Milhares de poços artesianos localizados na Região Metropolitana de São Paulo podem estar sob risco de contaminação por substâncias tóxicas deixadas por antigas atividades industriais, segundo um estudo publicado recentemente na revista Environmental Earth Sciences.
A pesquisa, liderada por Daphne Silva Pino, cientista da Universidade de São Paulo (USP), identificou a sobreposição entre áreas contaminadas e poços subterrâneos, especialmente em bairros com histórico industrial, levantando preocupações sobre a qualidade da água consumida por condomínios, empresas e hospitais.
Para quem tem pressa:
Estudo identificou risco de contaminação em milhares de poços artesianos na Grande São Paulo por substâncias tóxicas deixadas por antigas áreas industriais;
Pesquisadores encontraram sobreposição entre poços subterrâneos e regiões contaminadas em bairros como Mooca, Vila Prudente, Jurubatuba e cidades do ABC Paulista;
Solventes industriais como tricloroetileno e percloroetileno podem infiltrar-se no solo, atingir aquíferos e comprometer a qualidade da água.
Água contaminada é uma herança da industrialização
A pesquisa analisou a relação entre áreas contaminadas por solventes industriais e a distribuição de poços de captação subterrânea na Grande São Paulo. De acordo com os autores, as regiões possuem aproximadamente 14 mil poços privados, responsáveis por parte do abastecimento de empreendimentos privados e instituições. No entanto, cerca de dois terços dessas estruturas operam de forma irregular, sem cadastro oficial ou fiscalização adequada.
Para isso, os cientistas cruzaram mapas de áreas contaminadas, regiões com histórico industrial e a localização de poços subterrâneos. A análise identificou maior concentração de risco em bairros e municípios marcados pela industrialização ao longo do século XX.
Entre as áreas citadas estão Mooca, Vila Prudente, Jurubatuba e Jaguaré, na capital paulista, além de cidades do ABC Paulista, como Diadema e Mauá, e municípios como Osasco.
Os pesquisadores apontam que o principal problema envolve os chamados solventes clorados, substâncias utilizadas durante décadas em processos industriais, principalmente para limpeza e desengraxe de peças metálicas.
Entre os compostos identificados estão o tricloroetileno e o percloroetileno, produtos considerados tóxicos e capazes de permanecer no subsolo por longos períodos.
Segundo o estudo, esses contaminantes conseguem infiltrar-se no solo e atingir os aquíferos subterrâneos, criando “plumas de contaminação” que podem se espalhar para além das áreas originalmente afetadas.
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Aumento do uso de poços artesianos em São Paulo
A utilização de poços artesianos ganhou relevância na Região Metropolitana de São Paulo nos últimos anos, especialmente após períodos de estiagem e crises no abastecimento público. Além de funcionar como alternativa para a garantia de água, a captação subterrânea também é vista por empresas e condomínios como forma de reduzir custos.
Segundo os pesquisadores, cerca de 18% da demanda hídrica da região já é atendida por águas subterrâneas. O problema, porém, é que parte significativa dos poços não possui monitoramento constante da qualidade da água.
Os autores da pesquisa alertam que pequenas concentrações de solventes clorados já podem tornar a água imprópria para consumo humano. Alguns desses compostos estão associados a riscos à saúde e podem persistir no ambiente por décadas.
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