Sensor brasileiro promete detectar câncer de pâncreas em minutos

Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma nova tecnologia que pode transformar o diagnóstico do câncer de pâncreas. Trata-se de um biossensor eletroquímico capaz de identificar a doença ainda nos estágios iniciais, detectando pequenas quantidades do biomarcador CA19-9 no sangue de forma rápida e acessível. A principal autora do estudo é a professora Gabriella Onila N. Soares e a pesquisa pode ser lida aqui.

O projeto foi conduzido no Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo. A proposta é oferecer uma alternativa mais simples aos exames tradicionais, que exigem infraestrutura laboratorial complexa e maior tempo de análise, segundo relatado pela Agência FAPESP.

Segundo a pesquisadora Débora Gonçalves, o foco está em ampliar o acesso ao diagnóstico precoce. Isso é crucial porque o câncer de pâncreas costuma ser silencioso nos estágios iniciais, sendo frequentemente identificado apenas em fases avançadas, quando as chances de sobrevivência são muito menores.

Para quem tem pressa:

O sensor detecta o biomarcador CA19-9 em baixas concentrações e facilita o diagnóstico do câncer de pâncreas;

Resultado pode sair em cerca de 10 minutos;

Pode analisar sangue, saliva e urina.

Como funciona o biossensor

O dispositivo detecta a glicoproteína CA19-9, principal marcador tumoral da doença, por meio de um sistema semelhante a “chave e fechadura”. A superfície do sensor contém anticorpos específicos que reconhecem e capturam essa molécula presente no sangue.

O dispositivo identifica o biomarcador CA19-9 em baixas concentrações, permitindo diagnóstico rápido e mais acessível. (Imagem: Lightspring/Shutterstock)

Quando ocorre essa ligação, há uma alteração na capacitância elétrica do sensor. Essa variação é convertida em um sinal mensurável, permitindo estimar a concentração do biomarcador em cerca de dez minutos. Quanto maior a quantidade de CA19-9, maior a resposta detectada pelo sistema.

Os testes iniciais, descritos na revista ACS Omega, analisaram 24 amostras de pacientes em diferentes estágios da doença. Os resultados foram estatisticamente compatíveis com métodos tradicionais, como o ensaio Elisa, considerado padrão no diagnóstico.

A pesquisadora Gabriella Soares destaca que o próximo passo é ampliar a base de testes e incluir diferentes tipos de amostras, como saliva e urina, em parceria com o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.

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Integração com inteligência artificial

Além do sensor principal, a equipe trabalha no desenvolvimento de outros dispositivos complementares e na criação de uma “língua bioeletrônica”. Essa ferramenta utiliza algoritmos de aprendizado de máquina para analisar grandes volumes de dados e identificar padrões com maior precisão.

A tecnologia funciona por meio da ligação entre anticorpos e moléculas-alvo, gerando um sinal elétrico mensurável em cerca de 10 minutos. (Imagem: Ilya Lukichev/iStock)

A combinação de biossensores e análise inteligente de dados pode representar um avanço importante no rastreamento da doença, tornando o diagnóstico mais rápido e acessível à população.

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