A dor nas costas deixou de ser um problema associado apenas ao envelhecimento. Nesse sentido, cada vez mais adolescentes e adultos jovens convivem com desconfortos frequentes na região lombar, cervical e torácica.
Essa mudança no perfil dos pacientes está diretamente ligada aos hábitos modernos. Longas horas diante do computador, uso contínuo do smartphone e o sedentarismo criaram o cenário perfeito para o surgimento precoce desses incômodos.
O impacto alarmante do tempo de tela na juventude
Embora a dor lombar seja mais frequente conforme a idade avança, pesquisas mostram um cenário preocupante entre os mais novos. Com efeito, um estudo brasileiro publicado no Jornal de Pediatria apontou uma prevalência de lombalgia de 46,7% entre adolescentes.
Da mesma forma, uma revisão sistemática divulgada na Revista Paulista de Pediatria confirmou a ligação direta entre o tempo de tela e as dores nas costas. O risco aumenta consideravelmente ao passar mais de três horas diárias no celular, tablet ou televisão.
Para o ortopedista e cirurgião de coluna do Einstein Hospital Israelita, Luciano Miller, o problema central está no enfraquecimento do corpo: “O sedentarismo enfraquece a musculatura em volta da coluna e, com isso, a pressão nos discos e articulações da coluna é maior, aumentando o risco de lesões em situações do cotidiano.”
O perigo invisível de passar o dia todo sentado
A rotina da geração atual envolve passar horas na mesma posição, seja estudando, trabalhando ou nas horas de lazer. Por outro lado, o especialista ressalta que o vilão não é necessariamente uma postura errada, mas sim a falta de movimentação ao longo do dia.
Além disso, a inclinação constante do pescoço para olhar a tela do celular gera uma sobrecarga muscular severa diária. Nesse sentido, pescoço e ombros acabam sofrendo tanto quanto a região lombar. “Para evitar dores nas costas, é indispensável prestar atenção na ergonomia no dia a dia e no trabalho”, explica.
A rotina da geração atual envolve passar horas na mesma posição, seja estudando, trabalhando ou nas horas de lazer – Canva Equipes/perfectwave
Não é apenas uma questão de “má postura”
A dor na coluna é multifatorial e vai muito além do jeito que você senta. Em suma, fatores como excesso de peso, estresse psicossocial, falta de treinos e ergonomia ruim atuam juntos. A boa notícia é que sentir dor não significa ter uma lesão grave. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 90% dos casos são inespecíficos, ou seja, sem alterações estruturais graves na coluna. Contudo, a OMS estima que 843 milhões de pessoas sofrerão com dor lombar até 2050, tornando essa a maior causa de incapacidade no mundo.
Sinais de alerta: quando procurar um médico?
Um desconforto passageiro após um dia cansativo é normal. No entanto, quando a dor passa a ser constante e atrapalha a sua rotina, é hora de acender o sinal vermelho e buscar ajuda especializada. Por tanto, fique atento a estes sintomas:
Perda de força nas pernas ou pés
Alterações de sensibilidade ou formigamentos
Dor intensa durante a noite
Mudanças repentinas no controle da bexiga ou do intestino
Como proteger sua coluna no dia a dia
A melhor forma de prevenção não é buscar uma postura milagrosa, mas sim evitar ficar imóvel por longos períodos. Fazer pausas frequentes, adaptar seu local de trabalho e praticar atividades físicas são passos essenciais. “Exercícios são indispensáveis para manter a coluna saudável porque reforçam a musculatura das costas, do glúteo e dos membros inferiores, melhorando a proteção dessa parte do corpo”, destaca Miller.
Resumo
Adotar pequenos cuidados hoje é o melhor caminho para garantir uma vida adulta sem dores e com total liberdade de movimento.
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