Após explosão, Blue Origin planeja lançar o foguete New Glenn novamente este ano

Conforme noticiado pelo Olhar Digital, uma explosão ocorrida durante testes do foguete New Glenn provocou danos nas instalações da Blue Origin em Cabo Canaveral, na Flórida, EUA, na última quinta-feira (28). Mesmo após o incidente, a companhia acredita que conseguirá fazer o veículo voar novamente antes do fim de 2026.

A previsão foi divulgada pelo CEO da empresa, Dave Limp, em publicação nas redes sociais na segunda-feira (1). Segundo ele, as avaliações iniciais indicam que boa parte da estrutura da plataforma de lançamento permaneceu preservada após a explosão.

Some LC-36 updates. Now that we’ve had access to the pad and integration facility we can share a bit of good news. The propellant farm, oxygen, liquid hydrogen and LNG tanks are all in good shape. This is good luck because these are very long lead items. The water tower is also…

— Dave Limp (@davill) June 2, 2026

Limp afirmou que os danos observados até agora foram menores do que muitos especialistas imaginavam logo após o acidente. A empresa ainda realiza inspeções para determinar a extensão dos prejuízos e identificar exatamente o que causou a falha.

De acordo com o executivo, um propulsor reutilizável do New Glenn que já havia participado de uma missão anterior também parece ter escapado sem danos significativos. Além disso, três estágios superiores do foguete armazenados no complexo de lançamento permanecem em boas condições.

Com base nessas informações preliminares, a Blue Origin trabalha com a expectativa de retomar as operações ainda este ano. “Voltaremos a voar antes do final deste ano”, afirmou Limp.

Explosão do foguete New Glenn, da Blue Origin – Crédito: Reprodução/Redes Sociais

Meta é considerada ambiciosa

A meta é considerada ambiciosa por analistas do setor espacial. Após a explosão, muitos especialistas acreditavam que a empresa precisaria de um período mais longo para recuperar sua infraestrutura e obter autorização para novas missões.

Parte desse ceticismo está relacionada ao fato de a Blue Origin contar atualmente com apenas uma plataforma capaz de realizar lançamentos do New Glenn. Caso os danos fossem extensos, a recuperação poderia levar muitos meses.

A situação difere do cenário enfrentado pela SpaceX em 2016, quando um foguete Falcon 9 explodiu durante preparativos para um lançamento. Na época, a empresa conseguiu retomar as operações rapidamente porque já possuía outra plataforma praticamente pronta para uso.

A Blue Origin está construindo uma segunda plataforma de lançamento em Cabo Canaveral. No entanto, o projeto ainda se encontra nos estágios iniciais e não pode servir como alternativa imediata para as missões do New Glenn.

Another footage of the New Glenn rocket explosion captured from Cape Canaveral pic.twitter.com/7icQSZTmnY

— Surajit (@surajit_ghosh2) May 29, 2026

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Foguete da Blue Origin está nos planos da NASA

O foguete desempenha um papel importante nos planos futuros da empresa e também em projetos da NASA. A agência pretende utilizar o New Glenn em missões ligadas ao programa Artemis, que busca ampliar a exploração humana da Lua nos próximos anos.

Para concentrar recursos nesse objetivo, a Blue Origin anunciou em janeiro a suspensão temporária dos voos turísticos realizados pelo foguete New Shepard. A pausa deve durar pelo menos dois anos, permitindo que a empresa dedique mais atenção ao desenvolvimento do New Glenn.

O primeiro lançamento do foguete ocorreu em janeiro de 2025, após anos de desenvolvimento e sucessivos atrasos. A missão foi considerada parcialmente bem-sucedida, já que o estágio superior alcançou a órbita planejada, embora o propulsor tenha sido perdido durante a tentativa de retorno à Terra.

A segunda missão, realizada em novembro do mesmo ano, apresentou resultados mais positivos. O foguete colocou duas espaçonaves em trajetória rumo a Marte e a empresa conseguiu recuperar o primeiro estágio em uma plataforma marítima.

O foguete New Glenn, da Blue Origin, decolou em 13 de novembro de 2025 lançando uma missão da NASA a Marte. – Crédito: Blue Origin

Esse mesmo propulsor foi reutilizado na terceira missão, realizada em abril. Entretanto, uma falha no estágio superior comprometeu o voo e resultou na perda da carga útil transportada, um satélite da operadora AST SpaceMobile.

Antes da explosão mais recente, a Blue Origin preparava o quarto lançamento do New Glenn. A missão teria como objetivo colocar em órbita um grupo de satélites da Amazon, empresa também fundada por Jeff Bezos. No entanto, os satélites ainda não haviam sido instalados no foguete no momento do acidente. Por isso, nenhum dos equipamentos foi danificado durante a explosão.

Apesar de especulações sobre uma possível mudança para uma versão mais potente do New Glenn após a retomada dos voos, Limp descartou essa possibilidade. Segundo ele, a empresa continuará trabalhando com o modelo atual.

A Blue Origin, entretanto, pretende alterar os procedimentos utilizados para transportar o foguete até a plataforma e posicioná-lo para o lançamento. Os detalhes da nova estratégia ainda não foram divulgados, mas devem fazer parte das medidas adotadas para aumentar a segurança das futuras operações.

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