Artemis 2: saiba como será a emocionante reentrada dos astronautas

Os quatro astronautas da Artemis 2 estão a caminho de casa. Depois de sobrevoar a Lua e se aventurar mais longe da Terra do que qualquer ser humano na história, a cápsula Orion se prepara para reentrar na atmosfera nesta sexta-feira (10), às 21h07 (horário de Brasília), com pouso no Oceano Pacífico, na costa de San Diego. Você poderá acompanhar tudo ao vivo com o Olhar Digital a partir das 19h30.

A etapa final da jornada de 1.118.624 quilômetros é uma das mais exigentes para a engenharia da nave. A Orion vai penetrar a atmosfera a 38.367 km/h. Nessa velocidade, o atrito com o ar eleva a temperatura externa da cápsula a 2.760°C — o suficiente para derreter aço.

Para proteger a tripulação, a NASA fez ajustes na trajetória de reentrada. A decisão veio após a missão não tripulada Artemis 1, em 2022, quando o escudo térmico da Orion sofreu danos. Gases ficaram presos no material Avcoat que reveste a base de titânio e, com o calor extremo, se expandiram, arrancando fragmentos carbonizados.

Na Artemis 2, a cápsula vai descer em um ângulo mais fechado, reduzindo o tempo de exposição às altas temperaturas. A estratégia busca evitar que o problema se repita agora com humanos a bordo.

Durante o retorno da Lua, o sistema de proteção térmica do módulo de tripulação da Orion precisa suportar temperaturas escaldantes para manter os tripulantes em segurança. Imagem meramente ilustrativa – Crédito: NASA

Oito minutos de tensão

Durante a descida, a Orion será envolvida por uma bola de fogo. O plasma incandescente vai interromper as comunicações com o solo por alguns instantes — um silêncio sempre angustiante para as equipes em terra.

Quando a cápsula estiver a cerca de 8 km de altitude, ainda caindo a mais de 500 km/h, uma sequência de paraquedas começará a ser acionada. Primeiro, três pequenos paraquedas de 2 metros de diâmetro serão liberados para estabilizar a nave. Em seguida, dois paraquedas de frenagem, com 7 metros cada, entrarão em ação.

O momento mais espetacular virá a aproximadamente 3 km do solo. Três paraquedas pilotos puxarão os três paraquedas principais, cada um com 35 metros de largura e 140 quilos. A Orion descerá pendurada a 81 metros abaixo desse conjunto, com a velocidade reduzida para menos de 32 km/h — um toque suave nas ondas do Pacífico.

Duas horas antes da amerissagem, equipes a bordo do navio USS John P. Murtha já estarão de prontidão. Helicópteros da Marinha farão o resgate dos astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch (NASA) e Jeremy Hansen (Agência Espacial Canadense). A operação foi ensaiada 12 vezes com um módulo simulado e já testada na volta da Artemis 1.

Linha do tempo: o que aconteceu dia a dia na missão Artemis 2

Dia 1 (1º de abril): o retorno ao espaço profundo

Superação de obstáculos: antes da decolagem, a NASA precisou corrigir uma falha de última hora no sistema de destruição do foguete. Entenda o problema técnico que quase adiou a missão;

O lançamento: às 19h35 (horário de Brasília), o superfoguete SLS decolou da Flórida, levando quatro astronautas a bordo. Saiba como foi o lançamento histórico aqui;

Painéis solares: pouco após entrar em órbita, a Orion abriu seus quatro painéis solares em formato de “X”, garantindo os 11 quilowatts de energia necessários para a viagem;

Ajuste de órbita: a nave realizou uma manobra de elevação, estabelecendo uma órbita elíptica entre 185 km e 2.222 km de altitude para testes iniciais de sistemas.

Lançamento da missão Artemis 2 à Lua, em 1º de abril de 2026 – Crédito: NASA/Bill Ingalls

Dia 2 (2 de abril): o “chute” rumo à Lua

Rotina e exercícios: a tripulação testou o novo dispositivo de exercícios flywheel e despertou ao som de “Green Light”, de John Legend, escolhida pelo controle de missão;

“Encanadora espacial”: a astronauta Christina Koch realizou um reparo de emergência no sistema sanitário da nave, garantindo o conforto da tripulação para o restante da viagem. Em vídeo, a astronauta conta como consertou o banheiro da Artemis 2;

Injeção Translunar (TLI): às 20h49 (Brasília), a Orion acionou seus motores por quase seis minutos, saindo da órbita da Terra e entrando oficialmente na trajetória de cruzeiro para a Lua. Entenda em detalhes o que é a manobra que colocou a Orion na rota lunar.

Dia 3 (3 de abril): chegando cada vez mais perto

A equipe testou vários equipamentos de primeiros socorros, como termômetro, monitor de pressão arterial, estetoscópio e otoscópio;

Realizaram testes no sistema de comunicações de emergência da Orion com a Rede de Espaço Profundo da NASA;

Também puderam conversar com a imprensa e familiares, destacando suas primeiras impressões sobre o espaço e a Terra vista de longe;

Com a realização da TLI um dia antes, a Orion entrou na chamada magnetocauda, extensão do campo magnético do planeta, semelhante a um cometa, que se estende por milhões de quilômetros, formada pelo vento solar que comprime e alonga o campo magnético.

Dia 4 (4 de abril): a pilotagem manual da Orion

No quarto dia de missão, cada membro da tripulação teve uma hora dedicada à revisão dos alvos geográficos que deverão fotografar no sexto dia de voo;

A equipe também teve que resolver problemas no banheiro da cápsula Orion. A resolução foi parcial;

Durante a noite, os astronautas Christina Koch, da NASA, e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense (CSA), realizaram um teste de pilotagem manual da nave. Eles se revezaram no comando da Orion e executaram manobras em dois modos distintos de propulsão;

Paralelamente, os astronautas analisaram uma lista de alvos fornecida pela equipe de ciência lunar. O material reúne características da superfície da Lua que serão registradas durante o sobrevoo previsto para segunda-feira (6). 

Dia 5 (5 de abril): a pilotagem manual da Orion

Testes dos trajes: a tripulação dedicou grande parte da manhã a avaliar o Sistema de Sobrevivência da Tripulação Orion em ambiente espacial;

Operação inédita: os astronautas se tornaram os primeiros a vestir e operar os novos trajes no espaço, testando rapidez e pressurização em emergências;

Correção de trajetória: a Orion executou com sucesso a queima final (que seria a terceira) para ajustar o curso rumo à Lua.

Dia 6 (6 de abril): quebra de recordes e vislumbre de um eclipse solar total

Os tripulantes a bordo da cápsula Orion bateram o recorde de distância percorrida por alguém a partir da Terra, quebrando o recorde (400 mil km) estabelecido em 1970 pela tripulação da Apollo 13;

A equipe sobrevoou a Lua e fez análises sobre sua topografia e batizou uma cratera;

No fim do dia, durante quase uma hora, eles puderam acompanhar um eclipse solar total que só pôde ser visto por eles. Eles aproveitaram para observar mais a Lua e o Sol.

Dia 7 (7 de abril): descanso merecido

Orion saiu da esfera de influência lunar;

Donald Trump, presidente dos EUA, conversou com os tripulantes;

Um dos motores da cápsula foi acionado para realizar a primeira de três manobras de correção de rota;

Restante do dia livre para os astronautas.

Dia 8 (8 de abril): dia de testes

Testes de vestuário para intolerância ortostática;

Testes de pilotagem manual.

Quer saber mais sobre a jornada da NASA rumo à Lua? Confira nossa cobertura especial sobre a Artemis 2.

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