O segundo dia do julgamento entre Elon Musk e a OpenAI começou com o bilionário de volta ao banco das testemunhas no tribunal de Oakland, na Califórnia. Pela primeira vez desde o início do processo, Sam Altman, CEO da OpenAI, esteve presente na sala, sentado ao lado do presidente Greg Brockman, observando o depoimento de seu agora rival.
Respondendo às perguntas de seu próprio advogado, Steven Molo, Musk abriu o dia afirmando que a OpenAI está tentando “ter o bolo e comê-lo ao mesmo tempo” – uma expressão para dizer que a empresa quer os benefícios de ser uma organização sem fins lucrativos enquanto opera visando o lucro.
O “suborno” de ações e as doações de US$ 38 milhões
Um dos momentos mais tensos do depoimento ocorreu quando Musk descreveu as ofertas de participação acionária que recebeu da OpenAI após o investimento bilionário da Microsoft. Segundo o bilionário, em declarações acompanhadas pelo The New York Times, a oferta parecia uma tentativa de silenciá-lo.
A recusa: Musk afirmou ter recusado as ações. “Sinceramente, pareceu um suborno”, declarou.
Sentimento de “tolo”: o empresário lamentou ter investido cerca de US$ 38 milhões do próprio bolso para ajudar a criar o que hoje é uma empresa avaliada em US$ 800 bilhões. “Fui um tolo que forneceu financiamento gratuito para criarem uma startup”, desabafou.
O fator Microsoft: Musk classificou o investimento de US$ 10 bilhões da Microsoft como um “golpe”, questionando por que uma gigante investiria tanto se não esperasse retornos massivos, o que feriria a missão original da ONG.
Por que Musk deixou a OpenAI em 2018?
A defesa da OpenAI frequentemente questiona por que Musk se afastou da empresa se estava tão preocupado com sua missão. Musk justificou que, entre 2017 e 2018, sua principal empresa, a Tesla, estava à beira da falência durante o que ele chamou de “inferno de produção” do Model 3.
“Eu não tinha tempo nem para participar das reuniões do conselho”, afirmou Musk. Ele explicou que precisava focar 100% de sua energia na Tesla e na SpaceX, chegando a dormir na fábrica para garantir a sobrevivência das companhias.
xAI vs. OpenAI: O argumento da concorrência
Questionado sobre sua própria empresa de inteligência artificial, a xAI, fundada em 2023, Musk admitiu que ela é uma concorrente, embora “muito menor” que a OpenAI.
A OpenAI acusa Musk de usar o processo para atrasar uma rival, mas o bilionário rebateu: o problema não é ser uma empresa com fins lucrativos (como a xAI é desde o nascimento), mas sim “criar uma organização sem fins lucrativos e depois transformá-la em uma empresa visando lucro”.
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Controle para “evitar o pior”
Musk reiterou que seu desejo inicial de ter controle sobre a OpenAI não era por ganho financeiro, mas para garantir que o desenvolvimento da IA seguisse o caminho correto. “Se houvesse uma decisão que eu considerasse muito ruim, eu poderia impedi-la de acontecer”, explicou.
A sessão foi interrompida para um intervalo, mas o depoimento de Musk deve continuar ao longo do dia. O The New York Times ressalta a ironia de Musk defender o status de “sem fins lucrativos” da OpenAI enquanto, em sua rede social X, critica abertamente ONGs, sugerindo que muitas são “golpes”.
*Matéria em atualização
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