As recentes ameaças do Irã envolvendo cabos submarinos no Estreito de Ormuz reacenderam discussões sobre a dependência global da infraestrutura que sustenta a internet, serviços em nuvem, transações financeiras e plataformas digitais. Autoridades iranianas passaram a defender a cobrança de taxas sobre cabos instalados na região e indicaram possíveis restrições envolvendo a operação dessa infraestrutura.
O tema ganhou atenção porque o Estreito de Ormuz é uma das principais rotas marítimas do planeta e também concentra parte importante da conectividade internacional. Cabos submarinos que passam pela região ajudam a conectar países do Golfo, Europa e Ásia e transportam grande volume de tráfego global de dados.
Dependência da infraestrutura digital
Para o especialista em tecnologia e inovação Arthur Igreja, a economia digital atual é altamente dependente desse tipo de infraestrutura. “Interrompe transações, interrompe comunicações, principalmente software. Na prática causa um caos”, afirmou ao Olhar Digital.
Segundo Igreja, praticamente todos os setores econômicos dependem hoje de conectividade digital, inclusive áreas ligadas à infraestrutura física e energia. “Você não consegue fazer nada numa empresa de petróleo sem comunicação, sem internet”, disse.
O especialista também avalia que uma interrupção envolvendo cabos submarinos poderia gerar impactos perceptíveis para empresas e usuários, embora os efeitos variem conforme a redundância disponível nas redes internacionais. “A resposta genérica é depende. Para alguns mercados e para alguns casos, a resposta é sim. Para outros é não”, afirmou.
Cabos submarinos viraram alvo estratégico
Os cabos submarinos são responsáveis por transportar grande parte do tráfego internacional de dados e funcionam como base para sistemas financeiros, serviços corporativos, plataformas digitais e infraestrutura em nuvem.
Para Igreja, o episódio envolvendo o Irã mostra como esse tipo de infraestrutura passou a ocupar papel estratégico em disputas geopolíticas e conflitos internacionais. Ao comparar a infraestrutura digital com rotas físicas estratégicas, como corredores marítimos e canais comerciais, Igreja afirmou que os efeitos de uma interrupção podem passar despercebidos inicialmente, apesar do potencial de impacto elevado.
“Os impactos podem ser até maiores, só que eles são, em alguma medida, invisíveis”, afirmou. “Estar lá, submerso, não é algo que as pessoas conhecem como rodovias, pontes ou espaço aéreo, mas é tão importante quanto.”
Segundo ele, cabos submarinos já foram alvo de conflitos em outros momentos históricos e hoje fazem parte da infraestrutura considerada crítica para o funcionamento da economia global.
Impacto pode atingir conexões entre Oriente Médio e Ásia
A região do Golfo Pérsico concentra rotas importantes de comunicação entre Oriente Médio, Europa e Ásia. Especialistas do setor apontam que eventuais interrupções poderiam afetar serviços financeiros, conectividade corporativa e tráfego internacional de dados.
Para Igreja, os países mais próximos da região seriam os mais vulneráveis em um cenário de interrupção mais severa.
“Certamente os países dos Emirados Árabes e os países que circundam toda aquela região seriam fortemente afetados em virtude da conexão especialmente com a Ásia”, afirmou.
O especialista destaca que isso inclui conexões ligadas à China, um dos principais polos globais de tecnologia e negócios.
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