Quem acompanha Jenna Ortega como a sombria Wandinha talvez não imagine que a atriz, de 24 anos, convive desde pequena com uma condição que interfere até nos seus hábitos mais simples. Em entrevista à revista Vogue, a artista falou sobre o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e contou detalhes de sua rotina.
Aos sete anos, Jenna já precisava seguir determinados rituais antes de sair para a escola. Hoje, mesmo com uma carreira consolidada em Hollywood, alguns comportamentos continuam presentes, principalmente quando está cansada ou ansiosa.
Jenna Ortega revela rituais ligados ao TOC
Na entrevista publicada em outubro, Jenna contou que precisava abrir os lençóis de determinada maneira, mexer nas gavetas sempre do mesmo jeito e pentear os cabelos lentamente. Esses hábitos começaram ainda na infância, antes mesmo de ela compreender o que acontecia.
Atualmente, a atriz de Wandinha repete a expressão “take care” (“se cuida”, em tradução livre) várias vezes, entra nos sets de gravação com o pé esquerdo e chega a prender a respiração enquanto conta até 71.
Jenna também revelou que já recorreu à psicoterapia e a medicamentos. Para diminuir a pressão que sente, tenta encarar alguns rituais como uma espécie de jogo.
Mas o que diferencia esses comportamentos de uma simples mania? Segundo a especialista em saúde mental Mariellen Freitas, a resposta está no sofrimento que acompanha as repetições.
“Existe uma diferença muito importante entre gostar de organização e sentir que você precisa realizar determinada ação repetidamente para aliviar uma angústia ou impedir que algo ruim aconteça”, explica.
Outros famosos também convivem com o transtorno
Jenna não está sozinha. O apresentador Howie Mandel, do America’s Got Talent, já falou sobre como o TOC prejudicou sua rotina, inclusive fazendo com que perdesse compromissos e voos.
Howie Mandel, do America’s Got Talent, já falou sobre como o TOC prejudicou sua rotina – Crédito: NBC
O ator Rainn Wilson, conhecido por interpretar Dwight em The Office, recebeu o diagnóstico aos 59 anos. Durante participação no podcast Get to Know OCD, em outubro, ele contou que passou décadas convivendo com pensamentos repetitivos, que se tornaram cada vez mais difíceis de interromper.
Rainn Wilson, conhecido por interpretar Dwight em The Office, recebeu o diagnóstico aos 59 anos – Crédito: NBC
Os relatos mostram que o transtorno obsessivo-compulsivo pode assumir diferentes formas. Nem todas as pessoas apresentam comportamentos visíveis, como lavar as mãos repetidamente ou conferir fechaduras.
“Existem compulsões que acontecem dentro da própria mente e que podem ser tão desgastantes quanto os comportamentos físicos. Muitas vezes, quem convive com o paciente sequer percebe o sofrimento que ele está enfrentando”, destaca Mariellen.
TOC na infância: quando os hábitos merecem atenção?
O TOC também pode apresentar sinais na infância, como aconteceu com Jenna Ortega. No entanto, nem toda criança que repete uma brincadeira ou segue uma rotina específica apresenta o transtorno.
O sinal de atenção surge quando esses hábitos provocam angústia, consomem muito tempo ou prejudicam atividades cotidianas, como estudar, dormir e sair de casa.
“Quando uma criança sente uma angústia muito grande porque não conseguiu repetir uma ação da maneira que considera correta, ou quando precisa realizar determinados rituais para conseguir dormir ou sair de casa, é importante investigar”, orienta Mariellen.
O tratamento pode incluir terapia cognitivo-comportamental, especialmente a técnica de exposição e prevenção de resposta, além de medicamentos quando houver indicação médica.
Para a especialista, compartilhar experiências como a de Jenna ajuda a combater preconceitos. Afinal, o TOC não é uma característica engraçada da personalidade, mas uma condição que merece acompanhamento profissional.
Resumo:
Jenna Ortega revelou que convive com o TOC desde os sete anos e ainda mantém rituais antes das gravações. Outros famosos, como Howie Mandel e Rainn Wilson, também compartilharam suas experiências. Especialista explica os sintomas menos conhecidos do transtorno, os sinais na infância e as possibilidades de tratamento.
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