Fim de semana traz Lua Azul – e será a menor ‘microlua’ do ano 

Neste domingo (31), às 5h45 da manhã (pelo horário de Brasília), a Lua atingirá a fase cheia pela segunda vez este mês. Quando isso acontece, ela é chamada de Lua Azul. Apesar do nome, isso não significa que o satélite mude de cor.

Esse fenômeno ocorre, em média, a cada dois ou três anos. Segundo o astrônomo Gabriel Hickel, professor da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI) e parceiro do Observatório Nacional (ON), isso é possível porque o intervalo entre duas luas cheias dura cerca de 29 dias e meio, enquanto os meses do calendário possuem entre 28 e 31 dias. Dessa forma, quando a primeira Lua Cheia ocorre nos primeiros dias do mês, o ciclo lunar pode se completar novamente antes que o mês termine. 

Não se iluda: não será esta imagem que você vai ver da Lua no fim de semana. O apelido “Azul” não tem relação com qualquer alteração na cor do astro. – Crédito: Lukasz Pawel Szczepanski – Shutterstock

Por que ‘microlua’

Além de ser uma Lua Azul, ela também estará quase no ponto mais distante da Terra em sua órbita atual – o chamado apogeu. Quando a fase cheia coincide ou acontece próxima a esse momento, o fenômeno recebe o nome de microlua.

Nesse caso, de acordo com o guia de observação astronômica InTheSky.org, o apogeu será atingido algumas horas mais tarde, no início da madrugada de segunda-feira (1), à 1h32, quando a Lua estará a mais de 406 mil km da Terra. Essa distância é maior que a média habitual, fazendo desta a menor microlua de 2026. 

Duas imagens da lua capturadas em maio e dezembro de 2021 em Calcutá, Índia, apresentam uma comparação entre o tamanho aparente da superlua (à esquerda) e da microlua (à direita). Ambas as imagens foram capturadas com a mesma câmera e lente na mesma distância focal para uma comparação fiel de seus tamanhos – Crédito: Soumyadeep Mukherjee

A distância da Lua em relação à Terra varia porque sua órbita não é perfeitamente circular – é ligeiramente oval, traçando um caminho chamado elipse. À medida que ela atravessa esse caminho elíptico ao redor do nosso planeta a cada mês, sua distância varia entre 356.500 km, no perigeu (ponto mais próximo) e 406.700 km, no apogeu.  

Mesmo sendo considerada a menor lua cheia do ano, a diferença dificilmente será percebida pela maioria das pessoas. Comparada a uma Superlua (quando a fase cheia inicia no perigeu), a microlua pode parecer cerca de 12% menor e até 25% menos brilhante. No entanto, sem uma comparação direta entre os dois fenômenos, o olho humano não nota essa mudança.

Ocultação lunar de Antares

Outro detalhe que deve deixar o espetáculo ainda mais especial será a presença de Antares próxima da Lua. Conhecida pelo brilho avermelhado, ela é a estrela mais brilhante da constelação de Escorpião e costuma se destacar facilmente no céu noturno.

O contraste entre o tom avermelhado de Antares e o brilho prateado da Lua pode render belas imagens para quem gosta de observar ou fotografar o céu. Em alguns lugares, inclusive, haverá uma espécie de “eclipse” dessa supergigante de classe M que tem cerca de 883 vezes o raio do Sol e fica a 600 anos-luz da Terra.

De acordo com o InTheSky.org, o evento, oficialmente chamado pelos astrônomos de ocultação lunar, acontece entre 3h58 e 8h19. Embora não seja visível no Brasil, poderemos ver os dois corpos celestes muito próximos um do outro.

Representação artística da ocultação lunar de Antares – Crédito: European Southern Observatory (fundo) / Creative Commons (Lua) / Edição: Olhar Digital

Ocultações lunares só são visíveis de uma pequena fração da superfície da Terra. Como a Lua está muito mais perto do nosso planeta do que outros objetos celestes, sua posição no céu difere dependendo da localização exata do observador na Terra devido à sua grande paralaxe (diferença na posição aparente de um objeto em relação a um plano de fundo, tal como visto por observadores em locais distintos ou por um observador em movimento). 

A posição da Lua vista de dois pontos em lados opostos da Terra pode variar em até dois graus, ou quatro vezes o diâmetro da lua cheia.

Isso significa que se a Lua estiver alinhada para passar na frente de um objeto específico para um observador posicionado em um lado da Terra, ela aparecerá até dois graus de distância desse objeto do outro lado do globo.

Mapa mostra as regiões do planeta de onde será possível observar a ocultação lunar de Antares no domingo (31). – Crédito: In-The-Sky.org

No mapa acima, contornos distintos mostram onde o desaparecimento de Antares poderá ser visível (em vermelho) e onde será possível testemunhar seu reaparecimento (em azul). Os traços sólidos exibem onde a ocultação provavelmente será visível através de binóculos a uma altitude razoável no céu. Os contornos pontilhados, por sua vez, indicam onde o evento ocorre acima do horizonte, mas pode não ser visível devido ao céu estar muito claro ou a Lua muito perto do horizonte.

Fora dos contornos, a Lua não passa na frente de Antares em nenhum momento, ou está abaixo do horizonte no momento da ocultação.

Como observar a microlua ao lado de Antares

O melhor período para acompanhar o fenômeno começa ainda na noite de sábado (30), durante o nascer da Lua, que surgirá no horizonte praticamente no mesmo horário em que o Sol se põe e permanecerá visível durante toda a madrugada.

O momento mais favorável para fotografias costuma ocorrer justamente quando a Lua aparece próxima ao horizonte. Nessa situação, acontece a chamada “ilusão lunar”, um efeito visual que faz o cérebro humano interpretar a Lua como maior do que realmente é.

Lua nascendo imensa sobre o Observatório Las Campanas, no Deserto do Atacama, Chile – representação do efeito da ilusão lunar – Crédito: Yuri Beletsky via APOD/NASA

Especialistas recomendam procurar locais com horizonte aberto e poucos obstáculos visuais. Paisagens com árvores, prédios ou montanhas podem ajudar na composição das fotos. Para quem pretende usar o celular, uma dica importante é diminuir manualmente a exposição da câmera para evitar excesso de brilho e perda de detalhes na imagem.

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Quando a Lua fica realmente azul

Apesar do nome curioso, a Lua Azul não tem relação com a cor. O termo surgiu a partir de antigas referências culturais e acabou sendo incorporado à astronomia popular ao longo do tempo.

Segundo o ON, a expressão teria aparecido em obras britânicas do século XIX que descreviam Luas azuladas observadas após grandes erupções vulcânicas. Nessas situações, partículas lançadas na atmosfera alteravam a forma como a luz era espalhada, criando um efeito visual raro.

Mais tarde, fazendeiros nos EUA passaram a usar o termo para identificar uma 13ª Lua Cheia dentro do mesmo ano. Décadas depois, um erro de interpretação em uma revista especializada acabou popularizando o uso atual da expressão para definir a segunda Lua Cheia de um mesmo mês.

Embora rara, uma Lua realmente azul pode acontecer em situações atmosféricas extremas, como grandes incêndios florestais ou fortes erupções vulcânicas. Um dos casos mais famosos ocorreu após a erupção do vulcão Krakatoa, em 1883, quando partículas espalhadas na atmosfera fizeram a Lua adquirir tons azulados em diferentes partes do mundo.

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