Até 80% das pessoas que quebram um osso no mundo seguem sem diagnóstico e sem tratamento para a osteoporose que pode estar por trás da lesão, segundo a International Osteoporosis Foundation (IOF). O alerta vale principalmente para fraturas que acontecem em situações banais, como tropeçar durante uma caminhada ou cair da própria altura. Quando o osso cede diante de um impacto tão pequeno, a fragilidade óssea entra na lista de suspeitas.
A osteoporose deixa os ossos mais fracos e costuma avançar em silêncio, sem nenhum sintoma, até a primeira fratura. Tratar o osso quebrado resolve a lesão, mas investigar a causa é o que protege a pessoa dos próximos episódios.
“A investigação deve fazer parte do cuidado com a fratura, sem esperar a recuperação do osso. Quando identificamos osteoporose ou outra condição que compromete a resistência óssea, podemos estabelecer um tratamento para reduzir o risco de novas fraturas. A consolidação da lesão não encerra esse acompanhamento”, explica José Luis Amim Zabeu, coordenador da Ortopedia do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP).
Uma fratura aumenta a chance da próxima
Quem já teve uma fratura corre um risco 86% maior de sofrer outra, na comparação com quem nunca quebrou um osso, de acordo com a IOF. A entidade aponta ainda que esse perigo de repetição fica mais alto nos dois primeiros anos depois da lesão inicial.
Fratura depois de uma queda simples pode ser o primeiro sinal de osteoporose; veja os exames (Foto: Magnific)
Os exames que avaliam a saúde dos ossos
A investigação começa por uma conversa detalhada com o médico, que leva em conta o histórico de saúde, fraturas anteriores, os remédios em uso e outros fatores de risco. A partir daí, alguns exames entram em cena:
densitometria óssea: mede a densidade mineral dos ossos e é um dos principais recursos para diagnosticar a osteoporose. Pode ser pedida depois de uma fratura de baixo impacto ou antes de qualquer lesão, conforme a idade, os fatores de risco e a avaliação médica;
radiografias da coluna: ajudam a encontrar fraturas nas vértebras, que muitas vezes não dão sintomas claros;
exames laboratoriais: avaliam cálcio, vitamina D e outros marcadores do metabolismo dos ossos, o que ajuda a identificar condições associadas e a orientar o tratamento.
“A escolha dos exames depende da história clínica e das necessidades de cada paciente. Em mulheres após a menopausa, por exemplo, a indicação da densitometria considera também a idade e a presença de fatores de risco. O objetivo é identificar a fragilidade óssea, compreender suas possíveis causas e definir a melhor conduta”, orienta José Luis.
Quem tem mais risco de osteoporose
A doença aparece com mais frequência com o passar dos anos e nas mulheres depois da menopausa, mas homens e pessoas mais jovens também podem ter. Pelos cálculos da IOF, cerca de uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens com mais de 50 anos vão sofrer, no restante da vida, uma fratura ligada à osteoporose.
Além da idade e da menopausa, pesam na conta:
casos de osteoporose ou de fraturas na família;
uso de corticoides por muito tempo;
cigarro;
problemas na absorção de nutrientes, como os que surgem depois da cirurgia bariátrica;
alguns tratamentos, como a quimioterapia, que conforme o quadro clínico afetam os ossos.
Sinais que costumam passar despercebidos
Como a osteoporose quase não dá pistas, duas mudanças no corpo pedem consulta: perder altura e notar a coluna cada vez mais curvada. As duas alterações podem estar ligadas a problemas ou fraturas nas vértebras.
“Pessoas com fatores de risco podem conversar com um profissional de saúde sobre a necessidade de avaliar a saúde óssea, mesmo que nunca tenham sofrido uma fratura. Para quem já passou por um episódio, não se deve esperar que outro aconteça para investigar”, pontua o ortopedista.
Prevenção e tratamento andam juntos
O cuidado com os ossos começa bem antes de qualquer diagnóstico. Comer de forma equilibrada, garantir cálcio e outros nutrientes em quantidade adequada, fazer exercícios com regularidade e não fumar ajudam a manter o esqueleto forte. Atividades que fortalecem os músculos e treinam o equilíbrio ainda diminuem as chances de queda.
Para quem já tem osteoporose ou passou por uma fratura de baixo impacto, o plano precisa ser feito sob medida. Junto com os hábitos saudáveis, o médico pode receitar remédios específicos para fortalecer os ossos e reduzir o risco de novas fraturas. Em casos selecionados, a terapia hormonal também entra na discussão, depois de pesar benefícios e riscos para cada paciente.
“Exercícios, alimentação adequada e prevenção de quedas fazem parte do cuidado, mas não substituem os tratamentos específicos quando eles são necessários. O acompanhamento permite avaliar a resposta ao tratamento e ajustar as orientações às condições de cada pessoa”, conclui José Luis.
Resumo: Uma fratura depois de uma queda simples pode indicar osteoporose, doença que avança sem sintomas. Densitometria, radiografia da coluna e exames laboratoriais ajudam no diagnóstico, e investigar logo reduz o risco de uma nova fratura, que é maior nos dois primeiros anos.
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