O avanço da inteligência artificial física e da robótica deve abrir caminho para a próxima grande empresa trilionária do setor de tecnologia. É o que defendeu Masayoshi Son, CEO do SoftBank, em entrevista à CNBC. A avaliação acompanha o movimento crescente de investidores e analistas que veem os robôs humanoides como uma das principais frentes da próxima década.
Projetados para reproduzir movimentos e tarefas humanas, os humanoides vêm ganhando espaço em diferentes aplicações, de testes em aeroportos à aposta da Tesla no Optimus. A expectativa é que essas máquinas passem a ocupar funções cada vez mais complexas conforme os sistemas de IA evoluírem.
Para Zornitza Todorova, chefe de pesquisa temática de renda fixa, moedas e commodities do Barclays, o setor está apenas no começo de uma expansão acelerada. “Esta é a década do robô”, afirmou ao programa Squawk Box Europe, da CNBC.
Segundo ela, o mercado de robótica humanoide ainda é pequeno, estimado entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões atualmente. O Barclays, porém, projeta que esse valor pode chegar a US$ 200 bilhões até 2035.
Robôs humanoides: a próxima etapa da automação
Em um relatório intitulado “AI Gets Physical”, o Barclays descreve os humanoides como uma nova etapa da automação. A tese é que esses robôs poderão ajudar a suprir lacunas estruturais no mercado de trabalho, especialmente em atividades repetitivas, perigosas ou de baixa atratividade para trabalhadores humanos.
“Eles já estão realizando tarefas simples e bem definidas, como levantar caixas ou pegar itens na linha de montagem, ajudando a preencher funções onde não há muitos humanos capazes de desempenhar essas funções”, explicou Todorova.
Ainda assim, a executiva ressalta que a tecnologia continua em fase de amadurecimento. Ela defende que, por ora, estamos “apenas começando a explorar o potencial dos robôs humanoides”.
O relatório do Barclays prevê duas ondas de adoção. A primeira, já em curso e que deve ir até 2030, deve se concentrar em manufatura, logística, agricultura e construção. A segunda, após 2030, tende a chegar a setores como saúde, atendimento a idosos, educação e hotelaria.
China é destaque no setor de robôs
A China aparece como protagonista nesse cenário. De acordo com o Barclays, o país instala cerca de metade dos robôs industriais do mundo – quase 300 mil unidades, contra 34 mil nos Estados Unidos. Desde 2016, a densidade de robôs na China cresceu 600%, chegando a quase 500 máquinas por 10 mil trabalhadores.
O país também lidera a produção e a implantação de humanoides, respondendo por 85% das instalações no ano passado. O relatório aponta ainda que fabricantes chineses conseguem produzir esses robôs por cerca de metade do custo dos concorrentes ocidentais, geralmente na faixa de US$ 50 mil.
Investidores também enxergam a Ásia como centro da cadeia de fornecimento dessa nova indústria. Jason Pidcock, gestor do fundo Asian Income da Jupiter, afirmou que a robótica deve transformar profundamente o mundo nos próximos dez anos.
Segundo Pidcock, o avanço dos robôs humanoides deve elevar a produtividade e impulsionar tanto fabricantes de hardware quanto desenvolvedores de software. Ele também destacou que o consumo de tecnologia pode se tornar uma porta de entrada para capturar parte desse crescimento.
Já para Dan Ives, analista sênior da Wedbush Securities, a robótica humanoide pode se tornar uma das maiores oportunidades dentro da revolução da IA.
Apesar da aposta em empresas listadas ligadas à cadeia de semicondutores, como Micron, AMD, Broadcom e Nvidia, Ives observa que muitas das principais companhias focadas diretamente em robôs humanoides ainda são privadas. “Consideramos a China, neste momento, a clara líder nesta área. Os EUA estão tentando alcançá-la”, disse.
Segundo o analista, o mercado poderá movimentar trilhões de dólares na próxima década e alterar a forma como consumidores, empresas e governos operam.
Ao mesmo tempo, ele alerta que o avanço exigirá regulação e cuidado. Isso criará um “aumento massivo na produção”, afirmou Ives, “mas é evidente que haverá riscos relacionados aos robôs que precisam ser cuidadosamente equilibrados pela indústria e pelos governos”.
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