Dor de cabeça frequente? Neurocirurgião alerta para os sinais de que o sintoma pode ser grave

Dor de cabeça é quase uma velha conhecida de muita gente. Ela vem, incomoda e, muitas vezes, vai embora com um comprimido ou um descanso rápido. Algumas dores são previsíveis e têm até hora marcada para aparecer. Outras, no entanto, chegam de repente e com intensidade diferente. Mas será que toda dor é mesmo inofensiva?

“A maioria dos casos é o que chamamos de cefaleia primária: tensional, enxaqueca, dor relacionada ao estresse”, diz Feres Chaddad, professor de Neurocirurgia da UNIFESP e chefe da Neurocirurgia da Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Quando a dor é preocupante

As dores de cabeça costumam ser divididas em dois grandes grupos: as primárias, que não têm uma causa definida, e as secundárias, que estão associadas a outras condições de saúde. Entre as primárias, as mais comuns são a cefaléia tensional e a enxaqueca.

A primeira costuma provocar aquela sensação de aperto ou pressão na cabeça. Já a enxaqueca tende a ser mais intensa, pulsátil e pode vir acompanhada de náusea, sensibilidade à luz e ao som. “É mais comum entre as mulheres, especialmente entre 35 e 45 anos, possivelmente devido às questões hormonais”, explica o especialista.

“O que realmente preocupa é quando a dor foge completamente desse padrão”, diz Chaddad. Segundo ele, dores súbitas, muito intensas e que atingem o pico em poucos segundos devem ser levadas a sério.

Lidando com as crises

Conviver com dor de cabeça frequente vai além do desconforto físico. Ela interfere no humor, na produtividade e até nas relações do dia a dia. Quem sofre com enxaqueca, por exemplo, sabe como uma crise pode interromper planos simples, como sair de casa ou trabalhar.

Embora nem sempre seja possível evitar completamente a dor de cabeça, alguns ajustes no estilo de vida ajudam a reduzir a frequência e a intensidade das crises.

Dor de cabeça frequente? Neurocirurgião alerta para os sinais de que o sintoma pode ser grave – Crédito: FreePik

Manter uma rotina de sono regular, cuidar da alimentação e evitar longos períodos sem comer são atitudes eficazes. O controle do estresse também faz diferença. “Estratégias como atividade física regular, momentos de lazer e técnicas de relaxamento podem ajudar a reduzir o impacto da dor de cabeça”, diz Chaddad.

No caso das telas, pequenas pausas ao longo do dia e atenção à postura já fazem diferença.

Olho nos sinais!

Algumas características da dor de cabeça merecem atenção especial:

Dor súbita e muito intensa;
Sensação de “pior dor da vida”;
Rigidez no pescoço e febre;
Alterações na fala, visão ou força;
Dor diferente do padrão habitual;

Qual é o momento de investigar?

Nem sempre a dor de cabeça tem uma causa simples. Em alguns casos, ela pode estar ligada a alterações mais silenciosas no cérebro, como aneurismas, cavernomas ou malformações vasculares.

O desafio é que essas condições podem não apresentar sintomas por muito tempo. Por isso, mudanças no padrão da dor não devem ser ignoradas. “Se a dor é diferente do habitual, se é a pior dor que você já teve na vida, ou se vier acompanhada de qualquer outro sintoma, não espere passar, procure atendimento”, reforça o neurocirurgião.

Exames de imagem, como angiotomografia ou angiorressonância, ajudam a investigar esses quadros e identificar possíveis riscos antes que evoluam.

Cuidado com a farmacinha de casa

Outro ponto importante – e muitas vezes negligenciado – é o uso frequente de analgésicos. O que parece solução rápida pode, com o tempo, se transformar em um problema. “O uso repetido faz com que os mecanismos naturais de controle da dor fiquem menos eficientes”, explica o especialista. Esse fenômeno, conhecido como efeito rebote, pode tornar a dor mais frequente e até diária.

A automedicação deixa de ser segura quando passa a ser frequente ou regular. Sinais como precisar de doses maiores ou usar remédio vários dias por semana indicam que é hora de procurar orientação médica.

A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1519, de 1 de maio de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader

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