Passar horas rolando o feed sem perceber virou rotina para muita gente. Especialistas em saúde mental e comportamento aditivo vêm alertando para os efeitos desse hábito e defendem mudanças simples para diminuir o tempo de tela sem precisar abandonar o celular.
Psicoterapeutas e pesquisadores afirmam que os smartphones foram projetados para prender a atenção. Ainda assim, pequenas mudanças na rotina já podem ajudar a recuperar o foco, dormir melhor e diminuir aquela sensação de cansaço depois de horas navegando sem parar, explica o the Guardian.
Por que o celular parece tão difícil de largar?
Se você já abriu o Instagram “por cinco minutos” e perdeu quase uma hora ali, saiba que isso não acontece por acaso. Segundo especialistas, aplicativos e redes sociais usam mecanismos que estimulam o cérebro com recompensas constantes, como notificações, curtidas e vídeos rápidos.
Interagir com qualquer plataforma tecnológica proporciona reforço positivo e negativo, exatamente como o álcool.
Marcantonio Spada, especialista em comportamentos aditivos, ao the Guardian
Spada compara esse mecanismo ao reforço presente em outros vícios.
Além disso, existe o chamado reforço intermitente: você nunca sabe quando vai aparecer algo engraçado, chocante ou interessante. É justamente essa expectativa que faz muita gente pegar o celular quase sem perceber.
A psicoterapeuta Hilda Burke observa que o problema aparece cada vez mais em casos ligados a sono ruim, ansiedade e dificuldade de concentração. “Aquilo que originalmente tentávamos automedicar ainda está lá depois de quatro ou cinco horas navegando”, diz.
Pequenas mudanças podem fazer diferença
Apesar da preocupação crescente, a saída não passa exatamente por abandonar o celular. A ideia, segundo especialistas, é usar o aparelho de forma menos automática no dia a dia.
Entre as estratégias mais recomendadas estão:
Monitorar o tempo gasto em aplicativos;
Desativar notificações não essenciais;
Deixar o celular longe da cama;
Criar períodos do dia sem telas;
Tornar a tela menos atraente usando tons de cinza.
Android e iPhone já oferecem ferramentas nativas para acompanhar o uso diário do aparelho. No Android, o recurso aparece como Bem-estar Digital; no iPhone, como Tempo de Uso.
Burke também recomenda o chamado “treinamento de espera”, que consiste em passar pequenos períodos longe do aparelho. Ela começou deixando o celular em casa durante passeios curtos e hoje mantém os domingos praticamente offline.
Truques curiosos ajudam a frear o vício em celular
Tem dica que parece simples demais, mas ajuda. Uma delas é trocar a foto da tela de bloqueio por algo que lembre objetivos reais, como viagens, exercícios físicos ou momentos com a família.
Outra sugestão envolve colocar um simples elástico em volta do celular. A ideia é criar uma pequena barreira física para interromper o hábito quase automático de desbloquear a tela o tempo todo.
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Também existem aplicativos focados justamente em combater o excesso de uso. O BePresent, por exemplo, oferece recursos premium por £3,99 mensais (cerca de R$ 29), enquanto o ScreenZen funciona por doações e pode ser usado gratuitamente.
Já para quem sente mais dificuldade, dispositivos físicos como o Brick bloqueiam aplicativos até que o usuário vá pessoalmente desbloqueá-los em outro cômodo da casa. Parece exagero, mas especialistas afirmam que aumentar a distância física do aparelho pode ajudar bastante.
Para muita gente, perceber quanto tempo desaparece em rolagens automáticas já é o primeiro passo. Em alguns casos, deixar o celular longe por alguns minutos já muda bastante a rotina.
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