A Meta passou a ser alvo de pedidos formais de investigação no Brasil após a ativação, considerada acidental, de uma função do Instagram que permite o compartilhamento da localização em tempo real dos usuários. A iniciativa partiu da organização Ctrl+Z e da deputada federal Erika Hilton, que apontam riscos à privacidade e possíveis mecanismos de indução ao uso.
Segundo as solicitações encaminhadas a órgãos públicos, a ferramenta teria sido liberada no país sem planejamento adequado e acabaria influenciando o comportamento dos usuários por meio de escolhas de interface consideradas pouco claras. O recurso chegou a ficar disponível por um curto período antes de ser desativado pela empresa.
De acordo com os autores dos pedidos, o funcionamento da função poderia levar à manutenção involuntária do rastreamento, já que o desligamento exigiria ação manual e poderia ser reativado após períodos de pausa. A Meta afirma que a liberação ocorreu por engano e que o recurso foi retirado do ar no Brasil.
🚨 Estou acionando o Ministério Público Federal e pedindo a suspensão IMEDIATA da nova função do Instagram que compartilha a localização dos usuários AO VIVO em um mapa.
Um clique errado e a localização é compartilhada.
Isso coloca em risco mulheres, crianças e pessoas idosas.… pic.twitter.com/xGYR2gZthD
— ERIKA HILTON (@ErikakHilton) June 11, 2026
Pressão regulatória e disputa sobre privacidade
A organização Ctrl+Z protocolou solicitação ao Ministério da Justiça pedindo apuração sobre o episódio envolvendo o Instagram. No mesmo contexto, Erika Hilton acionou o Ministério Público com pedido de suspensão imediata da funcionalidade, alegando riscos associados ao compartilhamento contínuo de localização.
A empresa responsável pelo Instagram declarou que o “Mapa do Instagram” ficou acessível de forma não intencional e que já foi desativado. Segundo a Meta, usuários no Brasil não conseguem mais acessar nem compartilhar localização por meio da ferramenta.
Os questionamentos levantados pelas denúncias incluem dúvidas sobre governança interna, critérios de liberação do recurso e impacto em diferentes perfis de usuários, inclusive adolescentes. As entidades também afirmam que o sistema poderia induzir decisões não plenamente conscientes.
Os pedidos citam ainda preocupações com chamadas práticas de design de interface conhecidas como “dark patterns”, que seriam estruturas capazes de orientar escolhas do usuário sem transparência total. A avaliação apresentada sustenta que o modelo de ativação e pausa do recurso poderia favorecer reativações automáticas do compartilhamento.
Outro ponto mencionado nas manifestações é que a funcionalidade já havia sido lançada anteriormente nos Estados Unidos. Na ocasião, autoridades de 37 estados norte-americanos teriam enviado uma carta ao responsável pelo Instagram expressando preocupações com segurança e privacidade.
As entidades também fazem referência a comparações com ferramentas similares existentes em outras plataformas, como o Snap Map do Snapchat, associando casos anteriores a episódios de perseguição e uso indevido da localização.
O post ONG e Erika Hilton solicitam investigação contra a Meta por ferramenta de localização no Instagram apareceu primeiro em Olhar Digital.






