SpaceX fecha contrato de US$ 2,29 bilhões com os EUA para rede de satélites militares

A Força Espacial dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira (26) um acordo bilionário com a SpaceX. A empresa de Elon Musk recebeu um contrato de preço fixo avaliado em US$ 2,29 bilhões para desenvolver o Backbone da Rede de Dados Espaciais (SDN, na sigla em inglês), um sistema de comunicações via satélite focado em segurança avançada e transmissão rápida de dados, conforme reportado pela Reuters.

A nova infraestrutura foi projetada para conectar sensores militares e plataformas de armas norte-americanas espalhadas por todo o mundo. O objetivo é garantir um fluxo contínuo e resiliente de informações táticas, operando com alta capacidade e baixa latência – ou seja, com o mínimo de atraso na resposta de envio e recebimento de dados.

Como funcionará a rede SDN em órbita baixa

De acordo com especificações técnicas divulgadas pelo Pentágono e publicadas pela Reuters, o sistema será estruturado a partir de conceitos modernos de arquitetura aeroespacial:

Constelação proliferada (pLEO): a rede será composta por um grande número de satélites posicionados na órbita terrestre baixa.

Arquitetura em malha: os dispositivos serão interconectados diretamente entre si no espaço, permitindo uma troca de dados rápida, estável e independente de bases terrestres isoladas.

Integração conjunta: o SDN atuará em paralelo com a chamada Camada de Transporte da Agência de Desenvolvimento Espacial, unificando as comunicações das missões atuais e futuras do Departamento de Defesa dos EUA.

A expectativa das autoridades é que um protótipo totalmente operacional dessa rede seja entregue até o final de 2027, segundo o G1. Apesar do papel central da SpaceX nesta etapa, a Força Espacial informou que planeja selecionar fornecedores adicionais durante o verão norte-americano para a construção de satélites e outros componentes complementares do ecossistema.

O papel da SpaceX e o projeto do “Domo de Ouro”

Atualmente, as forças armadas dos EUA já utilizam de forma regular as constelações Starlink e Starshield, ambas pertencentes à SpaceX, para viabilizar comunicações militares terrestres e aéreas. Este novo aporte bilionário faz parte de uma estratégia macro do governo americano para expandir a frota de satélites de defesa, impulsionada por uma autorização orçamentária do Congresso feita em 2024, que destinou US$ 13 bilhões ao setor de comunicações da Força Espacial.

O avanço do programa SDN está diretamente alinhado com as diretrizes do governo de Donald Trump. Logo após assumir o mandato em janeiro de 2025, o presidente assinou um decreto para acelerar o “Domo de Ouro“, um ambicioso escudo de defesa antimísseis focado em neutralizar ameaças de armamentos balísticos, hipersônicos e de cruzeiro, sob a justificativa estratégica de alcançar a “paz pela força”.

A consolidação do novo contrato de US$ 2,29 bilhões ocorre após um período de diversificação de fornecedores. Em julho de 2025, a administração de Washington havia iniciado buscas por alternativas de mercado além da SpaceX para o desenvolvimento do sistema de defesa antimísseis do país.

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