OpenAI e Sam Altman são processados por famílias de vítimas de massacre no Canadá

Dias após Sam Altman, CEO da OpenAI, ter escrito um pedido de desculpas à comunidade de Tumbler Ridge por não ter acionado as autoridades sobre as atividades de Jesse Van Rootselaar, a crise da empresa ganhou um novo capítulo nos tribunais. Familiares das vítimas do massacre ocorrido no Canadá entraram com um processo contra a companhia e seu principal executivo em uma corte federal em São Francisco, nos Estados Unidos, nesta quarta-feira (29).

De acordo com as denúncias detalhadas pela Reuters, a OpenAI teria identificado o atirador como uma “ameaça credível e iminente” oito meses antes do ataque, mas optou pelo silêncio.

Omissão por interesses financeiros

A acusação é grave: o processo afirma que em junho de 2025 os sistemas do ChatGPT sinalizaram conversas em que Van Rootselaar descrevia cenários de violência com armas de fogo. Embora a equipe de segurança tenha recomendado denunciar o caso à polícia, a liderança da OpenAI teria vetado a ação.

O motivo, segundo os advogados das famílias, seria puramente comercial. A denúncia sugere que reportar o caso revelaria o alto volume de interações violentas na plataforma, o que poderia comprometer a imagem da empresa e seu plano de abertura de capital (IPO), estimado em quase US$ 1 trilhão.

Detalhes do massacre e falhas no bloqueio

O crime, ocorrido em 10 de fevereiro, resultou na morte de nove pessoas, incluindo cinco crianças e um assistente educacional. Jesse Van Rootselaar, de 18 anos, suicidou-se após o ataque.

Os autos do processo revelam falhas técnicas críticas:

Mesmo após ter sua conta original desativada em junho de 2025, o atirador conseguiu criar um novo perfil.

Ele teria utilizado essa nova conta para seguir com o planejamento do atentado via IA.

Uma das autoras da ação é uma menina de 12 anos que sobreviveu a três tiros, mas segue em estado grave.

Mea culpa e defesa da OpenAI

Recentemente, conforme reportado pelo Olhar Digital, Sam Altman admitiu publicamente que a empresa falhou ao não contatar a polícia. Na ocasião, o CEO enviou uma carta à comunidade expressando condolências.

Em um comunicado citado pela Reuters, um porta-voz da OpenAI afirmou que a empresa reforçou seus protocolos de segurança, incluindo melhorias na detecção de usuários que violam políticas repetidamente e maior agilidade no escalonamento de ameaças. A companhia defende que, no momento dos registros, o conteúdo não preenchia todos os requisitos internos para uma denúncia criminal.

Agora, a justiça americana deve decidir se plataformas de IA podem ser responsabilizadas civilmente por não prever ou reportar crimes planejados por seus usuários.

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