Apocalipse do trabalho? Para CEO da AWS, você não precisa se preocupar

O CEO da Amazon Web Services (AWS), Matt Garman, afirmou que não acredita em um cenário de perdas massivas de empregos provocadas pela inteligência artificial (IA). Em entrevista ao The Wall Street Journal, o executivo disse que a tecnologia deve transformar funções e exigir novas habilidades, mas não causar um “apocalipse” no mercado de trabalho.

A declaração foi dada durante uma conversa com Tim Higgins, colunista de negócios do WSJ, sobre o avanço da IA dentro da AWS, divisão de computação em nuvem da Amazon. Garman também comentou o uso interno de ferramentas de inteligência artificial pela empresa, os investimentos em chips próprios e a disputa entre gigantes do setor, como OpenAI e Anthropic.

AWS é o serviço de nuvem da Amazon – Imagem: gguy/Shutterstock

CEO da AWS diz que trabalhadores precisam se adaptar à IA

Questionado sobre o temor de profissionais, especialmente engenheiros de software, perderem espaço para sistemas de IA, Garman afirmou que algumas competências devem se tornar menos valiosas com o tempo.

Segundo ele, profissionais que dependem apenas da capacidade de “escrever uma boa linha de código Java” podem enfrentar mudanças no mercado. Ainda assim, afirmou que haverá demanda por desenvolvedores capazes de criar sistemas e resolver problemas para clientes.

“Você precisa de menos pessoas para realizar a mesma tarefa, mas pode fazer mais coisas”, afirmou o executivo ao comentar ganhos de produtividade com IA.

Garman também rejeitou previsões mais pessimistas sobre o impacto da tecnologia no emprego. “Há potencial para criar valor massivo”, disse. Para ele, trabalhadores precisarão aprender novas habilidades e se adaptar às mudanças trazidas pela IA.

Amazon usa IA em diferentes áreas da empresa

Durante a entrevista, o CEO da AWS afirmou que a Amazon já utiliza inteligência artificial em praticamente todas as áreas da companhia. Segundo ele, equipes de desenvolvimento de software registraram ganhos de produtividade de até 10 vezes em alguns casos.

A empresa também disponibiliza ferramentas de IA para funcionários de diferentes setores. Garman citou o Amazon Quick, produto usado internamente para criar fluxos automatizados, organizar dados e auxiliar em tarefas diárias.

O executivo afirmou que ele próprio utiliza IA em sua rotina de trabalho. Antes da entrevista, por exemplo, pediu ajuda ao sistema para entender os temas de interesse do público e se preparar melhor para a conversa.

Ao mesmo tempo, Garman reconheceu que o uso inadequado da tecnologia também gera problemas. Ele comentou que já recebeu e-mails produzidos por IA sem revisão humana adequada, descrevendo algumas mensagens como “gobbledygook”, expressão usada para definir textos confusos ou sem sentido.

AWS aposta em chips próprios e expansão da infraestrutura

A entrevista também abordou a estratégia da AWS no setor de infraestrutura para IA. Garman destacou os chips Trainium e Graviton, desenvolvidos pela própria Amazon.

Segundo ele, a empresa começou a investir em silício próprio há mais de dez anos para oferecer melhor desempenho com menor custo aos clientes. O chip Graviton, afirmou, entregou 40% mais desempenho com 20% menos custo.

Já o Trainium é usado para treinamento e inferência de modelos de IA. O executivo citou o Project Rainier, complexo com múltiplos data centers em Indiana utilizado pela Anthropic para treinar seus modelos.

Garman também comentou os investimentos bilionários da Amazon em infraestrutura. Segundo ele, a companhia prevê US$ 200 bilhões em CapEx neste ano, com parte significativa direcionada à AWS e à infraestrutura de IA.

Além disso, afirmou que clientes querem acesso a diferentes modelos de IA dentro da AWS. Por isso, a plataforma Bedrock passou a oferecer modelos da OpenAI, além da parceria já existente com a Anthropic.

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