A Anthropic firmou uma parceria com a Fidelity National Information Services (FIS) para desenvolver ferramentas de inteligência artificial (IA) voltadas ao combate de crimes financeiros em bancos.
O anúncio foi feito nesta segunda-feira (4) e envolve a criação de agentes de IA — programas capazes de executar tarefas de forma autônoma, sem supervisão direta de usuários — que utilizarão a tecnologia Claude, da Anthropic, combinada aos sistemas e dados financeiros da FIS.
Segundo as empresas, a iniciativa poderá permitir que um sistema automatizado monitore milhões de contas bancárias em busca de atividades suspeitas.
A primeira ferramenta em desenvolvimento será um agente de IA dedicado à investigação de criminosos que utilizam o sistema financeiro, incluindo traficantes de drogas, terroristas e outros envolvidos em atividades ilícitas. A informação foi confirmada por Stephanie Ferris, CEO da FIS ao The Wall Street Journal.
De acordo com Ferris, o Bank of Montreal e o Amalgamated Bank estão entre as primeiras instituições que irão utilizar a tecnologia. A expectativa é de que o sistema esteja amplamente disponível para clientes no segundo semestre do ano.
Jonathan Jager-Hyman, chefe da divisão de indústrias da Anthropic, afirmou que engenheiros da empresa já estão integrados às equipes da FIS para o desenvolvimento das ferramentas.
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Ferris explicou que o agente de IA será capaz de reunir, de forma independente, evidências para potenciais investigações, incluindo transações, dados de contas e outras informações dispersas em diferentes sistemas;
Segundo ela, isso deverá reduzir significativamente o tempo e os custos por caso. Apesar disso, as decisões finais continuarão sendo tomadas por investigadores humanos;
O anúncio teve impacto imediato no mercado financeiro. As ações da FIS subiram cerca de 7% no pregão estendido após a divulgação da parceria pelo Journal.
Atualmente, bancos destinam bilhões de dólares anualmente a programas de combate à lavagem de dinheiro, com equipes extensas e softwares especializados em identificar atividades suspeitas. Esses esforços são exigidos pela legislação federal dos Estados Unidos e supervisionados por órgãos reguladores.
No cenário político, autoridades do governo Donald Trump prometeram mudanças na supervisão dessas atividades, com foco em riscos mais elevados e menor ênfase em exigências técnicas de conformidade.
O avanço recente dos modelos de IA também tem gerado preocupações em Wall Street sobre a possível obsolescência de diversos softwares tradicionais. No início do ano, um anúncio de produto da Anthropic provocou reações negativas no mercado, com investidores temendo que empresas passem a desenvolver seus próprios sistemas com base em IA, em vez de adquirir soluções de fornecedores.
A FIS está entre as empresas impactadas por esse movimento, acumulando queda superior a 25% em suas ações ao longo do ano.
A parceria com a Anthropic reflete tendência crescente no setor de tecnologia, em que laboratórios de IA e empresas tradicionais firmam acordos para criar soluções específicas para diferentes indústrias. Segundo as companhias, a proposta é integrar a IA aos sistemas já utilizados pelos clientes, ampliando a eficiência das ferramentas existentes.
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