A startup Pacific Fusion apresentou, nesta terça-feira (02), o protótipo do seu novo módulo de pulso elétrico. Ele atingiu a marca de 440 gigawatts de potência num intervalo de 80 nanossegundos.
O teste bem-sucedido atendeu aos requisitos técnicos e liberou uma nova parcela de investimento para a empresa, que supera US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 5 bilhões). Com o aporte garantido, a companhia planeja iniciar a construção de sua usina de demonstração de fusão nuclear ainda em 2026.
A tecnologia desenvolvida pela companhia aposta na fusão por confinamento inercial para gerar energia limpa de forma mais econômica do que os sistemas concorrentes baseados em lasers. Em vez de depender de instalações ópticas complexas e caras, o projeto prevê a coordenação de milhares de capacitores e interruptores elétricos (que são mais baratos) para comprimir o combustível até que ocorra a reação.
Protótipo usa milhares de componentes eletrônicos para baratear a fusão nuclear
O protótipo testado recentemente tem o tamanho de um contêiner de carga e equivale a cerca de um terço do tamanho de um módulo definitivo. Essa estrutura menor conta com nove estágios e 90 blocos de componentes para validar o projeto de engenharia.
Quando concluído, o sistema de demonstração da usina será composto por 156 módulos de pulso em tamanho real, operando com 32 estágios circulares. Cada um desses estágios será composto por dez blocos, equipados com dois capacitores para armazenar energia. E um interruptor para dispará-la de maneira precisa. O grande desafio técnico da empresa é garantir que esses componentes liberem a energia exatamente no mesmo instante.
O processo de fusão da startup direciona o forte pulso elétrico para um alvo do tamanho de uma borracha escolar dentro da câmara de fusão. A descarga gera um campo magnético que força os átomos a se fundirem e liberarem grandes quantidades de energia.
Até o momento, o National Ignition Facility (NIF), do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, foi o único a produzir uma reação controlada com ganho líquido de energia usando essa abordagem. Mas dependendo de uma infraestrutura de lasers de alto custo. A Pacific Fusion tenta replicar o feito substituindo os lasers por componentes eletrônicos comercialmente mais viáveis.
Para sustentar o avanço científico, a startup adota um modelo de captação de recursos dividido em parcelas atreladas a metas, formato mais comum no setor de biotecnologia. Isso permitiu que a empresa “mantivesse o foco”, disse Keith LeChien, diretor de tecnologia da Pacific Fusion, ao TechCrunch. “Isso significa que podemos nos concentrar no futuro sem gastar de 20% a 50% do tempo buscando constantemente a próxima rodada de investimentos.”
Com os resultados validados pelo protótipo, a empresa não pretende esperar os testes de um módulo em tamanho real para iniciar as obras da usina de demonstração. O objetivo final da instalação é ignorar o estágio inicial de ganho científico básico e buscar diretamente o “breakeven da instalação”, no qual o sistema gera energia suficiente para abastecer o complexo operacional.
“Qualquer abordagem de fusão, independentemente da tecnologia específica, precisa passar por isso”, disse LeChien. “É o próximo marco fundamental na fusão.”
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