Um artigo publicado nesta quinta-feira (28) no periódico Monthly Notices of the Astronomical Society relata que astrônomos encontraram os primeiros indícios de que estrelas anãs vermelhas podem aniquilar e engolir os próprios planetas. A descoberta ajuda a entender melhor como os sistemas planetários evoluem ao longo do tempo.
As anãs vermelhas são estrelas menores e menos brilhantes que o Sol, extremamente comuns na nossa galáxia. Os pesquisadores já desconfiavam que esses astros poderiam consumir planetas próximos, mas até então não existiam provas claras.
Comparação de tamanho entre a Terra, Júpiter, uma anã marrom, uma anã vermelha e o Sol. – Crédito: Planetkid32 / WIkimedia Commons
Presença de lítio gerou desconfiança
A investigação foi feita com dados do projeto Gaia-ESO Spectroscopic Survey, do Observatório Europeu do Sul (ESO), que analisa a composição química das estrelas. Durante a pesquisa, os cientistas identificaram anãs vermelhas com quantidades inesperadas de lítio, um elemento químico que normalmente não deveria estar presente nesses corpos celestes.
Isso porque o interior dessas estrelas é muito quente. Nessas condições, o lítio costuma ser destruído rapidamente durante as reações nucleares responsáveis pela produção de energia. Por esse motivo, encontrar esse elemento em anãs vermelhas chamou a atenção da equipe.
Segundo o pesquisador Robin Jeffries, da Universidade de Keele, na Inglaterra, até pequenas quantidades de lítio podem ser percebidas nessas estrelas. Ele comparou o processo a jogar tinta sobre uma tela totalmente branca, já que qualquer traço do elemento se torna facilmente visível.
Os cientistas acreditam que o lítio encontrado veio de planetas consumidos pelas estrelas. A equipe identificou seis anãs vermelhas em três aglomerados estelares diferentes com níveis muito acima do esperado. Isso reforça a hipótese de que elas tenham absorvido material planetário recentemente.
Concepção artística mostra a estrela anã vermelha TRAPPIST-1 e seus quatro planetas em órbita mais próxima. – Crédito: NASA, ESA, CSA, STScI, Joseph Olmsted (STScI)
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Anãs vermelhas são as estrelas mais comuns da Via Láctea
Após análises mais detalhadas, os pesquisadores calcularam que algumas dessas estrelas podem ter engolido uma quantidade de matéria equivalente entre três e dez planetas do tamanho da Terra. Esse material teria enriquecido temporariamente suas atmosferas com lítio.
O estudo também sugere que esse comportamento pode ser bastante comum no Universo. As anãs vermelhas representam cerca de 75% das estrelas da Via Láctea, o que aumenta a possibilidade de muitos sistemas planetários terem passado pelo mesmo processo destrutivo.
Agora, os astrônomos pretendem investigar em quais fases da vida dessas estrelas o engolfamento de planetas acontece com maior frequência. A expectativa é que futuras pesquisas ajudem a compreender melhor como nascem, evoluem e desaparecem os sistemas planetários pelo cosmos.
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