a estrutura coberta do mercado. Segundo a Brigada de Bombeiros de Paris, as equipes foram acionadas às 4h15 e o incêndio atingiu os cerca de mil metros quadrados do espaço.
O fogo foi controlado, mas a destruição foi extensa. Ariel Weil, prefeito de Paris Centre, a subprefeitura dos bairros centrais da cidade, confirmou que o local ficou completamente destruído e pediu que a população evitasse as imediações da Rue de Bretagne. Não há registro de vítimas e a origem do incêndio ainda é desconhecida.
Um mercado com mais de quatro séculos de história
Fundado em 1615, durante o reinado de Luís XIII, o Enfants-Rouges é considerado o mais antigo mercado de alimentos de Paris. Criado para abastecer a população de um bairro que crescia, atravessou diferentes períodos da história da cidade e se tornou um ponto de encontro do Marais, região conhecida por suas ruas estreitas, galerias, museus e edifícios históricos. O espaço foi inscrito na lista de monumentos históricos em 1982.
O nome Enfants-Rouges, que significa “crianças vermelhas” em francês, remete a um antigo orfanato instalado nas proximidades em 1536, por iniciativa de Marguerite de Navarre, irmã do rei Francisco I. As crianças acolhidas pela instituição vestiam roupas vermelhas, e o mercado acabou adotando essa referência histórica em seu nome. O orfanato fechou em 1772.
Ao longo dos séculos, o mercado passou por períodos de abandono e chegou a fechar temporariamente nos anos 1990, quando estava bastante deteriorado. Após obras de renovação, voltou a funcionar e ganhou nova projeção como destino gastronômico. Sob sua cobertura, reunia bancas de frutas, verduras, queijos e outros produtos, além de pequenos restaurantes que serviam pratos de diferentes cozinhas. Era um lugar para almoçar sem pressa e conhecer uma faceta cotidiana de Paris, longe dos circuitos monumentais mais concorridos.
O incêndio representa uma perda para o patrimônio histórico e para a vida comercial do bairro. Em comunicado divulgado nesta segunda-feira, a ministra da Cultura da França, Catherine Pégard, manifestou solidariedade aos comerciantes, artesãos e restauradores afetados, além dos moradores da região.
Como consequência do incêndio, o jardim Madeleine de Scudéry e o square du Temple, áreas verdes próximas ao mercado, foram fechados temporariamente pela prefeitura. Ainda não há informações definitivas sobre as causas do fogo nem sobre os próximos passos para a recuperação do local.
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