Nesta terça-feira (19), o Google realizou vários anúncios durante o Google I/O 2026, evento voltado para desenvolvedores. Contudo, novidades para o usuário final também foram apresentadas, como o Gemini Spark e o Gemini Omni. Confira um apanhado geral a seguir.
Tudo o que o Google anunciou no I/O 2026
Gemini Omni
O Gemini Omni é um modelo para criar “qualquer coisa a partir de qualquer prompt”. A tecnologia foi anunciada por Demis Hassabis, CEO da DeepMind, que afirmou que o Omni combina as expertises dos modelos Gemini para um “novo nível de entendimento de mundo, multimodalidade e edição”.
Hassabis ainda comparou a novidade com o Nano Banana, Genie e Veo. Segundo ele, os modelos são capazes de gerar vídeos e simulações realistas, com noções de realidade e física, mas ainda com algumas limitações.
O Omni é um passo além: ele pode representar ideias ainda mais complexas, como gravidade e energia cinética – que os três modelos anteriores não conseguiam entender.
O executivo atribuiu o avanço às novas capacidades de raciocínio profundo do Gemini. O resultado são vídeos, imagens ou gráficos ainda mais realistas.
O Gemini Omni funciona por meio de linguagem conversacional. Ou seja, o usuário pode criar algo a partir de um prompt e pedir ajustes como se estivesse conversando com a IA.
Gemini Spark
O Gemini Spark é um agente de IA que funciona 24h por dia, sete dias por semana. Foi construído com o Gemini 3.5 e Google Antigravity.
O sistema auxilia o usuário em várias das suas tarefas diárias, como envio, organização e limpeza de e-mails do Gmail, preparação de anotações de reuniões e montagem de resumos de notícias. Ele pode ser ativado diretamente no menu do Gemini e, em breve, estará disponível no Google Chrome.
Gemini 3.5 Flash
O Gemini 3.5 Flash “oferece desempenho de ponta para agentes [de inteligência artificial] e programação, destacando-se em tarefas complexas de longo prazo que proporcionam utilidade no mundo real”, diz o Google.
Ele traz mudanças focadas em velocidade, autonomia (capacidade agêntica) e custo. Segundo a empresa, usuários mundo afora vão poder usar o Gemini 3.5 Flash no aplicativo da IA e no “Modo IA” na Busca do Google.
“Também estamos trabalhando bastante na versão 3.5 Pro”, afirmou o Google, em comunicado. “Ela já está sendo usada internamente e esperamos lançá-la para o público no mês que vem.”
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IA conversacional no Gmail e Docs
O Google Workspace também receberá um incremento com inteligência artificial (IA). Entre as novidades, estão ferramentas conversacionais para Gmail, Docs e Keep.
Segundo a empresa, os novos recursos têm como objetivo ajudar usuários a organizar tarefas, criar documentos e administrar e-mails usando comandos de voz e ferramentas de IA integradas aos aplicativos do ecossistema Google.
Uma das novidades anunciadas é o Gmail Live, descrito pelo Google como uma ferramenta de busca por voz dentro da caixa de entrada. A proposta é permitir que usuários façam perguntas em linguagem natural para localizar informações presentes nos e-mails.
O Docs Live funcionará como um recurso de apoio para criação de documentos por voz. Segundo o Google, a ferramenta poderá organizar ideias, estruturar textos e montar rascunhos a partir de comandos falados.
Com autorização do usuário, o sistema também poderá buscar informações no Gmail, Drive, Chat e até na internet para complementar os documentos.
O Google também confirmou novidades para o Google Keep, aplicativo usado para criar notas, listas e lembretes. Segundo a empresa, o sistema passará a entender comandos mais livres e organizar automaticamente as informações inseridas pelos usuários.
Os recursos serão liberados “nos próximos meses” para assinantes dos planos Google AI Pro e Ultra e, em prévia, para clientes empresariais do Google Workspace.
Google Pics
Outra novidade anunciada foi o Google Pics, novo aplicativo de criação e edição de imagens baseado no modelo Nano Banana, que poderá ser usado tanto para criar imagens a partir de uma tela em branco quanto para editar fotos já existentes.
Segundo o Google, a ferramenta permitirá modificar partes específicas de imagens, editar textos dentro de fotos e traduzir conteúdos, mantendo o estilo visual original.
A ferramenta foi desenvolvida para permitir alterações mais precisas em imagens geradas por IA sem exigir que o usuário recomece o processo do zero.
A empresa afirma que o aplicativo também terá integração com serviços do Workspace, inicialmente no Slides e no Drive, além de permitir edição colaborativa em tempo real. O Google Pics começou a ser liberado para um grupo limitado de testadores.
Nos próximos meses, a ferramenta chegará globalmente aos assinantes Google AI Pro e Ultra e, em prévia, para clientes empresariais do Google Workspace.
