O azeite de oliva é uma das bases da cultura nos arredores do Mediterrâneo há pelo menos seis milênios. Importante para a economia a tal ponto que chegava a ser usado como moeda de troca na Antiguidade – uma das razões para ser apelidado de “ouro líquido”. O azeite também é o “segredo” por trás da culinária da região, considerada uma das mais saudáveis do mundo, e sua produção é um verdadeiro estilo de vida que se mescla até mesmo com tradições religiosas do passado.
Nas últimas décadas, todo o potencial do azeite começou a abrir outro filão para que as áreas onde se plantam oliveiras difundam sua cultura: é o olivoturismo, que vem se inspirando no enoturismo para qualificar ainda mais as experiências dos visitantes. Assim como já ocorria no mundo dos vinhos, estabelecimentos que antes se dedicavam apenas à produção vêm investindo em estrutura para unir a visita a áreas rurais com o aprendizado sobre os processos de fabricação. A degustação, que não pode faltar, já envolve rótulos variados para explorar as nuances do azeite.
Em Portugal e outras regiões do sul europeu, um mergulho no mundo do azeite tem se tornado uma experiência cada vez mais procurada para conhecer o continente de um jeito diferente. Confira alguns dos destaques.
Potências do olivoturismo em Portugal: Alentejo e Trás-os-Montes
No Brasil, até pela relação que vem desde os tempos da Colônia, azeite costuma ser sinônimo de Portugal – e das receitas trazidas de lá. E o país continua sendo uma das grandes potências mundiais nesse mercado: mesmo com seu tamanho diminuto, o território luso é o sexto maior produtor da iguaria, o que se reflete nas várias opções para explorar seus sabores.
Um post compartilhado por Esporão | Herdade do Esporão | Monte Velho | Alentejo (@esporaoworld)
Para quem está começando, a melhor pedida é se dirigir ao Alentejo, de onde sai cerca de 70% do ouro líquido português. Uma das melhores pedidas é a tradicionalíssima Herdade do Esporão, em Reguengos de Monsaraz, a meia hora de Évora. Já conhecida pela produção de vinhos, a casa também abriu seu lagar (nome dado à área de produção do azeite) para interessados no olivoturismo: a experiência ocorre nos claustros do Wine Bar, com uma prova de três azeites virgem extra, e sai por 20 euros (saiba mais). Também dá para emendar uma visita ao restaurante e à própria vinícola do Esporão (veja as outras opções).
Olival da Amor é CegoAzeite Amor é Cego/Divulgação
Se a ideia é uma experiência mais intimista, vale investir na visita a uma casa menor. No interior de Évora, a Amor é Cego se dedica à agricultura biológica e uma produção quase de boutique: “apostamos na qualidade e não na quantidade”, proclamam os proprietários, que em 2025 tiveram uma colheita de apenas 650 litros. É uma chance de um sabor exclusivíssimo que preza pela origem dos donos: a Galícia, no norte, que também se reflete em tradições um pouco diferentes daquelas dos demais alentejanos ao redor. A visita com degustação precisa ser agendada previamente e custa 40 euros por pessoa, com um mínimo de dois visitantes.
Visita ao Lagar do Marmelo permite conhecer os processos mais industrializados por trás do azeite em larga escalaOliveira da Serra/Divulgação
No extremo oposto, o aprendizado sobre a produção em escala industrial que sai do Alentejo também é uma opção no Lagar do Marmelo, que produz os azeites Oliveira da Serra: em um moderno parque industrial em Ferreira do Alentejo, a visita guiada destaca todas as fases de produção e também inclui uma prova dos azeites ao final. Mesmo sem a pegada rural de outras visitas, a grande vantagem é que todo o passeio é gratuito, basta marcar com um mínimo de 48 horas de antecedência.
Para além do Alentejo, quem se destaca na produção de azeite é Trás-os-Montes, no nordeste português. Responsável pelo segundo maior volume do óleo de oliva extraído no país, essa área tem propriedades mais focadas em métodos tradicionais e ancestrais, o que também repercute nas opções de olivoturismo por ali. Não precisa quebrar muito a cabeça para escolher os melhores passeios: o projeto Azeite a Norte reúne produtores e cooperativas destacando dezenas de roteiros em 17 municípios da região – vale consultar as opções e ver a que mais se encaixa no seu projeto de viagem.
Outras regiões para apreciar o olivoturismo na Europa
Onde mais vale a pena conhecer lagares e olivais ao redor do Mediterrâneo.
Espanha
Outro clássico na mesa dos brasileiros, o azeite espanhol é dono de uma parcela ainda maior do mercado na comparação com os vizinhos portugueses: o país lidera a produção mundial. Por lá, a província de Jaén, na Andaluzia, é conhecida como a Capital Mundial do Azeite, com inúmeras opções para conhecer mais sobre a iguaria.
Equipamentos ancestrais são destaque no museu dedicado à produção do azeite, na região de JaénMuseo de la Cultura del Olivo/Divulgação
Passeios mais famosos por Jaén incluem o Centro de Interpretación Olivar y Aceite, com degustações, aulas de culinária e workshops, e o imperdível Museo de la Cultura del Olivo: instalado na histórica Hacienda La Laguna, uma finca do século 17, o lugar permite um mergulho nas técnicas ancestrais de extração, com equipamentos seculares.
Grécia
Ainda vistas como variedades mais exóticas ao paladar brasileiro, as azeitonas gregas incluem variedades autóctones que garantem experiências sensoriais bem distintas das encontradas nos destinos ibéricos. O país da kalamata e da koroneiki, entre outras variedades de olivais, oferece experiências na área do Peloponeso e em Creta.
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Além do olivoturismo mais estruturado que só começou a ganhar opções no país recentemente (vale explorar propriedades curiosas como The Olive Temple, na lendária Olímpia), um passeio imperdível para apreciadores é conhecer a oliveira de Vouves, em Creta: famosa por ser um dos mais antigos espécimes vivos no mundo, algumas estimativas dizem que ela tem 4 mil anos.
Itália
Começando a ganhar adeptos, o olivoturismo na Itália era pouco popular alguns anos atrás, mas já cresceu quase 40% desde a pandemia. Regiões como Puglia (responsável por metade da produção nacional), Toscana, Úmbria e a Sicília aos poucos vêm abrindo suas portas para a experiência.
Área de olivais na Úmbria, onde ocorre o Frantoi ApertiFrantoi Aperti/Divulgação
Ainda vale a pena aproveitar eventos pontuais, como o famoso Frantoi Aperti (“lagares abertos”) da Úmbria, que celebra a safra com uma série de visitas e degustações nas casas produtoras da região – a edição 2026, a 29ª da história, ocorre entre 17 de outubro e 15 de novembro.
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