Esperar o cabelo ganhar comprimento e notar pouca diferença mês após mês pode levar à impressão de que ele parou de crescer. Mas, em algumas situações, a raiz continua produzindo novos fios enquanto as pontas se rompem. O resultado é um comprimento que parece não avançar.
A hairstylist Kammily Carvalho explica que crescimento e resistência da fibra capilar são aspectos diferentes. “O cabelo pode estar crescendo normalmente na raiz, mas, se a fibra estiver muito fragilizada, ele quebra antes de conseguir manter esse comprimento. A pessoa olha e acha que o cabelo não cresce, quando muitas vezes o que está acontecendo é uma dificuldade de preservar o fio”, afirma.
A estrutura do cabelo é formada principalmente por queratina. Sua parte externa, a cutícula, funciona como uma camada de proteção. Quando essa estrutura perde resistência, o fio pode ficar mais vulnerável a danos e à quebra. Processos químicos, calor e atrito estão entre os fatores que, somados, podem contribuir para o enfraquecimento.
Sinais que ajudam a identificar a quebra
Pontas duplas, fios partidos e pontas que parecem cada vez mais finas podem indicar fragilidade. Também é possível notar diferentes comprimentos ao longo do cabelo, textura áspera e dificuldade para manter as pontas encorpadas.
Kammily Carvalho orienta observar especialmente as regiões submetidas a mais atrito ou calor. “Quando existe muita quebra, começamos a perceber vários fiozinhos menores, principalmente em regiões que sofrem mais atrito ou recebem muito calor. As pontas também vão ficando cada vez mais finas”, diz.
A quebra também pode ser confundida com a queda, mas os processos são diferentes. Na queda, o fio se desprende desde o couro cabeludo; na quebra, ele se parte em algum ponto do comprimento. Essa observação ajuda a entender o que pode estar acontecendo, embora não substitua uma avaliação profissional quando houver dúvida.
Química, calor e atrito podem se somar
Descoloração, coloração, alisamentos e outras transformações químicas podem alterar a estrutura da fibra. Isso não significa que seja obrigatório abandonar esses procedimentos, mas os fios submetidos a eles podem precisar de cuidados compatíveis com seu estado.
O uso frequente de secador, chapinha e modeladores térmicos também merece atenção. Para Kammily, muitas vezes não há um único fator envolvido: diferentes hábitos podem se acumular e reduzir a resistência do fio.
“Às vezes existe uma soma de fatores. A pessoa faz procedimentos químicos, usa ferramentas de calor com frequência, prende o cabelo com muita força e ainda tem atrito diário. Aos poucos, aquela fibra pode perder resistência”, comenta.
Algumas atitudes cotidianas também podem contribuir para o desgaste: desembaraçar com força, prender repetidamente no mesmo lugar, usar temperaturas muito altas ou dormir com os fios molhados. Rever esses hábitos pode ajudar a reduzir agressões à fibra e a preservar o comprimento.
Tratamento pede equilíbrio
Quando o cabelo está fragilizado, a escolha dos cuidados deve levar em conta as condições dos fios e seu histórico. Produtos reconstrutores podem fazer parte de uma rotina, mas o uso indiscriminado não é necessariamente melhor.
“O cabelo precisa de equilíbrio. Não adianta pensar que quanto mais reconstrução, melhor. Primeiro precisamos observar como aquele fio está, o histórico químico e o que ele realmente necessita”, explica Kammily Carvalho. Segundo a hairstylist, o excesso também pode deixar o cabelo rígido e com um comportamento diferente do desejado.
Além de escolher os tratamentos adequados, diminuir temporariamente as agressões e ajustar a rotina de cuidados pode favorecer a preservação da fibra enquanto o cabelo cresce. A atenção às pontas e às áreas que sofrem mais atrito ajuda a perceber mudanças na resistência dos fios.
Foto: Divulgação
Crescimento e comprimento não são a mesma coisa
O cabelo pode crescer desde a raiz sem que esse avanço apareça no comprimento, caso as pontas estejam quebrando. Por isso, observar apenas a raiz ou contar os centímetros não conta toda a história: também é preciso perceber se os fios conseguem permanecer inteiros e resistentes ao longo do tempo.
“Crescer é uma parte do processo. Conseguir manter esse fio resistente até as pontas é outra. Quando cuidamos da fibra e diminuímos a quebra, fica muito mais fácil perceber e preservar o comprimento”, conclui Kammily Carvalho.