Incremento ao Circule para Pesquisar
O Google também anunciou a expansão de ferramentas de verificação de conteúdo em seus produtos de busca e IA.
Entre os destaques está a atualização do Circule para Pesquisar, que passa a permitir que usuários identifiquem se uma imagem foi criada ou alterada por IA.
A novidade faz parte de um conjunto mais amplo de iniciativas da empresa voltadas à transparência digital, em um contexto no qual conteúdos gerados por IA se tornam cada vez mais comuns e difíceis de distinguir de materiais autênticos. A atualização também se estende à Busca, ao Gemini e ao Chrome.
Segundo a empresa, a ferramenta pode ser acionada a partir de perguntas simples feitas pelo usuário, como verificar a origem de uma imagem ou confirmar se ela foi gerada por IA.
Busca muda após 25 anos
O Google anunciou uma ampla reformulação da sua experiência de busca, incluindo mudanças na tradicional caixa de pesquisa, novos recursos com IA e ferramentas automatizadas para compras, produtividade e monitoramento de informações.
A principal mudança envolve justamente a icônica barra de pesquisa do Google, que mantém o mesmo formato básico desde 2001. Segundo a companhia, esta é a primeira grande alteração nas dimensões e na interação da caixa de busca em mais de 25 anos.
O novo campo foi redesenhado para acomodar perguntas mais longas, permitir uploads de diferentes tipos de mídia e integrar recursos conversacionais com IA.
De acordo com a companhia, a nova caixa inteligente de busca poderá expandir dinamicamente para acomodar perguntas maiores e também sugerir formulações com apoio de IA, indo além do tradicional autocomplete. O recurso começou a ser distribuído nos países e idiomas em que o Modo IA já está disponível.
A empresa também informou que os usuários poderão continuar conversas diretamente a partir dos AI Overviews, recurso que gera resumos automáticos nas buscas. Agora, será possível fazer perguntas complementares dentro do Modo IA sem perder o contexto anterior.
Novidades no YouTube
O Google anunciou uma ampliação das capacidades de busca do YouTube com um novo recurso de IA chamado “Pergunte ao YouTube”, capaz de responder perguntas em linguagem mais natural e direcionar usuários diretamente aos trechos de vídeos considerados mais relevantes para suas buscas.
O novo sistema de busca permite que usuários façam pesquisas mais complexas e conversacionais, em vez de apenas inserir palavras-chave.
A novidade já está disponível para assinantes do YouTube Premium nos Estados Unidos, com 18 anos ou mais. Segundo a empresa, a ferramenta deverá ser liberada em breve para mais usuários da plataforma.
Novos óculos
O Google aproveitou para dar novos detalhes sobre seus próximos óculos inteligentes. A empresa anunciou que serão dois modelos, um com áudio e outro com tela integrada para exibição de informações em tempo real.
Os modelos vão funcionar a partir da plataforma Android XR, desenvolvida em parceria com a Samsung e Qualcomm para experiências que unem realidade virtual e a inteligência artificial Gemini.
Segundo o Google, a ideia é dar suporte aos usuários sem que eles tenham que tirar o celular do bolso ou interromper o que estão fazendo.
Investimentos em IA
A empresa revelou que seus gastos com infraestrutura de IA estão crescendo de forma exponencial. Após investir US$ 31 bilhões (R$ 156,6 bilhões) em despesas de capital em 2022, a empresa espera que o valor alcance entre US$ 180 bilhões e US$ 190 bilhões (R$ 909,6 bilhões/R$ 960,2 bilhões) neste ano.
O principal fator por trás desse aumento são os chips personalizados da empresa para IA: as Unidades de Processamento Tensor (TPUs).
Diferentemente dos chips Tensor usados nos smartphones Pixel, essas TPUs são projetadas para data centers, onde servem para treinar e executar modelos de IA.
A geração mais recente divide o trabalho em dois chips: um voltado para tarefas massivas de treinamento e outro otimizado para respostas rápidas quando os usuários interagem com os modelos.
Universal Cart
O Google anunciou uma nova etapa na sua estratégia de comércio digital com IA. A empresa apresentou o Universal Cart, um carrinho inteligente que unifica compras feitas em diferentes serviços da companhia e promete automatizar parte da experiência de consumo online.
A novidade foi divulgada como parte do avanço da chamada “agentic commerce”, em que sistemas de IA passam a atuar de forma ativa na organização, comparação e execução de tarefas relacionadas a compras. Segundo o Google, a ferramenta funciona integrada ao Search, ao Gemini e a outros produtos do ecossistema da empresa.
O sistema também promete acompanhar variações de preço, disponibilidade de produtos e oferecer sugestões personalizadas com base em dados do usuário e do mercado.
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