Na era das IAs, qual é o consumo de data centers? Outros países têm a resposta

O avanço acelerado da inteligência artificial está ampliando a pressão sobre redes elétricas ao redor do mundo e começando a gerar resistência política e comunitária em alguns países. E tem motivo: um estudo da Autoridade Internacional de Centros de Dados (IDCA) apontou que data centers já consomem cerca de 6% de toda a eletricidade utilizada no Reino Unido e nos Estados Unidos.

Segundo o levantamento, o consumo global de energia por parte dessas estruturas cresceu 15% nos últimos dois anos. O aumento acompanha uma onda de investimentos no setor: os aportes anuais em data centers se aproximam de US$ 1 trilhão, valor equivalente a quase 1% da economia mundial.

O estudo afirma que o crescimento da demanda energética está “desencadeando preocupações sociais e políticas” e defende que empresas de tecnologia sejam mais transparentes sobre seus projetos de expansão para reduzir a “frustração da comunidade”.

A pesquisa identificou que o Reino Unido e os EUA já ultrapassaram com folga a média global de consumo energético ligado a centros de dados, atualmente estimada em 2%. No Reino Unido, eles respondem por 5,9% do consumo elétrico nacional; nos EUA, o índice chega a 6%.

Em alguns países, a pressão é ainda maior. Em Singapura, os data centers consomem cerca de 19% da energia da rede nacional. Na Lituânia, a participação é de 11%.

Boom de IA tem levado empresas a investirem em data centers – Imagem: FOTOGRIN/Shutterstock

Data centers começam a gerar resistência

A IDCA afirmou que, quando a presença de data centers atinge um nível de consumo de 5% das redes elétricas nacionais, a resistência pública (tanto por parte das autoridades quanto da população) começa a aparecer.

O tema ganha força em meio a dificuldades energéticas enfrentadas pelo Reino Unido. Desenvolvedores de data centers relatam esperas de anos para conseguir conexão à rede elétrica britânica. Dados do governo indicam que, apenas no primeiro semestre de 2025, a fila para conexão cresceu 460%.

Embora autoridades britânicas tenham estimado no início de 2025 que os data centers consumiam cerca de 2,5% da eletricidade do país, a projeção oficial é de que esse número quadruplique até 2030.

Consumo de eletricidade e água por parte dos data centers tem gerado preocupação em comunidades locais – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Impactos ambientais dos data centers

A discussão também envolve impactos ambientais. O jornal The Guardian revelou que empresas ligadas ao Google teriam apresentado estimativas muito abaixo do real sobre as emissões de carbono de dois futuros data centers voltados à IA no Reino Unido.

O Greenpeace Reino Unido alertou que um “boom descontrolado da IA” pode provocar aumento nas contas de energia, pressão sobre recursos hídricos e até ampliar a dependência de combustíveis fósseis.

Doug Parr, cientista-chefe da organização, afirmou: “Antes de nos deixarmos levar pelo entusiasmo dos bilionários da tecnologia cujos lucros dependem dessa expansão, devemos parar e nos perguntar se vale a pena o preço a pagar”. Ele também defendeu maior fiscalização sobre o setor, principalmente em relação ao consumo de água e energia.

O estudo também aponta desperdícios relevantes dentro da própria infraestrutura digital. Nos EUA, cerca de 13% do consumo de dados em data centers estaria ligado a chamados serviços “zumbis”, aplicativos e sistemas que continuam ativos sem uso real. Segundo a pesquisa, esse desperdício representa mais de 3 gigawatts de consumo energético.

Além das preocupações ambientais e energéticas, o documento destaca uma nova ameaça: a segurança física dos data centers.

“Os ataques a centros de dados – agora considerados infraestrutura crítica – no Oriente Médio chocaram operadores e clientes de centros de dados com o espectro de violação da segurança física. A segurança cibernética agora está intrinsecamente ligada à segurança física como parte integrante de uma estratégia de segurança unificada e abrangente”, diz o relatório.

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