A SpaceX pode divulgar já nesta quarta-feira os documentos de seu aguardado pedido de oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). Segundo a Bloomberg, a abertura de capital pode levantar até US$ 75 bilhões e avaliar a companhia em mais de US$ 2 trilhões, o que transformaria a operação na maior estreia da história do mercado financeiro.
O processo é acompanhado de perto por investidores porque a empresa, liderada por Elon Musk, permanece privada desde sua fundação. O prospecto do IPO deve trazer um raro panorama das finanças e das áreas de negócios da companhia, incluindo serviços de lançamento espacial, internet via satélite e projetos ligados à inteligência artificial.
Avaliação bilionária divide analistas
A expectativa em torno da oferta pública também alimenta debates sobre o valor atribuído à empresa. Caso confirme os números projetados, a operação superaria os IPOs da Saudi Aramco, que levantou US$ 29,4 bilhões, e da Alibaba, que captou US$ 25 bilhões.
A gestora ARK Invest, comandada por Cathie Wood e investidora da SpaceX, afirmou em comunicado enviado a clientes em abril que a avaliação é baseada no potencial futuro da empresa, e não em seus resultados atuais. Segundo a companhia, o mercado considera principalmente a capacidade de expansão das diferentes divisões da SpaceX.
Já David Wagner, chefe de renda variável da Aptus Capital Advisors, disse ao Business Insider que os fundamentos financeiros atuais não sustentariam uma avaliação tão elevada. Para ele, mesmo considerando crescimento acelerado até 2040, a SpaceX continuaria mais cara do que as maiores empresas abertas dos Estados Unidos.
Starlink aparece como principal motor financeiro
Entre as áreas consideradas mais relevantes para a avaliação da empresa está a Starlink. A ARK Invest classificou o serviço como o “motor financeiro” da companhia, apontando que a operação de internet via satélite é atualmente a principal geradora de caixa da SpaceX.
Mike Alves, da VIDA VC, afirmou ao Business Insider que a Starlink financia iniciativas de alto custo, como o foguete Starship e outros projetos de infraestrutura espacial. A gestora também afirmou que o mercado global de conectividade por satélite pode chegar a aproximadamente US$ 160 bilhões anuais em larga escala.
Serviços de lançamento seguem no centro da operação
A divisão de lançamentos espaciais continua sendo uma das bases do negócio da SpaceX. Segundo a ARK Invest, a companhia realizou 165 lançamentos orbitais em 2025 e colocou em órbita cerca de 85% de todas as espaçonaves lançadas até hoje.
A gestora afirma ainda que a empresa reduziu os custos de lançamento em cerca de 95% desde 2008, passando de aproximadamente US$ 15,6 mil por quilograma para menos de US$ 1 mil por quilograma com o foguete Falcon 9.
O Business Insider também destaca o potencial do Starship totalmente reutilizável, que teria como meta reduzir os custos para menos de US$ 100 por quilograma transportado ao espaço.
xAI e data centers espaciais entram na conta
Outro fator citado para justificar a avaliação bilionária é a integração entre a SpaceX e a xAI, adquirida pela companhia neste ano. A ARK Invest avalia que os projetos de “computação orbital”, ou data centers instalados no espaço, representam uma das apostas mais ambiciosas da empresa.
Segundo a gestora, centros de processamento de dados em órbita poderiam oferecer capacidade computacional a um custo cerca de 25% menor do que alternativas em solo.
Em publicação na rede social X, Musk afirmou que a empresa pretende lançar 100 gigawatts de capacidade computacional voltada à IA por ano dentro de três ou quatro anos. A proposta, no entanto, enfrenta ceticismo no mercado. Alguns analistas questionam a viabilidade econômica da ideia, enquanto Sam Altman classificou o plano como “ridículo”.
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