O terceiro dia de julgamento no tribunal de Oakland, na Califórnia, marcou o encontro presencial entre os agora rivais Elon Musk e Sam Altman. O depoimento de Musk, que se estendeu por toda a quarta-feira (29), foi dividido em dois momentos distintos: a manhã dedicada à sua narrativa de “missão moral” e a tarde focada no interrogatório do advogado da OpenAI, que buscou expor inconsistências no discurso do bilionário.
A versão de Musk: traição e o “suborno” de ações
Durante a manhã, respondendo ao seu advogado Steven Molo, Musk buscou pintar um quadro de altruísmo traído. O executivo afirmou que a OpenAI está tentando “ter o bolo e comê-lo ao mesmo tempo”, operando como empresa lucrativa enquanto mantém o status de ONG.
Os principais pontos levantados por Musk incluíram:
Oferta de ações: Musk classificou como “suborno” a tentativa da OpenAI de lhe oferecer participação acionária após o investimento da Microsoft. Segundo ele, a oferta visava silenciar suas críticas.
Investimento pessoal: o bilionário afirmou ter doado US$ 38 milhões do próprio bolso e lamentou ter sido o “tolo” que financiou o que se tornou uma empresa de US$ 800 bilhões.
Saída em 2018: justificou seu afastamento do conselho pela crise na Tesla, que estava à beira da falência durante o “inferno de produção” do Model 3, o que o impedia de participar de reuniões.
O contra-ataque da OpenAI: a Tesla como “vaca leiteira”
Na parte da tarde, o clima mudou drasticamente sob o interrogatório de William Savitt, advogado da OpenAI. A estratégia da defesa foi usar os próprios e-mails de Musk para demonstrar que ele também tinha planos de lucrar com o laboratório de IA antes de sua saída.
Savitt revelou mensagens de 2018 nas quais Musk sugeria fundir a OpenAI com a Tesla, utilizando a montadora como uma “vaca leiteira” para financiar o desenvolvimento da tecnologia. Além disso, a defesa apontou contradições: enquanto Musk disse no tribunal que a Tesla não buscava a Inteligência Artificial Geral (AGI), ele postou recentemente no X que a montadora seria uma das líderes na criação dessa tecnologia.
Confronto técnico e rivalidade pessoal
O interrogatório foi marcado por momentos de hostilidade e ironia. Savitt, que já representou Musk no passado e depois defendeu o Twitter contra o bilionário, foi acusado por Musk de fazer perguntas “feitas para enganar”.
Entre os pontos de fricção, destacaram-se:
Hipocrisia: a OpenAI argumentou que Musk exige controle total em suas empresas (como Tesla e SpaceX) e que seu incômodo com a OpenAI seria por não ser ele o controlador.
Concorrência com a xAI: a defesa sugeriu que o processo é uma manobra para atrasar o desenvolvimento do ChatGPT enquanto a ferramenta de Musk, o Grok, tenta diminuir a desvantagem tecnológica.
Espionagem interna: foi citado um e-mail de Shivon Zilis, ligada a Musk, sugerindo que ela fornecesse informações internas da OpenAI para ele após sua saída do conselho.
O desfecho do dia
Ao final da sessão, Musk deixou o banco das testemunhas visivelmente frustrado. A juíza Yvonne Gonzalez Rogers interveio diversas vezes para acalmar os ânimos entre o bilionário e o advogado da OpenAI.
O julgamento segue em sua primeira fase, que deve durar até 21 de maio, focada em determinar se houve irregularidade na mudança de missão da OpenAI. O interrogatório de Musk deve continuar na manhã desta quinta-feira (30).
O post Musk vs OpenAI: 3º dia de julgamento une acusações de suborno e contradições apareceu primeiro em Olhar Digital.




