Organizar as roupinhas nas gavetas, dar os últimos toques na decoração do quarto e até pensar em como suavizar o puerpério são etapas que marcam a gestação. Mas, antes de o novo membro da família finalmente chegar, outros itens devem constar no checklist da maternidade: o preparo do corpo e mente para o parto.
Preparando a mente
A maternidade é um momento que marca uma grande virada na vida da mulher. Há mudanças na identidade, nos relacionamentos e na forma de enxergar a vida, o que torna a gestação um período de maior vulnerabilidade emocional. “Quando a mulher está emocionalmente preparada, ela consegue integrar tudo o que envolve esse período, atravessando estes momentos com mais confiança”, explica Aline Borges, psicóloga da Clínica Mãe Londrina.
Isso não significa ausência de medo, mas a capacidade de reconhecer esses sentimentos sem se deixar paralisar. E, quando o assunto é parto, eles costumam emergir com força, especialmente no terceiro trimestre.
O parto costuma ser uma das principais inseguranças vividas durante a gestação. Entre os medos mais comuns estão complicações, dor, a sensação de não dar conta e a insegurança em relação à via de parto, muitas vezes ligada à perda de controle. “Esses medos não devem ser ignorados, mas acolhidos e elaborados, para que não se tornem paralisantes e tragam repercussões maiores para todo o processo”, orienta Aline.
Algumas escolhas podem ajudar a trazer mais segurança para o momento do parto. Ter uma equipe de saúde que inspire confiança, um plano de parto realista, buscar informações de qualidade e cuidar da saúde emocional – com apoio psicológico, quando possível – contribuem para lidar melhor com expectativas e imprevistos.
Também é importante filtrar o excesso de informações, principalmente relatos negativos, e trabalhar a flexibilidade para entender que nem tudo sairá exatamente como planejado.
Preparando o corpo
Enquanto as emoções se reorganizam, o corpo passa por mudanças importantes para tornar o parto possível.
O crescimento da barriga desloca o centro de gravidade e pode sobrecarregar a coluna e os músculos das costas. Além disso, hormônios como progesterona e relaxina deixam os ligamentos mais flexíveis, especialmente na região pélvica.
Segundo a ginecologista e obstetra Larissa Pires, especialista em medicina fetal, essas transformações fazem parte do processo natural da gestação. O corpo se adapta progressivamente para o crescimento do bebê e para o trabalho de parto, embora isso possa gerar desconfortos quando não há acompanhamento adequado.
Nesse processo, a prática de exercícios é uma aliada importante. De acordo com o Guia da Gestante, da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a atividade física orientada durante a gravidez contribui para o bem-estar, ajuda a aliviar desconfortos comuns e prepara o corpo para o trabalho de parto.
Exercícios leves, alongamentos e atividades que trabalham a respiração e a consciência corporal favorecem a postura, fortalecem a musculatura, especialmente da região pélvica, e podem ajudar na evolução do parto.
Por isso, com acompanhamento adequado, movimentar o corpo ao longo da gestação não é apenas seguro, como pode tornar esse processo mais confortável e preparar melhor a mulher para o nascimento.
Preparo emocional e físico na gestação torna o momento do parto mais consciente – Crédito: FreePik
Cardápio da gestante
A alimentação também entra como aliada importante nesse preparo. Uma dieta equilibrada contribui para a energia, a disposição e a recuperação da futura mãe.
“Alimentos ricos em ferro, cálcio, proteínas e ômega-3 são importantes nesse período porque ajudam na formação do bebê, na saúde muscular e na disposição da gestante”, explica a nutricionista Clariana Colaço. Além disso, a hidratação adequada é essencial para o bom funcionamento do organismo.
Coloque no cardápio ao longo da gestação:
Vegetais verde-escuros (como espinafre e couve);
Leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico);
Ovos;
Peixes;
Frutas variadas;
Aveia;
Castanhas e sementes.
Cada parto, uma travessia diferente
Preparar o corpo para o parto é também preparar o coração e entender que nem tudo estará sob controle. Por isso, ter uma rede de apoio faz diferença nesse processo. Parceiro(a), família e equipe de saúde ajudam a criar um ambiente de acolhimento, com escuta, presença e segurança, para que a mulher se sinta mais confiante.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1517, de 17 de abril de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
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