A inteligência artificial já virou rotina em grandes empresas, mas ainda está longe da revolução prometida por seus maiores entusiastas. Especialistas dizem que a transformação deve acontecer, só que em um ritmo bem mais lento do que muita gente imaginava.
Mesmo com investimentos bilionários e ferramentas cada vez mais populares, obstáculos humanos, técnicos e organizacionais ainda dificultam uma adoção mais profunda da IA no mercado, afirma o The Wall Street Journal.
IA já está nas empresas — mas ainda sem grande revolução
Pouco mais de três anos após o lançamento do ChatGPT, a inteligência artificial já aparece em quase todos os ambientes corporativos. Funcionários usam IA para resumir reuniões, escrever e-mails, montar apresentações e acelerar tarefas repetitivas.
Na prática, porém, a revolução prometida ainda não apareceu nos números da economia. Os ganhos existem, mas ainda não provocaram mudanças claras na produtividade de forma ampla.
Pesquisas citadas no texto mostram que executivos planejam aumentar os investimentos em IA nos próximos anos. Um estudo da Wharton apontou que três quartos dos 801 executivos entrevistados disseram ter obtido retorno positivo com ferramentas de inteligência artificial.
Os avanços aparecem em diferentes áreas:
Varejistas usam IA para ajustar preços em tempo real;
Fabricantes aplicam visão computacional para detectar defeitos;
Empresas financeiras utilizam IA para analisar pesquisas e investimentos;
Ferramentas de programação já escrevem códigos a partir de comandos simples.
“Dizer que estamos presos no modo piloto é uma ideia ultrapassada e errada”, afirmou Ethan Mollick, professor da Wharton que pesquisa a adoção de IA nas empresas.
O maior problema talvez nem seja a tecnologia
Apesar do avanço impressionante, a IA ainda tropeça em situações relativamente comuns. Pesquisadores chamam isso de “fronteira irregular”: em alguns casos, os sistemas funcionam muito bem; em outros, erram de maneira surpreendente.
Segundo o texto, a IA funciona muito bem em atividades estruturadas, como programação, revisão de documentos jurídicos e análises financeiras. Já tarefas mais subjetivas continuam sendo um problema.
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A tecnologia ainda esbarra em contexto humano, interpretação social, regras informais e decisões baseadas em experiência prática. E é justamente aí que muitas empresas encontram dificuldades reais para integrar a IA no dia a dia.
“Seja você um CEO, um gerente, um jornalista, um professor ou um operário da construção civil, vejo suas habilidades como algo que vai além do que a IA pode realizar”, disse Daron Acemoglu, economista do MIT e vencedor do Prêmio Nobel.
Mas os problemas não param na tecnologia. Outro obstáculo importante é a própria resistência das empresas e dos funcionários. Muitos trabalhadores temem estar ajudando a treinar sistemas que podem substituir seus empregos no futuro.
A transformação pode levar anos
O texto compara o atual momento da IA com outras revoluções tecnológicas do passado. A eletricidade levou décadas para impactar a produtividade econômica de forma clara. A internet também demorou mais de uma década para transformar empresas e mercados em larga escala.
Leva tempo, em escala humana, para realmente transformar as organizações e desbloquear grandes mudanças.
James Landay, codiretor do Instituto Stanford de Inteligência Artificial Centrada no Ser Humano, ao The Wall Street Journal.
Segundo ele, a adaptação das empresas exige mudanças profundas em processos, cultura e organização interna.
A IA deve transformar muita coisa nos próximos anos. Mas, olhando para o cenário atual, a mudança parece menos imediata do que o mercado imaginava quando o ChatGPT explodiu.
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