Sonda da NASA encontra sinais de água antiga em asteroide

A sonda Lucy, da NASA, identificou evidências de que o asteroide 52246 Donaldjohanson, também chamado de DJ, teve presença de água líquida em algum momento de sua história. As conclusões ajudam a entender não apenas a evolução desse corpo celeste, mas também de milhares de outros asteroides relacionados a ele.

A descoberta é baseada em dados coletados pela Lucy durante um sobrevoo realizado em abril de 2025. Na ocasião, imagens divulgadas pela NASA mostraram que o Donaldjohanson possui um formato incomum, composto por dois lóbulos conectados por uma região estreita, característica que chamou a atenção dos cientistas da missão.

Imagem do asteroide Donaldjohanson, com dois grandes lóbulos ligados por uma região estreita e superfície marcada por crateras – Imagem: Divulgação/NASA

Com cerca de 8 quilômetros de comprimento e 3,5 quilômetros de largura, o Donaldjohanson foi o segundo alvo visitado pela missão Lucy. Os resultados indicam que o objeto faz parte da família de asteroides Erigone, formada há aproximadamente 150 milhões de anos após uma colisão catastrófica que deu origem a cerca de 2 mil rochas espaciais no cinturão interno de asteroides.

Sobrevoo revelou detalhes da formação do asteroide

Segundo Simone Marchi, do Southwest Research Institute, em Boulder, Colorado, o encontro com o Donaldjohanson permitiu uma análise detalhada de sua origem e evolução por ele pertencer a uma família de asteroides relativamente jovem.

De acordo com o pesquisador, os dados da Lucy ajudaram a restringir diversos processos físicos que moldaram o asteroide ao longo do tempo. Entre eles estão a união de seus dois lóbulos, a desaceleração de sua rotação, movimentos de oscilação, a presença antiga de água, a formação de crateras e estimativas da idade de sua superfície.

Imagens divulgadas após o sobrevoo mostraram que o Donaldjohanson é formado por dois lóbulos cobertos por crateras, conectados por uma região central lisa. A contagem dessas marcas de impacto é usada por cientistas para estimar a idade de corpos planetários. Com base nessa análise, o asteroide teria cerca de 155 milhões de anos.

Ausência de pequenas crateras chamou atenção

Um dos aspectos mais inesperados observados pela equipe foi a falta de crateras com menos de 400 metros de diâmetro.

Segundo Marchi, essa ausência sugere que a superfície passa por movimentações de material solto capazes de apagar marcas de impacto ao longo do tempo. Esse processo também explicaria o aspecto particularmente suave da região que conecta os dois lóbulos do asteroide.

Ainda de acordo com o pesquisador, os dados indicam que essas transformações ocorrem em uma escala relativamente rápida, possivelmente em dezenas de milhões de anos.

Minerais indicam presença de água no passado

Os cientistas também encontraram indícios sobre o corpo ancestral que deu origem à família Erigone. A composição mineral observada na superfície do Donaldjohanson inclui filossilicatos contendo ferro, um sinal associado à presença de água líquida em algum estágio de sua história.

Marchi explicou que a composição do asteroide sugere que a água estava presente em uma fase inicial, possivelmente pouco tempo após a formação do corpo progenitor da família Erigone, nos primórdios do Sistema Solar.

O pesquisador destacou, porém, que as alterações químicas causadas pela água foram limitadas quando comparadas às observadas em outros asteroides primitivos estudados anteriormente, como Bennu e Ryugu.

A missão Lucy seguirá sua jornada rumo a seis asteroides troianos, objetos que compartilham a órbita de Júpiter ao redor do Sol e são considerados remanescentes da formação dos planetas. Os resultados do estudo sobre o Donaldjohanson foram publicados na revista científica Science.

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